Dólar opera em alta repercutindo decisões de juros do Fed e Copom
O dólar abriu a sessão em alta e, na máxima até às 10h10, atingiu a casa dos R$ 5,153. O movimento ocorre após a decisão de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Ontem, por unanimidade, a autarquia decidiu manter a taxa na faixa entre 3,50% e 3,75%. Mas, para além da decisão em si, o que pesou foi o tom do comunicado e da fala de Kevin Warsh, novo presidente do Fed.
Em seu primeiro discurso, Warsh demonstrou preocupação com a inflação, que segue acima da meta de 2%. A sinalização foi interpretada pelo mercado como mais conservadora (hawkish), reduzindo as expectativas de cortes de juros nos próximos meses.
O chamado” dot plot” também evidenciou divergências dentro do comitê sobre a trajetória das taxas. Enquanto oito dirigentes projetam a manutenção dos juros nos níveis atuais até o fim de 2026, nove ainda veem necessidade de novos aumentos ao longo do período.
Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.), reduzindo a taxa para 14,25% ao ano. Assim como ocorreu nos Estados Unidos, a atenção dos investidores se voltou principalmente para a comunicação da autoridade monetária.
No centro do movimento cambial está a piora das perspectivas para o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, indicador acompanhado de perto por investidores estrangeiros.
Segundo Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, a sinalização do Copom reforçou as apostas de que o ciclo de afrouxamento monetário deve continuar nos próximos meses.
"A sinalização de continuidade do ciclo de cortes e o alongamento do horizonte relevante para a política monetária diminuem a perspectiva para os juros brasileiros e aumentam as expectativas de novas reduções da Selic", afirma.
Apesar disso, o comunicado foi interpretado de forma mista pelo mercado, deixando em aberto os próximos passos do Copom. Para Cristiane Quartaroli, economista chefe do Ouribank, o comunicado do Copom adotou tom cauteloso e não trouxe indicações claras sobre os próximos passos da política monetária.
De acordo com a especialista, o BC deixou a decisão de agosto em aberto e reforçou que a condução dos juros seguirá dependente da evolução dos dados econômicos e do cenário externo. "O Banco Central manteve uma postura cautelosa e não deixou uma sinalização clara sobre os próximos passos. A decisão de agosto dependerá da evolução dos indicadores econômicos e do cenário externo até lá", afirma.
Ao mesmo tempo, o Fed transmitiu uma mensagem de maior cautela em relação à inflação, levando o mercado a projetar juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos. "O mercado passou a precificar uma trajetória mais alta para os juros americanos, o que favorece os rendimentos dos Treasuries e aumenta a atração de capitais para os Estados Unidos", diz Santos.
Na prática, a combinação de juros menores no Brasil e mais altos nos EUA reduz a vantagem oferecida pelos ativos brasileiros. "Expectativas de juros mais baixos no Brasil e mais altos nos Estados Unidos pioram o diferencial de juros, reduzindo a atratividade dos títulos brasileiros para o investidor estrangeiro. Isso dificulta a entrada de capital e gera pressão de alta sobre o dólar frente ao real", conclui o analista.
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