Dois em cada 10 brasileiros fazem compras escondidas dos parceiros, mostra pesquisa

Por Rebecca Crepaldi 12 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dois em cada 10 brasileiros fazem compras escondidas dos parceiros, mostra pesquisa

O Dia dos Namorados chegou e é necessário discutir as finanças do casal. Esconder uma compra, omitir um gasto ou evitar falar sobre dinheiro pode parecer um problema pequeno dentro de um relacionamento, mas pode levar a prejuízos amorosos.

Um levantamento da Onze, empresa especializada em saúde financeira e previdência corporativa, aponta que 23% dos brasileiros admitem fazer compras ou manter gastos escondidos dos parceiros com alguma frequência.

O estudo, batizado de Pesquisa Fidelidade Financeira, revela que a falta de transparência financeira ainda é uma realidade para muitos casais. Ao mesmo tempo, mostra que poucos adotam mecanismos formais para administrar o dinheiro em conjunto: apenas 38% possuem algum tipo de controle financeiro compartilhado.

Os números indicam que, embora as finanças sejam uma parte importante da vida a dois, ainda há dificuldade em transformar o tema em uma conversa aberta e recorrente dentro dos relacionamentos.

O que as brigas por dinheiro realmente escondem

Segundo Ana Paula Netto, especialista em planejamento financeiro da Onze, os conflitos financeiros muitas vezes são apenas a manifestação de questões mais profundas.

"Muitas brigas que aparecem como 'você gasta demais' ou 'você só pensa em dinheiro' escondem outras questões, como falta de confiança, sensação de injustiça, medo de faltar, desejo de controle ou desalinhamento de prioridades", afirma.

“Quando o casal conversa sobre dinheiro só na hora do problema, o tema já chega carregado de tensão. Quando vira rotina, fica mais leve”, diz. Ela complementa: “Casais que se organizam financeiramente não são casais que pensam igual. São casais que conseguem fazer acordos, revisar esses acordos e respeitar as diferenças de comportamento de cada um.”

Dinheiro compartilhado não significa perder autonomia

Entre aqueles que possuem conta conjunta, apenas 5% também mantêm uma conta individual, um dado que levanta discussões sobre autonomia financeira dentro dos relacionamentos. Para Netto, a melhor estratégia costuma ser encontrar um equilíbrio entre objetivos compartilhados e independência financeira.

"Eu gosto da ideia de separar o dinheiro em três dimensões: o que é meu, o que é seu e o que é nosso. O casal pode ter despesas e metas em comum, mas cada pessoa continua precisando de autonomia financeira", afirma.

Essa divisão ajuda a evitar tanto a dependência financeira quanto a sensação de que um dos parceiros precisa pedir autorização para fazer escolhas pessoais.

“Mas quando o casal decide guardar dinheiro junto, precisa combinar algumas coisas desde o início: qual é o objetivo daquele dinheiro, quanto cada um vai aportar, onde o recurso ficará, em nome de quem estará a conta ou o investimento, e o que acontece se o plano mudar”, pontua.

Ela alerta que a informalidade costuma ser um dos erros mais frequentes. “Um transfere dinheiro para o outro, os dois vão construindo algo juntos, mas não existe registro, não existe clareza de participação e ninguém conversa sobre cenários. Se a relação termina, aquilo que era um sonho vira um problema”, ressalta.

Como dividir as contas sem gerar conflitos

Outro tema recorrente entre os casais é a divisão das despesas. A especialista ressalta que não existe uma fórmula universal para definir quem paga o quê.

“Para alguns casais, faz sentido dividir meio a meio. Para outros, especialmente quando há diferença relevante de renda, a divisão proporcional costuma ser mais justa. Não existe uma única fórmula. O que precisa existir é clareza e uma percepção de justiça dos dois lados”, destaca.

Mais importante do que o modelo escolhido, segundo ela, é que ambos entendam as regras e considerem a divisão justa. "Não existe uma única fórmula. O que precisa existir é clareza e uma percepção de justiça dos dois lados", diz.

Conversas frequentes evitam problemas maiores

A recomendação da especialista é que os casais criem momentos específicos para discutir as finanças do relacionamento. “Não precisa ser nada engessado. Pode ser uma conversa mensal para olhar o que entrou, o que saiu, o que saiu do combinado e quais objetivos continuam fazendo sentido”, aponta.

Segundo Netto, casais financeiramente organizados não são necessariamente aqueles que pensam da mesma forma sobre dinheiro. "São casais que conseguem fazer acordos, revisar esses acordos ao longo do tempo e respeitar as diferenças de comportamento financeiro de cada pessoa", destaca.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: