Emprego, renda e floresta: a aposta da Suzano para tirar 200 mil pessoas da pobreza
Mais de 44 mil pessoas deixaram a linha da pobreza em só 2025 com apoio direto ou indireto da Suzano, fabricante de papel e celulose. O resultado faz parte de uma meta assumida pela companhia em 2020: contribuir para retirar 200 mil pessoas da pobreza nas regiões onde atua até o fim da década.
Com o avanço registrado neste ano, a empresa alcançou 141.686 pessoas retiradas da pobreza desde o início do compromisso, o equivalente a cerca de metade da meta estabelecida para 2030.
Os números refletem uma estratégia que vai além da filantropia tradicional. Em vez de concentrar recursos em doações pontuais, a companhia passou a estruturar uma carteira de projetos voltada para geração de renda, empregabilidade, empreendedorismo, agricultura familiar e inclusão produtiva.
Em 2025, a Suzano investiu cerca de R$ 20 milhões em iniciativas voltadas à redução da pobreza e conseguiu mobilizar outros R$ 60 milhões junto a parceiros.
Os projetos apoiados pela companhia geraram R$ 163 milhões em receita para empreendedores, agricultores familiares, extrativistas, recicladores e trabalhadores participantes.
Por que a Suzano combate a pobreza?
A meta surgiu em 2020, após a fusão entre Suzano e Fibria, quando a empresa decidiu redefinir sua estratégia de sustentabilidade.
Segundo Giordano Automare, gerente-executivo de Sustentabilidade da Suzano, que conversou com exclusividade com a EXAME, a companhia percebeu que precisava estabelecer objetivos com impacto social mensurável nos territórios onde mantém operações.
"Quando definimos nossos compromissos para 2030, olhamos para os mais de 220 municípios onde estamos presentes e para os desafios sociais desses territórios. Queríamos construir algo que tivesse impacto real e escala relevante", afirma.
A definição da meta levou em conta indicadores oficiais de pobreza, a presença da empresa nos territórios e o potencial de impacto das iniciativas. Aos poucos, a Suzano mudou a forma como conduz seus investimentos sociais.
"No passado, o investimento social estava muito ligado à licença social para operar. Com a nova estratégia, passamos a atuar como gestores de uma carteira de projetos, buscando parceiros e iniciativas capazes de gerar impacto em larga escala", diz Automare.
Modelo baseado em três pilares
A estratégia da companhia para combater a pobreza se baseia em três frentes principais.
A primeira é evitar duplicar esforços. "Não queremos reinventar a roda. Procuramos entender o que os territórios já estão fazendo, quais soluções funcionam e onde nossos recursos podem ampliar resultados", afirma o executivo.
O segundo pilar é a formação de parcerias. "Entendemos que sozinhos não chegaríamos a lugar nenhum. Por isso buscamos ativamente organizações, institutos e financiadores que possam construir soluções em conjunto conosco", diz.
O terceiro eixo envolve o próprio negócio. Segundo Automare, o impacto social mais relevante muitas vezes está na forma como a empresa contrata funcionários, seleciona fornecedores e movimenta sua cadeia produtiva.
"Não existe nada que bata o tamanho do próprio negócio. Quando você contrata mão de obra local, fornecedores locais e cria oportunidades para populações vulneráveis, o impacto é muito maior do que qualquer projeto isolado", afirma.
Foco em mulheres, negros e jovens
Os resultados de 2025 mostram uma forte presença de grupos historicamente sub-representados.
Entre as pessoas apoiadas pelos projetos da Suzano, 70% são pretas e 63% são mulheres.
Nos programas de empreendedorismo, a participação feminina chega a 93%. Segundo Automare, essa escolha é estratégica.
"Quando você investe na geração de renda para mulheres, o impacto alcança toda a família. Por isso buscamos direcionar boa parte dos projetos para esse público", afirma.
A companhia também prioriza jovens em situação de vulnerabilidade, agricultores familiares, recicladores, extrativistas e pequenos empreendedores.
Parceria com Instituto Coca-Cola
Um dos projetos que mais contribuem para os resultados da meta é a parceria com o Instituto Coca-Cola Brasil.
Renovado em 2026 e com vigência até 2027, o acordo prevê investimento de R$ 4 milhões e tem como objetivo capacitar cerca de 60 mil jovens entre 16 e 29 anos.
Entre 2023 e 2025, a iniciativa já alcançou mais de 104 mil participantes. Desse total, 63% são mulheres e 64% são pessoas negras. O principal indicador, porém, está na empregabilidade: 60% dos participantes conseguiram emprego em até seis meses após a formação.
"Esse é um dos projetos que mais entrega resultados na nossa estratégia. Ele combina formação profissional, acesso ao mercado de trabalho e conexão com grandes empregadores", afirma Automare.
Amazônia e agricultura familiar
A atuação da Suzano varia conforme os desafios de cada território.
No Pará, a companhia mantém parceria com o CIRAD (Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento), focada em conservação da Amazônia e geração de renda.
Em 2025, 373 produtores rurais e extrativistas foram beneficiados em Paragominas (PA), e 280 deles saíram da linha da pobreza.
Já no Tocantins, a empresa participa do projeto Conexões Transformadoras, em parceria com o Instituto Meio, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o governo estadual. Com investimento de R$ 2 milhões, a iniciativa já beneficiou mais de 3.175 pessoas em cadeias produtivas ligadas à fruticultura, mandiocultura, apicultura e meliponicultura.
Sustentabilidade e negócio caminham juntos
Para a Suzano, o combate à pobreza não é tratado como uma iniciativa paralela ao negócio.
Segundo Automare, a empresa passou a enxergar o desenvolvimento social dos territórios como um componente da própria estratégia corporativa.
O executivo também defende que a agenda social precisa caminhar ao lado da agenda ambiental.
"Não existe floresta rica com pessoas vivendo na miséria ao redor. No longo prazo, uma coisa depende da outra. É por isso que buscamos integrar desenvolvimento social e conservação florestal na mesma estratégia", diz.
A expectativa da companhia é acelerar os resultados nos próximos anos para atingir a meta de 200 mil pessoas retiradas da pobreza até 2030 e consolidar um modelo baseado em geração de renda, inclusão produtiva e desenvolvimento territorial.
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