Petróleo vai demorar a baixar mesmo se Guerra do Irã acabar, diz analista
O fim da Guerra no Irã não levará a uma queda automática do preço do petróleo, pois muitas estruturas no Oriente Médio precisarão ser reconstruídas e o clima de incerteza deve permanecer, avalia Colby Connelly, Senior Fellow do think tank Middle East Institute.
“O preço justo do barril, em caso de uma desescalada significativa, está na verdade mais perto de US$ 80, ou na faixa de US$ 70 altos, em vez do patamar de US$ 60 de antes do conflito”, disse Connelly, durante um debate nesta segunda-feira, 23.
“Portanto, estamos prevendo preços elevados no curto prazo, mesmo após o fim do conflito, seja lá quando for. Não estou especulando sobre quando isso acontecerá, mas quero reiterar que este não é um problema que se resolve da noite para o dia. Levará tempo para que a produção seja retomada em várias partes da região. Não se trata de ligar e desligar como um interruptor de luz, e isso é algo que o mercado irá precificar”, afirmou.
Connelly aponta que alguns países terão mais facilidade do que outros para retomar a produção, que se dará de forma diferente entre os diferentes produtos.
“Houve uma grande interrupção no fluxo de produtos como querosene de aviação, diesel e óleo combustível, devido à perda de acesso não apenas ao petróleo bruto, mas também à capacidade de refino em todo o Golfo. À medida que a produção de petróleo bruto for retomada, parte desse volume adicional precisará ser direcionada para aumentar a capacidade de processamento das refinarias”, afirmou.
Connelly aponta, ainda, que várias refinarias do Oriente Médio foram danificadas nas últimas semanas. “Leva tempo para reparar alguns desses danos, e esperamos que isso não aconteça novamente antes do fim deste conflito. Mas há potencial para isso enquanto este conflito estiver em andamento”, disse.
Prazo de cinco dias
Na segunda-feira, 23, o presidente Donald Trump disse que negocia um acordo com o Irã para encerrar o conflito, e deu um prazo de cinco dias, até sexta-feira, 27, para que o pais desbloqueie o estreito de Ormuz. Caso contrário, ameaça fazer ataques contra a infraestrutura energética iraniana. Segundo ele, a decisão foi tomada após “conversas muito boas e produtivas” com Teerã no fim de semana.
Apesar disso, a versão foi contestada pelo Irã. A agência estatal Mehr, citando o Ministério das Relações Exteriores, afirmou que “não há conversas entre Teerã e Washington”. Já a agência Fars disse que não existe “nenhum contato direto ou indireto” com Trump.
Nesta segunda-feira, os preços do petróleo despencaram depois que Trump anunciou em sua plataforma Truth Social que estavam ocorrendo conversas sobre um cessar do conflito com autoridades iranianas. O barril do tipo Brent caiu 11% e fechou a US$ 99,94, pela primeira vez abaixo de US$ 100 em alguns dias.
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