Dólar pode sair da casa dos R$ 5? Para onde vai a moeda
O dólar abriu o ano em R$ 5,424, muito impulsionado por incertezas fiscais e receios ao cenário eleitoral brasileiro. Entretanto, ao longo dos próximos meses, os investidores brasileiros viram a situação se inverter. No dia 11 de maio, a divida chegou a valer R$ 4,891. Mas, desde então, a moeda ronda o patamar dos R$ 5.
O ano começou carregando uma saída de capital gringo em dezembro de R$ 1,9 bilhão. Mas o cenário se inverteu e, logo em janeiro, foram registrados a entrada recorde de R$ 26,31 bilhões na B3. Tal movimento ajudou na valorização do real. Para isso acontecer, houve uma combinação de fatores internos e externos.
O primeiro deles foi a rotatividade de recursos estrangeiros, que saíram dos Estados Unidos e migraram para países emergentes – nisso, o Brasil foi extremamente beneficiado. Nesse momento, havia um melhora do apetite global por risco e uma expectativa de continuidade de cortes de juros nos Estados Unidos.
“Quando o fluxo para o Brasil aumenta, a oferta de dólar cresce e a moeda americana tende a perder força perante o Real”, diz Carlos Franco, Gerente de Câmbio no Banco Topázio.
Outro catalisador foi o diferencial de juros. O Brasil, atualmente com a taxa de refêrencia, a Selic, em 14,50%, ajuda a atrair capital.
“O Brasil tem um diferencial de juros com os Estados Unidos e outras economias emergentes bastante elevado. Juros reais, no caso. Porque tem alguns países que também tem juros elevados, como Turquia, mas acaba tendo uma performance um pouco pior porque também tem uma inflação muito elevada, que não é o caso do Brasil”, afirma Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset.
Até que a Guerra no Irã começou e, durante as primeiras semanas do conflito a divisa voltou a subir. Mas não durou muito. “Houve uma percepção de que o Brasil seria menos impactado em relação ao fechamento do Estreito de Ormuz em relação à média e sua balança comercial seria beneficiada pelos preços mais altos do petróleo”, comenta Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da Stonex.
Por que o dólar não continuou caindo?
O câmbio é muito sensível a mudanças de expectativa. Ou seja, novamente as preocupações com o cenário fiscal brasileiro e algumas incertezas sobre como seria o ritmo do crescimento global, principalmente a velocidade dos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) reduziu o fluxo pros mercados emergentes e fortaleceu o dólar de uma forma global.
Franco explica por partes partes: o risco fiscal afeta a percepção de segurança dos investidores externos em relação ao Brasil. Já o cenário eleitoral é um fator muito forte, ele gera mudanças de expectativas sobre quais serão as políticas econômicas durante aquele período vigente de governo.
“As decisões do Fed influenciam o fluxo de capital. Evento geopolíticos tendem a fazer com que as pessoas aumentem a busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar”, diz. Somado a isso, houve um desmonte de posições em dólar.
Para onde vai o dólar
Apesar da valorização do real neste ano, analistas avaliam que a moeda brasileira deve perder parte do impulso nos próximos meses – e ficar mais estagnado – à medida que o país se aproxima das eleições presidenciais de 2026. Segundo Lima, a proximidade do pleito costuma aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros.
Ainda assim, a avaliação é que o real continua amparado por fundamentos favoráveis, como o diferencial de juros elevado em relação a outras economias e os termos de troca positivos. Por isso, a moeda brasileira deve manter desempenho relativamente melhor do que outros pares emergentes, mesmo que o câmbio fique mais estável daqui para frente.
Na avaliação da StoneX, os riscos para a moeda brasileira continuam concentrados no cenário externo e político. A casa destaca que as tensões entre Estados Unidos e Irã podem manter pressões inflacionárias globais e reduzir o apetite por ativos de risco, enquanto a resiliência da economia americana reforça as apostas de juros elevados por mais tempo nos EUA, fortalecendo o dólar.
Por outro lado, Mattos ressalta que a perspectiva de juros altos por mais tempo no Brasil continua favorecendo a entrada de recursos estrangeiros. Um eventual avanço diplomático no Oriente Médio também poderia melhorar o apetite global por risco e beneficiar moedas emergentes, incluindo o real.
Segundo Franco, fatores como a trajetória dos juros americanos, a situação fiscal brasileira, o fluxo de capital estrangeiro e o cenário político serão determinantes para os próximos movimentos do câmbio. "É muito difícil determinar para onde o dólar vai nos próximos meses", diz. "São muitos fatores que influenciam e fatores muitas vezes imprevisíveis."
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