Dona da Melissa e Ipanema vê pressão no consumo e alívio com Desenrola
A Grendene começou 2026 lidando com pressão sob o consumo e avanço de produtos asiáticos no mercado brasileiro, mas a dona de marcas como Melissa, Ipanema e Rider avalia que programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola, podem ajudar a destravar o bolso das famílias nos próximos meses.
A companhia encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 102,1 milhões, queda de 9,9% em relação a igual período do ano passado. O recuo foi maior no indicador ajustado, que caiu 13,7%, para R$ 74,7 milhões.
O impasse é que, mesmo com crescimento de 1,6% no volume total, a receita líquida recuou 5,3% no ano a ano, indo para R$ 533,8 milhões, vendendo mais produtos mais baratos.
O diretor financeiro (CFO) e de relações com investidores da Grendene, Alceu Albuquerque, ressaltou, em entrevista à EXAME, que o principal desafio continua sendo o enfraquecimento do poder de compra.
"A gente vem observando já faz alguns trimestres, não só no Brasil esse ambiente desafiador, mas no cenário internacional também. Um ambiente bastante cauteloso", relatou.
"Existe um consumidor mais seletivo e uma demanda maior por produtos de menor ticket médio." A mudança no perfil de consumo acabou favorecendo linhas mais acessíveis, como Ipanema, e categorias masculinas.
Desenrola 2.0 pode ajudar
Medidas voltadas à redução do endividamento das famílias, porém, podem ajudar a melhorar o ambiente de consumo, a exemplo do programa de renegociação de dívidas Desenrola 2.0, citado pelo CFO.
O projeto do governo é concentrado em consumidores de renda mais baixa e, com uma eventual redução da inflação e dos juros, isso poderia aliviar o bolso, favorecendo a compra de calçados.
Concorrência levanta atenção
Por enquanto, a pressão competitiva dos produtos asiáticos, em especial da China, apareceu com força no discurso da companhia. Membros da empresa foram ao Brás, em São Paulo, e identificaram desafios.
Albuquerque disse que a empresa viu produtos importados sendo vendidos abaixo até mesmo do valor equivalente às tarifas antidumping aplicadas ao setor.
Além do consumo das plataformas asiáticas de comércio eletrônico, como a Shein e Shopee. A pressão também chega por parte de grandes varejistas brasileiras que passaram a importar produtos de marca própria.
Mix barato pesa na receita
A receita média por par caiu. No Brasil, a receita bruta por par recuou 10%, passando de R$ 29,44 para R$ 26,51. Já a receita líquida por par caiu 6,8%, de R$ 22,29 para R$ 20,78.
O foco da companhia tem sido, assim, a rentabilidade. "A gente tem feito aqui revisões constantes das nossas estruturas de custos, estruturas de despesas, para ver onde podemos ser mais eficientes", comentou o CFO.
"Já que as vendas não estão indo da forma como esperada e fica um pouco fora do nosso controle, a gente tem que ser bom naquilo que está no nosso controle, que são as nossas despesas e os nossos custos."
A Grendene também identificou um desejo pelas marcas Ipanema e Raigra, onde vai fortalecer os investimentos. Também com esforços em produtos da linha conforto.
Grendene revisa projeções
Antes da guerra no Irã, a companhia esperava crescimento mais forte de receita, volume e margens. Agora, a expectativa segue sendo de avanço ao longo do ano, mas em ritmo menor.
"A gente acha que deve ter ainda um leve crescimento de receita, volume e margens, mas inferior ao que estava planejado", estimou Albuquerque.
Espera-se um impacto mais forte em relação às matérias-primas aparecendo no custo dos produtos vendidos (CPV) entre o terceiro e o quarto trimestre devido ao tempo de formação dos estoques.
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