Digitalização do varejo alimentar avança com fusão que mira R$ 1 bilhão
A digitalização do varejo alimentar no Brasil ainda esbarra no desafio de conectar indústria, distribuidores e pequenos varejistas.
Para ampliar as soluções nesse setor, Clubbi, que digitaliza o abastecimento de mercados de bairro, e Yandeh, que otimiza a cadeia entre indústria, distribuidores e varejo, anunciaram a união de suas operações.
O resultado é um grupo que já soma faturamento anual de R$ 500 milhões, com presença no Rio de Janeiro e em São Paulo. Neste ano, a projeção é chegar a pelo menos R$ 1 bilhão.
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A Yandeh vinha expandindo em São Paulo com crescimento de dois dígitos nos últimos anos, enquanto a Clubbi reúne uma base de mais de 3 mil varejistas atendidos no Rio de Janeiro. Agora, o foco passa a ser escala.
“Para acelerar e impulsionar o nosso negócio, o melhor caminho era trazer um parceiro estratégico com capital e tecnologia”, afirma Marcos Adler, cofundador da Clubbi.
Como nasce a complementaridade
A fusão combina duas frentes que, até então, operavam de forma paralela — e enfrentavam, cada uma à sua maneira, as dificuldades estruturais do setor.
De um lado, a Clubbi estruturou uma operação de distribuição com capilaridade no pequeno varejo, incluindo logística e relacionamento direto com lojistas.
Do outro, a Yandeh desenvolveu ferramentas de tecnologia para integrar indústria, distribuidores e pontos de venda, atacando a falta de visibilidade e eficiência na cadeia.
A Yandeh atua em três pilares: software para equipes comerciais da indústria, soluções para distribuidores e uma plataforma que conecta oferta e demanda no varejo.
Lucas Sanches, CEO da Yandeh: "Queremos consolidar as soluções da Yandeh no Rio de Janeiro" (Divulgação)
Na prática, a Clubbi passa a ser o braço de execução logística e comercial da Yandeh no Rio de Janeiro, enquanto incorpora as soluções tecnológicas da parceira para ampliar sua oferta.
Uma das tecnologias que entram na operação é o Abastece Shop, marketplace B2B que permite ao varejista comprar de múltiplos fornecedores em um único ambiente — o que amplia o acesso a produtos e reduz a complexidade de abastecimento.
"Com isso, o nosso cliente varejista tem acesso a um portfólio muito maior, podendo resolver todo o abastecimento da loja em um só lugar", afirma João Macedo, cofundador da Clubbi.
"Queremos consolidar as soluções da Yandeh no Rio de Janeiro", diz Lucas Sanches, CEO da Yandeh.
Além da conveniência, a aposta está no ganho de eficiência. Segundo Sanches, o uso das ferramentas pode aumentar em até 50% o sortimento médio das lojas e elevar as vendas em até 30%. Ao mesmo tempo, amplia a visibilidade para a indústria e reduz gargalos na distribuição.
Expansão e escala nacional
A fusão começa pelo eixo Rio-São Paulo, mas já considerando os desafios logísticos de um país continental.
Com a força regional, o objetivo inicial é avançar por todo o Sudeste, aproveitando ganhos logísticos e a proximidade com grandes indústrias. Ainda assim, a estratégia mantém flexibilidade para movimentos oportunistas em outras regiões, onde a fragmentação do varejo e as dificuldades de distribuição também criam espaço para atuação.
“O Brasil é continental, cada estado é muito diferente do outro, e existe uma dificuldade de chegada nesse canal indireto”, afirma Sanches.
A própria fusão nasce como resposta a esse cenário: conectar indústria, distribuidores e varejo de forma mais eficiente, mesmo diante das diferenças regionais.
“Quando um parceiro começa a vender através da plataforma, ele passa a ter mais visibilidade e eficiência”, diz Sanches.
A meta é dobrar o faturamento da Clubbi e da Yandeh. “Separadas, atacávamos partes do mesmo problema. Juntas, podemos operar como uma infraestrutura digital para o varejo alimentar, conectando a cadeia sem substituir seus atores”, diz Macedo.
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