Dólar fecha em alta a R$ 5,02, mas cai 0,78% na semana
O dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira, 22, em alta frente ao real, em um pregão marcado pela cautela dos investidores diante do cenário fiscal e político doméstico, além da pressão vinda do exterior com a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e o avanço global da moeda americana.
A moeda norte-americana fechou em alta de 0,55%, cotada a R$ 5,028, após oscilar entre a mínima de R$ 4,997 e a máxima de R$ 5,031 ao longo do dia. Apesar da valorização nesta sexta, o dólar acumulou queda de 0,78% na semana.
Já no exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, avançava 0,03%, aos 99,286 pontos.
O movimento de alta do dólar no Brasil ocorreu em meio à repercussão do segundo relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal, divulgado nesta tarde. O documento mostrou um aumento expressivo no bloqueio do Orçamento de 2026, que passou de R$ 1,6 bilhão para R$ 23,7 bilhões, reacendendo preocupações do mercado com a trajetória fiscal do país.
Além disso, investidores monitoraram a divulgação de uma pesquisa Datafolha que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliando vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (L) em cenários eleitorais, após a repercussão envolvendo o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro no caso do financiamento do filme "Dark Horse".
Indicadores econômicos fracos dos EUA também pesam
No exterior, o mercado também adotou postura mais defensiva diante de indicadores econômicos fracos nos Estados Unidos e da continuidade das incertezas geopolíticas envolvendo EUA e Irã.
"O dólar operou em alta na sessão, voltando a superar R$ 5, em um ambiente de maior cautela global e doméstica”, afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. Segundo Shahini, a moeda ganhou força acompanhando a alta dos yields das Treasuries e a valorização global do dólar.
"O movimento ganhou tração após a Universidade de Michigan mostrar piora no sentimento do consumidor e avanço das expectativas de inflação, reforçando a percepção de juros elevados por mais tempo nos EUA", disse.
O índice de sentimento do consumidor dos Estados Unidos caiu para 44,8 pontos em maio, o menor nível da série histórica, após marcar 49,8 pontos em abril, segundo dados divulgados pela Universidade de Michigan. O resultado veio abaixo da expectativa de analistas, que projetavam 48,2 pontos, e marcou a terceira queda consecutiva do indicador.
O aumento do custo de vida segue como principal preocupação dos consumidores americanos. Segundo a pesquisa, 57% dos entrevistados afirmaram espontaneamente que a inflação está prejudicando suas finanças pessoais. As expectativas de inflação para os próximos 12 meses avançaram de 4,7% para 4,8%, enquanto as projeções para cinco anos subiram de 3,5% para 3,9%.
Petróleo avança nesta sexta, mas cai na semana
Ainda no cenário internacional, a ausência de um acordo definitivo entre Estados Unidos e Irã manteve os preços do petróleo pressionados e sustentou o prêmio de risco global.
Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta sexta-feira. O Brent para julho avançou 0,93%, a US$ 103,54 por barril, enquanto o WTI subiu 0,26%, para US$ 96,60. Apesar da alta no dia, os contratos acumularam perdas na semana, de 5,23% e 4,38%, respectivamente.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta sexta-feira que houve progresso nas negociações com o Irã, mas ressaltou que "ainda não chegamos lá".
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