Dólar recua mais de 1% e vai a R$ 5,22 com petróleo em forte baixa
O dólar à vista acelerou o movimento de depreciação que iniciou o dia nas negociações desta segunda-feira, 23. Em um movimento alinhado ao alívio observado nos mercados internacionais após a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, o dólar ampliou a queda frente ao real e, por volta das 11h41, recuava 1,56%, a R$ 5,226, próximo da mínima do dia, de R$ 5,224.
A moeda americana abriu volátil, mas com viés negativo, e passou a intensificar as perdas ao longo da manhã, num movimento seguido pelo exterior. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, também ampliou a desvalorização ao cair 0,75%, aos 98,91 pontos no mesmo horário.
O principal fator por trás do movimento é a mudança de postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que decidiu adiar o ultimato dado ao Irã, reduzindo temporariamente o risco de uma escalada mais agressiva do conflito.
O republicano publicou que o governo americano e o Irã tiveram "conversas muito boas e produtivas" nos últimos dias para concluir o conflito.
"Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento", afirmou Trump em sua rede social, a Truth Social.
Petroléo recua com TAC
A decisão reforçou no mercado a máxima conhecida como "Trump Always Chickens Out", expressão popularizada em Wall Street para descrever momentos em que o presidente recua de ameaças mais duras. O adiamento foi interpretado como um sinal de abertura para negociações diplomáticas, o que trouxe alívio imediato aos ativos globais.
Como reflexo direto, os preços do petróleo registraram forte queda. A referência internacional Brent crude oil despencou mais de 14%, sendo negociada abaixo de US$ 100 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) acompanhou o movimento. Por volta 11h40, a commodity mantinha o recuo, com o Brent caindo 9,91%, a US$ 101,07, e o WIT recuando 9,15%, a US$ 89,31.
O recuo das commodities energéticas ajuda a reduzir as preocupações com inflação global — um dos principais canais pelos quais o conflito vinha pressionando os mercados — e, consequentemente, alivia a demanda por proteção na moeda americana.
"Essa é uma notícia muito positiva para o mercado, porque reduz as pressões inflacionárias típicas de um cenário de guerra. Com a menor tensão, o dólar perde força, antes, diante do risco, os investidores buscavam proteção na moeda americana, mas agora, com a fala de Trump, esse movimento se reverte", afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.
Cenário é de incerteza
Apesar do alívio momentâneo, o cenário segue cercado de incertezas. A guerra entre EUA, Israel e Irã entrou em sua quarta semana sem sinais claros de resolução definitiva. O risco de novos episódios de escalada continua no radar, especialmente diante da importância estratégica do Estreito de Ormuz para o fluxo global de petróleo.
Na frente monetária, o pano de fundo ainda é desafiador. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) manteve recentemente os juros inalterados, com o presidente Jerome Powell destacando que ainda é cedo para medir os impactos econômicos completos do conflito.
O mercado, no entanto, segue atento ao comportamento dos preços de energia, que podem influenciar a trajetória da inflação e, por consequência, os próximos passos da política monetária.
Outros bancos centrais, como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão, também mantiveram suas taxas estáveis recentemente, mas sinalizaram disposição para apertar a política caso as pressões inflacionárias persistam.
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