Discursos do Fed, Inflação nos EUA e Durigan no FMI: o que move os mercados

Por Caroline Oliveira 14 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Discursos do Fed, Inflação nos EUA e Durigan no FMI: o que move os mercados

Esta terça-feira, 14, marca um dos dias mais carregados da temporada de resultados do primeiro trimestre nos Estados Unidos, incluindo gigantes como JPMorgan e Johnson & Johnson. Os números chegam em um momento que investidores acompanham atentos eventuais novas tentativas de acordo entre EUA e Irã.

Além disso, a agenda do dia traz uma sequência de indicadores e discursos de autoridades monetárias que podem influenciar as expectativas para juros, inflação e atividade global. O destaque fica para dados de preços ao produtor nos Estados Unidos, números do setor de serviços no Brasil e falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central Europeu (BCE).

O que ficar de olho no mercado doméstico

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) divulga às 08h00 os dados do setor de serviços referentes a fevereiro. Em janeiro, o segmento avançou 0,3% na comparação mensal e 3,3% na anual. Os números oferecem leitura relevante para calibrar projeções de atividade no primeiro trimestre.

No mesmo horário, o IBGE também publica o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola referente ao mês de março.

Reuniões com FMI e pesquisas

Entre autoridades brasileiras, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, participa ao longo da semana das Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Das 15h às 16h (horário local), Galípolo se encontra com membros do Conselho das Américas (COA),  e em seguida, das 17h às 17h30, participa de reunião com Dan Katz, primeiro vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, também para tratar de assuntos institucionais.

Já no período da noite, entre 19h e 21h, está prevista a participação em reunião dos governadores dos bancos centrais dos países de língua portuguesa. Todos os eventos são fechados à imprensa.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também se reúne, às 17h30, em Washington, com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.

Às 19h, o titular da pasta tem encontro com o ministro da Economia, Finanças e Soberania Energética e Industrial da França, Roland Lescure, além de reuniões com o BGC Liquidez e Ilan Goldfajn, Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Às 16h, Durigan também concede entrevista à Bloomberg, em evento realizado na Embaixada do Brasil.

Estão previstas ainda a divulgação de pesquisa CNT/MDA sobre sucessão presidencial. O Instituto Futura também publica nesta terça pesquisa sobre as eleições para a Presidência da República.

O que acompanhar no exterior

Logo cedo, às 06h, o mercado acompanha o relatório mensal da Agência Internacional de Energia (IEA), que atualiza projeções para oferta e demanda global de energia e pode afetar as expectativas para o petróleo.

Ainda pela manhã, também entram no radar as reuniões do (FMI), a partir das 07h, que discutem perspectivas para crescimento global, estabilidade financeira e desenvolvimento internacional.

Nos Estados Unidos, o principal evento do dia é a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI), às 09h30. Em fevereiro, o indicador subiu 0,7% no mês e 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo — que exclui alimentos e energia — avançou 0,5% no mês e 3,9% em base anual. O dado é acompanhado de perto por investidores por seu impacto potencial nas expectativas de inflação e na trajetória de juros.

Ao longo da tarde, o foco se volta para discursos de dirigentes do Fed, incluindo Austan Goolsbee, além de outras autoridades da instituição. As falas podem oferecer sinais adicionais sobre o cenário de política monetária.

Já às 17h30, a divulgação semanal dos estoques de petróleo pela American Petroleum Institute (API) também entra no radar após alta recente de 3,7 milhões de barris no levantamento anterior.

Na Europa, investidores acompanham o discurso da presidente do BCE, Christine Lagarde, às 18h, em busca de pistas sobre inflação e próximos passos da política monetária na região.

No cenário internacional, a agenda ainda inclui indicadores relevantes da China, como balança comercial e dados de exportações e importações, além de números de inflação por atacado na Alemanha e na Índia, e índices de preços ao consumidor na Espanha. No fim do dia, o mercado acompanha ainda indicadores industriais e de encomendas de máquinas no Japão.

Balanços Corporativos

Os balanços de grandes bancos norte-americanos e da Johnson & Johnson concentram a atenção dos investidores nesta sessão, com foco especial em sinais sobre crédito, margens e atividade em mercados de capitais.

No setor financeiro, o destaque é o resultado do JPMorgan, para o qual o consenso da LSEG projeta crescimento de cerca de 7% em receita e lucro. No trimestre anterior, o banco superou as estimativas apoiado em forte receita de trading. O mercado monitora principalmente a qualidade do crédito e eventuais mudanças nas provisões, que podem sinalizar a leitura do CEO Jamie Dimon sobre o consumidor.

Já o Citigroup deve apresentar avanço superior a 30% no lucro líquido, segundo estimativas do LSEG, com expectativa de contribuição relevante das áreas de investment banking e trading. No trimestre anterior, o banco superou as projeções puxado por margem financeira e menores provisões.

No caso do Wells Fargo, a estimativa da LSEG é de crescimento superior a 10% no lucro anual, com investidores atentos à evolução da margem financeira e ao potencial de corte de despesas. O último trimestre trouxe números mistos e queda superior a 4% nas ações no dia da divulgação.

Já a Johnson & Johnson deve registrar leve queda no lucro por ação na comparação anual, segunda a LSEG, apesar de as ações acumularem alta próxima de 15% no ano — desempenho bem acima do S&P 500 praticamente estável no período. No trimestre passado, o lucro por ação superou as projeções e a empresa ainda elevou seu guidance para 2026.

7° dia do cessar-fogo no Irã

No campo político e geopolítico, o principal fator de atenção segue sendo o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O cessar-fogo temporário de duas semanas completa sete dias nesta terça.

Na véspera, comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajudaram a aliviar a percepção global de risco. No fim de semana, Estados Unidos e Irã tentaram fazer negociações por um cessar-fogo, mas as tratativas não foram bem- sucedidas.

Apesar disso, Trump afirmou nesta segunda que os iranianos seguem interessados em fazer um acordo.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: