LVMH, Kering e Hermès sobem com perspectiva de cessar-fogo entre EUA e Irã

Por Tamires Vitorio 12 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
LVMH, Kering e Hermès sobem com perspectiva de cessar-fogo entre EUA e Irã

A perspectiva de um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã foi suficiente para movimentar bilhões nos mercados europeus nesta sexta-feira, 12.

Após a mídia estatal iraniana divulgar os termos de uma proposta de acordo que incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento das sanções americanas ao petróleo, as ações de empresas de luxo dispararam, devolvendo parte das perdas acumuladas desde o início do conflito, em fevereiro.

LVMH, Kering (dona da Gucci) e Hermès subiram cerca de 5%. A Richemont, dona da Cartier e da Van Cleef, avançou aproximadamente 3,4%. A Burberry subiu 3,95%. O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 1,8%.

Por que o luxo foi o setor mais afetado pela guerra?

O setor de luxo foi um dos primeiros a sentir o impacto do conflito quando os EUA e Israel iniciaram operações militares contra o Irã em fevereiro.

O Oriente Médio era, antes da guerra, um mercado em rápido crescimento para as grandes marcas europeias, especialmente nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Kuwait, onde consumidores locais e turistas de alto poder aquisitivo sustentavam uma demanda crescente.

A região representa, em média, entre 5% e 8% da receita total das principais marcas de luxo, segundo estimativas de analistas citadas pela CNBC.

Parece pouco. Mas o Oriente Médio vinha crescendo como mercado justamente no momento em que a demanda chinesa, historicamente o maior motor do setor, dava sinais de desaceleração.

"Quando o conflito começou, em março, houve uma queda e uma deterioração da demanda entre 30% e 70%, dependendo dos shoppings e dos negócios", disse Cécile Cabanis, CFO da LVMH, ao apresentar os resultados do primeiro trimestre, em abril.

A empresa estimou que o conflito no Oriente Médio teve um impacto negativo de 1% no crescimento orgânico do trimestre.

A Hermès foi ainda mais direta em seu balanço de abril.

"A atividade no atacado foi significativamente afetada por vendas menores em lojas de concessão, particularmente no Oriente Médio e em aeroportos", disse a empresa, ao reportar crescimento de 5,6% nas vendas do primeiro trimestre, abaixo da expectativa de analistas de 7,1%. As ações caíram 8,2% no dia.

A Kering caiu 9,3% na mesma sessão.

A guerra chegou num momento delicado

O conflito eclodiu em fevereiro de 2026 justamente quando o setor de luxo começava a dar sinais de recuperação após anos de demanda fraca por consumidores chineses, historicamente um dos principais motores do setor.

A combinação de queda na demanda chinesa e o impacto do conflito no Oriente Médio criou uma pressão dupla que pesou sobre todas as grandes marcas europeias nos primeiros meses do ano.

"Se as pessoas não voltarem ao normal e tivermos mais problemas no fornecimento de petróleo e gás do Golfo, então a probabilidade de uma recessão global pode aumentar — e isso definitivamente amorteceria setores discricionários como o luxo", disse Luca Solca, analista da Bernstein, à CNBC em março.

A alta de hoje não é garantia

A proposta de acordo divulgada pela mídia estatal iraniana ainda não foi confirmada oficialmente por Washington.

Os termos incluiriam a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás mundiais, e o levantamento das sanções americanas ao setor energético iraniano.

Mas a história recente do conflito mostra que avanços diplomáticos podem ser revertidos rapidamente. Em abril, negociações no Paquistão fracassaram, e Trump anunciou extensão indefinida do cerco americano dias depois.

Por ora, o mercado apostou no otimismo. Para o setor de luxo europeu, qualquer notícia que sinalize o fim do conflito é também uma notícia sobre a reabertura de um mercado que estava crescendo — e que, abruptamente, fechou.

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