Dona do Google entrega lucro acima do consenso e ação dispara 6%
A Alphabet, controladora do Google, registrou lucro líquido de US$ 62,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 81% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi beneficiado por um efeito contábil relevante: a companhia registrou ganho não realizado de US$ 36,9 bilhões decorrente da valorização de participações em empresas não listadas em bolsa que constam em seu balanço.
Sem esse efeito não recorrente, o lucro líquido da Alphabet seria de US$ 33,9 bilhões no trimestre, queda de 2% em relação aos US$ 34,5 bilhões registrados no mesmo período de 2025, com lucro por ação diluído de US$ 2,76, frente a US$ 2,81 um ano antes, recuo de 2%.
O número ainda supera o consenso de analistas, que projetava EPS de US$ 2,62 a US$ 2,63 segundo estimativas compiladas pela Bloomberg e pela Refinitiv, representando uma surpresa positiva de cerca de 5%.
O lucro operacional consolidado foi de US$ 39,7 bilhões, alta de 30%, com margem operacional de 36,1%, expansão de 2,2 pontos percentuais sobre os 33,9% do período anterior.
A receita líquida da companhia totalizou US$ 109,9 bilhões, avanço de 22% em relação aos US$ 90,2 bilhões do primeiro trimestre de 2025. O período marca o 11º trimestre consecutivo de expansão de dois dígitos.
Os custos totais cresceram 18%, para US$ 70,2 bilhões. As despesas com pesquisa e desenvolvimento avançaram 26%, para US$ 17,0 bilhões, reflexo do aumento dos investimentos em modelos de inteligência artificial. Os custos de receitas subiram 14%, para US$ 41,3 bilhões.
Receita por segmento
O Google Cloud foi o destaque operacional do trimestre. A divisão registrou receita de US$ 20,0 bilhões, expansão de 63% ante os US$ 12,3 bilhões de um ano antes. A margem operacional do Cloud saltou de 17,8% para 32,9%, refletindo maior escala e crescimento em soluções de inteligência artificial corporativa.
O segmento Google Services gerou US$ 89,6 bilhões em receita, alta de 16%. O Google Search e outros serviços responderam por US$ 60,4 bilhões, crescimento de 19%. O YouTube Ads avançou 11%, para US$ 9,9 bilhões. Assinaturas, plataformas e dispositivos somaram US$ 12,4 bilhões, alta de 19%.
O Google Network, que agrega receitas de publicidade em sites de terceiros, recuou 4%, para US$ 7,0 bilhões, mantendo a trajetória de queda estrutural do segmento.
Investimentos mais que dobraram
O investimento em ativos fixos atingiu US$ 35,7 bilhões no trimestre, alta de 107% em relação ao Q1 2025 e novo recorde histórico para a companhia. No acumulado dos últimos 12 meses, o total investido chegou a US$ 109,9 bilhões. Para financiar parte desse volume, a empresa captou US$ 31,1 bilhões por meio da emissão de notas sênior não garantidas no período.
A dívida de longo prazo encerrou o trimestre em US$ 77,5 bilhões, salto expressivo ante os US$ 46,5 bilhões registrados no fim de 2025.
O fluxo de caixa operacional foi de US$ 45,8 bilhões, crescimento de 27%. O fluxo de caixa livre do trimestre, porém, recuou 47%, para US$ 10,1 bilhões, comprimido pelo volume de capex. No acumulado dos últimos 12 meses, o fluxo de caixa livre totalizou US$ 64,4 bilhões, queda de 14%.
O conselho de administração aprovou no final de abril um aumento de 5% no dividendo trimestral, elevando o valor para US$ 0,22 por ação. O pagamento está previsto para 15 de junho de 2026.
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