Diesel, gás de cozinha e aéreas: o pacote de Lula para conter alta dos combustíveis
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou na segunda-feira, 6,um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis no Brasil, em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o petróleo.
O conjunto inclui subsídios diretos ao diesel, apoio ao gás de cozinha e crédito bilionário para companhias aéreas.
As ações foram formalizadas por meio de uma Medida Provisória, decretos e envio de projeto de lei ao Congresso. O impacto fiscal soma bilhões de reais em curto prazo, com foco na redução imediata de preços ao consumidor.
A estratégia combina intervenção direta nos preços, renúncia tributária e financiamento subsidiado para setores afetados. As medidas têm duração inicial de dois meses, mas podem ser prorrogadas por mais de dois meses.
Durante coletiva, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as medidas foram calibradas para preservar o cenário fiscal.
“Tudo com muito rigor, acompanhamento e neutralizando os aspectos fiscais — para proteger e manter a nossa economia firme”, disse.
Diesel: subsídios ampliados e foco na oferta
O diesel concentra o principal esforço do pacote, com foco em oferta e controle de preços:
O custo da subvenção ao diesel nacional pode chegar a R$ 3 bilhões por mês.
Segundo Durigan, a combinação das medidas busca evitar desabastecimento e suavizar preços.
“Será garantida a importação de diesel, mas também que os produtores nacionais tenham um nível de preço razoável”, afirmou.
O pacote inclui ainda a zeragem de PIS/Cofins sobre o biodiesel, que representa cerca de 15% da mistura do diesel. A economia estimada é de R$ 0,02 por litro.
Gás de cozinha: subsídio para importação de GLP
Para o gás de cozinha (GLP), o governo adotou um subsídio direto à importação:
Segundo o governo, a medida busca evitar repasses mais intensos ao consumidor, especialmente nas famílias de menor renda.
O pacote inclui ações para mitigar o impacto do combustível nas companhias aéreas:
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, afirmou que o objetivo é conter o impacto ao consumidor.
“Para proteger o setor, mas especialmente os brasileiros, para que continuem nessa curva de crescimento do transporte aéreo”, disse, citando o recorde de 130 milhões de passageiros em 2025.
Impostos, fiscalização e debate fiscal
Além dos subsídios, o governo ampliou medidas regulatórias:
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que haverá reforço na atuação do Estado. “As medidas são coercitivas contra aqueles que atentarem contra a economia popular”, disse.
Já o Ministério do Planejamento sustenta que o pacote não deve pressionar as contas públicas. Segundo Bruno Moretti, a arrecadação adicional do setor de petróleo compensaria os gastos. “Estamos enxergando, até aqui, a absoluta neutralidade fiscal nessa proposta”, afirmou.
No conjunto, o pacote reforça a estratégia do governo de atuar diretamente sobre preços em momentos de choque externo. A efetividade das medidas, porém, depende do repasse ao consumidor e da duração da crise internacional.
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