Diesel sobe 7,7% nos postos do Brasil em meio à guerra no Irã
A guerra no Oriente Médio, que tem pressionado os preços do petróleo no mercado internacional, começa a dar sinais nos postos de gasolina do Brasil, como mostram dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), divulgados nesta quinta-feira, 12.
Na comparação entre os preços médios da última semana de fevereiro e os da primeira semana de março, o diesel S-10 subiu 7,72%, passando de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro, enquanto o diesel comum avançou 6,10%, de R$ 6,23 para R$ 6,61.
No mesmo período, a gasolina teve variação mais moderada do que a do diesel: alta de 1,24%, passando de R$ 6,44 para R$ 6,52 — o movimento indica que as tensões internacionais já começam a chegar ao consumidor brasileiro.
O avanço ocorre em um momento de forte instabilidade geopolítica, que aumenta os temores sobre o abastecimento global de energia.
“O diesel costuma ser o combustível que reage primeiro a movimentos mais bruscos no mercado internacional de petróleo, principalmente por ter forte relação com a dinâmica do transporte de cargas no país”, afirma Vinicios Fernandes, diretor de frete na Edenred Mobilidade.
O executivo lembra que o país ainda depende de importações de diesel para abastecer parte da demanda.
O Brasil importa entre 20% e 30% do diesel consumidointernamente, o que aumenta a sensibilidade do mercado doméstico às oscilações internacionais do petróleo.
Esse efeito tende a se intensificar em momentos de instabilidade geopolítica que afetam rotas estratégicas de energia, como o Estreito de Ormuz, corredor marítimo essencial para o fluxo global de petróleo.
Qualquer risco a essas rotas costuma provocar alta imediata nos preços da commodity.
Nos últimos dias, o preço do barril de petróleo chegou a se aproximar de US$ 120, diante do temor de impactos na oferta global de energia e na economia mundial. A escalada reforça a pressão sobre combustíveis em países que dependem de importação, como o Brasil.
"Em cenários de maior volatilidade internacional, reajustes também começam a aparecer ao longo da cadeia de abastecimento, algo que já começa a ser percebido no mercado nos últimos dias, apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajustes oficiais nas refinarias’’, diz Fernandes.
Preço dos fretes
Além do impacto direto nas bombas, a alta do diesel tende a se espalhar pela economia brasileira por meio do frete rodoviário.
No país, mais de 65% da carga transportada depende de caminhões movidos a diesel, o que cria um efeito em cascata quando o combustível encarece.
No transporte rodoviário, o combustível pode representar de 35% a 45% do custo total das operações, o que pressiona renegociações de frete e aumenta o custo logístico para a indústria.
“Quando há uma alta mais forte no preço do petróleo, é comum que os primeiros sinais apareçam no diesel. Como ele é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas, qualquer pressão de custo tende a se refletir rapidamente nesse mercado", diz o executivo.
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