Do Rio Grande do Sul ao Ceará, o Negócios em Expansão destaca empresas gigantes de hoje e do amanhã

Por institucional 23 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Do Rio Grande do Sul ao Ceará, o Negócios em Expansão destaca empresas gigantes de hoje e do amanhã

Os estados do Rio Grande do Sul e do Ceará compartilham duas características que resumem o espírito empreendedor de suas regiões. Ambos são berços de empresas bilionárias — basta olhar para a gaúcha Panvel e para a cearense Pague Menos, duas redes de farmácias com faturamento de 6 bilhões e 16 bilhões de reais, respectivamente.

E ambos guardam tesouros menos óbvios: negócios em plena ascensão, caso da gaúcha Fruki, fabricante de bebidas que acaba de cruzar 1 bilhão de reais em receita, e da água mineral cearense Naturágua, do Grupo Telles. São os próximos gigantes brasileiros, cuja trajetória o Ranking Negócios em Expansão, o maior anuário de empreendedorismo do Brasil, vem acompanhando no detalhe.

Para celebrar essas empresas, a EXAME reuniu centenas de empresários em dois eventos entre abril e maio. O primeiro aconteceu em Porto Alegre. Dois anos depois das enchentes históricas, a capital gaúcha dá sinais claros de que virou a página. O Road Show Negócios em Expansão reuniu mais de 200 lideranças para discutir crédito, expansão e os caminhos para crescer num país de juros altos.

Lucas Amorim (EXAME), Neco Argenta (Grupo Argenta), Julio Mottin Neto (Panvel) e Leandro Melnick (Melnick): gigantes gaúchos apostam na expansão com os pés no chão (Eduardo Frazão/Exame)

No palco, as lições vieram de quem já percorreu o caminho. Neco Argenta, presidente do grupo Argenta — com negócios como a rede de postos Sim —, cujo faturamento deve alcançar 30 bilhões de reais em 2026, contou que a expansão foi construída em etapas, sem saltos bruscos. “O caminho se faz caminhando”, disse.

Julio Mottin Neto, CEO da Panvel, explicou como a capilaridade logística sustentou o crescimento pelo Sul e agora abre espaço para São Paulo. “Para romper fronteiras, você precisa ter uma proposta de valor clara”, afirmou.

Gabriel Motomura, sócio do BTG Pactual Empresas, lembrou que as PMEs brasileiras desenvolveram uma rara capacidade de adaptação. “As decisões mais importantes não acontecem em conselhos, mas no chão de fábrica e no balcão”, disse.

Lucas Amorim (EXAME), André Salles (Solar Coca-Cola), Luciane Sallas (M.Dias Branco) e Jonas Marques (Pague Menos): gigantes do Ceará apostam na proximidade para crescer (Eduardo Frazão/Exame)

Entre as empresas em fase de escala, a palavra de ordem foi disciplina. A Fruki cresceu 150% em quatro anos e bateu 1 bilhão de reais em receita. “Não existe crescimento sustentável sem disciplina”, disse a CEO Aline Eggers Bagatini. Luiz Porciuncula, da Rede Marketplace, foi direto: “Faturamento é ego. O que importa é resultado.”

Coube à investidora Monique Evelle o fecho da noite. “Zero vezes 1 milhão é zero”, disse, sobre empresas que perseguem valuation sem receita. No Rio Grande do Sul de 2026, a moeda mais valiosa não é o real nem o dólar. É a execução.

Destino da nova economia

Em Fortaleza, o ponto de partida foi outro. Se no Sul a conversa girou em torno de crédito e disciplina, no Nordeste ela começou pela geografia. A cidade concentra 17 cabos submarinos que trazem internet para o Brasil e conta com uma matriz energética ancorada em renováveis — vento e sol em abundância —, o que a torna destino cobiçado para os data centers da nova economia digital.

“Energia é o ouro, é o diamante que o mundo pode ter hoje”, disse Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Ceará. Em 35 anos, a indústria cearense cresceu 210%, enquanto a população avançou 38%. O data center da ByteDance em Caucaia, com aporte inicial de 50 bilhões de reais e potencial de 200 bilhões, é o símbolo mais recente dessa virada.

Aline Telles Chaves, presidente do Grupo Telles: depois da venda da Ypióca, grupo recuperou faturamento com água e embalagem (Eduardo Frazão/Exame)

Os relatos das empresas locais seguiram a mesma toada de Porto Alegre. O Grupo Telles reorganizou o portfólio depois de vender a cachaçaria Ypióca e ver o faturamento cair a quase a zero. Reinventou-se com água e embalagens — e hoje fatura mais do que antes, diz a presidente Aline Telles Chaves.

A Take a Break construiu a expansão sobre a rotina comercial. “Eu não garanto o resultado, mas garanto a rotina”, afirmou Pedro Albano.

Os gigantes também compartilharam suas experiências. A M. Dias Branco, de farinhas, biscoitos e massas, opera com marcas distintas por região e exporta para 40 países. “Ser simples, prático e criativo” permanece como mantra, na definição de Luciane Sallas, diretora de planejamento.

A Solar Coca-Cola apontou uma mudança silenciosa no consumo. “Observamos crescimento consistente das bebidas de baixa caloria”, afirmou o CEO André Salles. E para o CEO da Pague Menos, Jonas Marques, o primordial é ouvir a equipe e os clientes, e assim traçar objetivos.

Já o nutricionista Daniel Coimbra, com 1,5 milhão de seguidores no Instagram, resumiu o poder das redes com uma frase. “Nada além do que eu já fazia no offline, mas em escala”, disse. Hoje, as turmas de 40 alunos viraram turmas de 860.

Nutricionista Daniel Coimbra: influenciador viu trabalho escalar com redes sociais (Eduardo Frazão/Exame)

Nos dois encontros, os temas se repetem com abordagens diferentes. No Rio Grande do Sul, o foco está no controle da operação em um cenário de custo de capital alto. No Ceará, entram fatores como energia, dados e localização. Em comum, os relatos mostram empresas ajustando operação, buscando capital e ampliando presença para crescer.

Daniel Giussani e Leo Branco, de Porto Alegre e Fortaleza

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