Dólar fecha no zero a zero com tensão externa e cai 1,56% na semana

Por Clara Assunção 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dólar fecha no zero a zero com tensão externa e cai 1,56% na semana

O dólar à vista encerrou a sessão desta quinta-feira, 2, praticamente estável, refletindo a cautela dos investidores diante de um cenário externo ainda marcado por incertezas. A moeda americana fechou em leve alta de 0,05%,fecha cotada a R$ 5,159, após oscilar entre a mínima de R$ 5,139 e a máxima de R$ 5,194 ao longo do dia.

O comportamento do câmbio acompanhou a volatilidade observada nos mercados globais, especialmente diante das dúvidas sobre a evolução do conflito no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre o fluxo de commodities e a economia mundial.

Apesar de momentos pontuais de alívio, como as notícias sobre estudos de um plano envolvendo Irã, Omã e Reino Unido para garantir o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, o dólar manteve-se próximo da estabilidade, sem direção clara ao longo do pregão.

No acumulado da semana, porém, a moeda norte-americana registra queda de 1,56%, indicando uma perda de força frente ao real mesmo em meio ao ambiente de maior aversão ao risco.

"Dólar opera em estabilidade e até está bem aqui no meio desse cenário de guerra", afirma Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos.

"Temos o real, que é a moeda que está mais se valorizando no ano, mesmo com tudo isso até porque os nossos juros continuam atrativos e temos um fluxo estrangeiro que continua vindo ao Brasil. E pelo visto, abril vai na mesma direção do que foi março inteiro com o mercado volátil a cada nova notícia em relação à guerra em um cenário de grandes incertezas com o petróleo subindo", acrescentou Correia.

Repercussão do discurso de Trump no mercado

O humor dos mercados segue influenciado pelo discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na véspera afastou a possibilidade de um cessar-fogo no Oriente Médio e indicou uma possível intensificação dos ataques contra o Irã nas próximas semanas. A sinalização elevou as tensões geopolíticas e interrompeu o movimento recente de alívio nos mercados globais.

No mercado de commodities, o petróleo voltou a disparar diante do temor de restrições na oferta global. O contrato do Brent para junho subiu 7,77%, a US$ 109,03 por barril, enquanto o WTI para maio disparou 11,41%, a US$ 111,54 por barril, Na semana, as valorizações acumuladas atingem 3,52% e 18,4%, respectivamente.

Em seu discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos estão próximos de atingir seus objetivos militares, mas não descartou novas ofensivas. “Estamos no caminho para completar todos os objetivos militares da América rapidamente. Vamos atacá-los com dureza extrema. Nas próximas duas a três semanas, vamos levá-los de volta à Idade da Pedra”, disse.

O presidente também voltou a ameaçar as instalações energéticas do Irã caso não haja acordo, reforçando o tom agressivo da política externa americana. Apesar de projetar uma imagem de vitória, ele reconheceu que o país ainda mantém capacidade de resposta. O próprio comando do Irã já prometeu intensificar a ofensiva contra o país e Israel após o discurso de Trump.

"Avaliamos que o discurso foi pouco informativo sob a ótica de mercado, com forte viés voltado ao público doméstico e sem endereçar de forma clara os principais vetores de risco para os ativos globais", afirmou o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, em relatório.

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