Diante de tensão com Irã, EUA recomendam saída de equipe de sua embaixada em Israel

Por Mateus Omena 28 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Diante de tensão com Irã, EUA recomendam saída de equipe de sua embaixada em Israel

Os Estados Unidos orientaram nesta sexta-feira, 27, a retirada de funcionários não essenciais da embaixada em Israel diante das ameaças de um possível ataque americano ao Irã e do risco de escalada regional. A medida ocorre em meio ao aumento da tensão no Oriente Médio.

O movimento diplomático foi anunciado um dia após a terceira rodada de negociações entre Washington e Teerã, mediada por Omã. O diálogo é descrito como uma tentativa final para evitar confronto direto. Os Estados Unidos buscam impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, hipótese rejeitada reiteradamente pelo governo iraniano.

O governo britânico também informou a transferência de parte de seu corpo diplomático em Tel Aviv para “outro local dentro de Israel”. A representação do Reino Unido segue em funcionamento.

O secretário de Estado, Marco Rubio, viajará a Israel na segunda-feira para reuniões com autoridades locais sobre as “prioridades regionais”, entre elas o Irã. Em 19 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu um prazo de "10 a 15 dias" para avaliar a possibilidade de acordo ou eventual uso da força.

Alerta de outras nações

A China recomendou que seus cidadãos deixem o Irã "o mais rápido possível". O Reino Unido anunciou a retirada de seu corpo diplomático do território iraniano.

Em junho, após ofensiva de Israel contra o Irã, Teerã lançou ataques contra território israelense. O histórico recente eleva o nível de alerta nas missões diplomáticas.

A embaixada americana em Jerusalém orientou servidores "não essenciais" a deixar Israel devido a "riscos de segurança" e sugeriu a saída "enquanto houver voos comerciais disponíveis". O jornal The New York Times informou que o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, enviou mensagem interna afirmando que os interessados deveriam "fazê-lo HOJE".

Medo de escalada militar no Oriente Médio

Em conversa telefônica com o chanceler egípcio, Badr Abdelatty, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, solicitou que Washington abandone as "exigências excessivas" para viabilizar um entendimento. Segundo ele, "o sucesso neste caminho exige seriedade e realismo da outra parte, além de evitar qualquer erro de cálculo e exigências excessivas".

O chanceler iraniano não detalhou quais demandas estariam em discussão. As declarações contrastam com o cenário descrito após a rodada de negociações em Genebra.

Pressão dos EUA sobre testes nucleares do Irã

No processo de diálogo, os Estados Unidos estabeleceram como "linha vermelha" a eliminação total do enriquecimento de urânio pelo Irã. Teerã sustenta que o programa nuclear tem finalidade civil.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) instou o Irã a cooperar "construtivamente" e "com a máxima urgência" na verificação de instalações nucleares, conforme relatório confidencial citado pela AFP.

O governo Trump também pretende incluir no acordo o tema dos mísseis balísticos iranianos, considerados ameaça por Israel. Teerã rejeita discutir o assunto, e Rubio afirmou que isso constitui "um grande problema".

No discurso sobre o Estado da União, na terça-feira no Congresso, Trump declarou que o Irã já "desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa" e trabalha "para construir mísseis que em breve alcançarão os Estados Unidos".

Rubio afirmou que os iranianos "não estão enriquecendo" neste momento, "mas estão tentando chegar ao ponto em que finalmente conseguirão fazer". O Irã informa que limitou o alcance de seus mísseis a 2.000 quilômetros.

Omã relatou "progressos significativos" nas conversas realizadas na quinta-feira. Araghchi também mencionou "progressos" e disse que temas como o programa nuclear e a suspensão de sanções foram discutidos. Segundo ele, uma nova rodada ocorrerá "muito em breve, talvez em menos de uma semana".

Em janeiro, novas tensões surgiram entre Washington e Teerã após repressão a protestos no Irã. Trump afirmou que poderia intervir para "ajudar" a população iraniana.

(Com informações da agência AFP)

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