Do Vale do Silício ao escritório: ela reinventou o Direito e hoje trata a IA como infraestrutura

Por Raphaela Seixas 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Do Vale do Silício ao escritório: ela reinventou o Direito e hoje trata a IA como infraestrutura

Para muitos, a advocacia de volume, aquela que lida com dezenas de milhares de processos civis, trabalhistas e consumeristas, é uma atividade de reação. Chega o processo, faz-se a defesa.

Para Loyanna Menezes, Sócia Diretora Executiva na Abi-Ackel Advogados Associados, essa visão é obsoleta.

“A boa técnica jurídica é quase um pressuposto básico para as nossas portas estarem abertas”, afirma Loyanna. “O escritório hoje precisa se posicionar como parceiro de negócios.” Sob sua liderança executiva, o escritório de abrangência nacional deixou de entregar apenas vitórias judiciais para entregar inteligência estratégica.

O direito como 'antena' da operação

Ao analisar uma base que pode chegar a 30 mil processos de uma única companhia, Loyanna descobriu que o Judiciário é, na verdade, um laboratório de feedback em tempo real.

Um aumento de ações em uma região específica pode revelar um erro em uma peça de marketing, uma falha na guarda de documentos ou até problemas estruturais de liderança.

“Conseguimos extrair dali questões que vão desde uma oferta mal colocada no mercado até uma linha crescente de ajuizamento que indica falta de documentos em um município específico”, explica.

Ao tratar a causa-raiz, o escritório ajuda a reduzir o passivo do cliente. Questionada se isso não seria "predatório" ao próprio faturamento, ela é categórica: “Ser parceiro de negócio nos faz crescer em confiança e conquistar espaços em outras demandas. A advocacia não tem esse perfil predatório quando você gera valor real”.

A IA generativa na identidade profissional

Se a automação já era realidade na Abi-Ackel para tarefas repetitivas, a chegada da IA generativa trouxe um desafio existencial: o impacto na identidade intelectual do advogado.

“A IA generativa chega impactando justamente o que o advogado tem de mais importante: o produzir, o intelectual, a tomada de decisão”, reflete Loyanna.

Ao perceber que a tecnologia poderia gerar peças e minutas em escala, ela entendeu que não bastava contratar desenvolvedores. Era preciso dar um passo atrás e entender a base estratégica da tecnologia para não "consumir espuma" do mercado.

Hoje, a IA na Abi-Ackel atua desde o primeiro momento em que o processo "coloca o pé" no escritório.

Após uma imersão no Vale do Silício, Loyanna trouxe um insight fundamental: enquanto no Brasil a IA ainda é vista como um diferencial competitivo, nos EUA ela já é tratada como infraestrutura básica.

Essa visão mudou a forma como o escritório encara o talento.

“Em currículos de profissionais que já têm letramento tecnológico, a gente sequer olha qual foi a faculdade de Direito que a pessoa se formou. O foco é a capacidade de operar nessa nova realidade”, revela.

A busca pelo conhecimento estratégico no PIACC

Mesmo liderando uma estrutura com cerca de 500 profissionais, Loyanna buscou o PIACC (Programa de Inteligência Artificial para C-levels, Conselheiros e Acionistas) da Saint Paul Escola de Negócios.

Em uma sala com CEOs da indústria e do varejo, ela encontrou a "naturalização da angústia" de quem precisa decidir sobre tecnologia sem ter tempo a perder.

“O executivo renuncia ao que não tem: o tempo. No PIACC, você se reconhece entre seus pares e troca bagagens que se aplicam diretamente ao seu negócio”, afirma.

Para Loyanna Menezes, o futuro da advocacia não pertence apenas aos melhores juristas, mas aos líderes que conseguem escalar a inteligência humana através da tecnologia, transformando o jurídico de um centro de custos em um pilar vital da estratégia empresarial.

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