Dona da Centauro dobra dívida com investimentos para a Copa do Mundo
O Grupo SBF, dono da Centauro e da Fisia, distribuidora exclusiva da Nike no Brasil, apostou pesado na Copa do Mundo. A conta do Mundial chegou antes mesmo de a bola rolar. No primeiro trimestre de 2026, a empresa queimou R$ 456 milhões em caixa. E a dívida líquida da empresa mais que dobrou em um ano, passando de R$ 465 milhões para R$ 1,123 bilhão.
A estratégia da SBF para a Copa do Mundo passa pelas suas duas frentes do negócio. A Fisia importou e estocou os produtos do evento. As camisas da Seleção Brasileira foram o carro-chefe. A camisa azul, lançada em 12 de março em parceria inédita com a marca Jordan, e a camisa amarela, lançada dez dias depois com campanha global, chegaram ao mercado ainda em março. Mesmo com poucos dias de venda, a performance superou as expectativas da empresa, diz o balanço.
Além das camisas da seleção, a Fisia fechou novos contratos de patrocínio com Vasco da Gama e Atlético Mineiro. Os custos com royalties pagos à Nike cresceram com o volume de mercadorias importadas. Tudo isso pressionou as despesas da unidade.
A Centauro entra como canal de venda ao consumidor final. A rede passou por um processo acelerado de reforma de lojas. No primeiro trimestre de 2026, 23 unidades entraram em obras. Doze já foram reinauguradas antes do fim do período. Somando as nove entregues em 2025, são 21 lojas revitalizadas prontas para receber o movimento da Copa.
O custo da aposta
O estoque da companhia chegou a R$ 2,194 bilhões em março de 2026, alta de 22,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. São R$ 409 milhões a mais nas prateleiras e nos centros de distribuição, à espera das vendas do Mundial.
O pagamento a fornecedores pelo estoque comprado no fim de 2025 consumiu R$ 347 milhões só no primeiro trimestre, alta de 209% sobre o mesmo período anterior. O fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 405 milhões no trimestre. No mesmo período de 2025, o número era negativo em R$ 54 milhões.
Os investimentos em infraestrutura também cresceram. O CAPEX do trimestre somou R$ 67,7 milhões, alta de 75,1% sobre o primeiro trimestre de 2025. As reformas de lojas responderam por R$ 26,3 milhões desse total, ante apenas R$ 3,9 milhões um ano antes. A empresa também iniciou um projeto de Centros de Distribuição Secundários, hubs regionais para ganhar escala logística durante o pico de demanda da Copa.
As despesas operacionais cresceram acima da receita. Os gastos com vendas subiram 24,4%, contra crescimento de 14,9% na receita líquida. O resultado foi uma compressão de 1,2 ponto percentual na margem EBITDA, que recuou de 9,3% para 8,1%.
A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos doze meses, passou de 0,61 vez para 1,59 vez. A empresa afirma que mantém compromisso com níveis de endividamento compatíveis com a operação.
O balanço do trimestre
Apesar da pressão de custos, os principais indicadores de resultado avançaram.
A receita líquida consolidada somou R$ 1,785 bilhão no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 14,9% sobre o mesmo período do ano anterior. O lucro bruto chegou a R$ 906 milhões, alta de 17,3%. A margem bruta foi de 50,8%, expansão de 1,1 ponto percentual.
O lucro líquido ajustado, excluindo os efeitos do IFRS 16, atingiu R$ 78,7 milhões, crescimento de 6,1%. A margem líquida foi de 4,4%. O crescimento do lucro foi sustentado, em parte, por incentivos fiscais de ICMS obtidos pela Fisia a partir do segundo trimestre de 2025 para lojas físicas e do terceiro trimestre para o atacado. Sem esse benefício, a pressão de custos teria corroído mais o resultado final.
As vendas nas lojas abertas há mais de um ano, indicador conhecido como same store sales, avançaram 14,6% na Centauro. O desempenho reflete a força das categorias de futebol e calçados. A categoria futebol cresceu 33,4% nas lojas físicas e 42,4% no canal digital da Centauro, impulsionada pelos primeiros produtos da Copa e pela nova camisa do Vasco da Gama.
A Fisia também entregou crescimento em todos os canais. A receita líquida da unidade somou R$ 1,041 bilhão, alta de 26,1%. O canal de atacado foi o destaque, com expansão de 48,7%. Parte desse crescimento veio das próprias compras da Centauro por produtos Nike, fluxo interno que evidencia a integração vertical do grupo.
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