Dor ao tomar sorvete pode indicar risco maior de enxaqueca, mostra estudo

Por Vanessa Loiola 2 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dor ao tomar sorvete pode indicar risco maior de enxaqueca, mostra estudo

A dor aguda que surge ao tomar sorvete ou ingerir bebidas muito geladas costuma durar apenas alguns segundos, mas pode revelar informações importantes sobre a saúde.

Estudos realizados em diferentes países indicam que pessoas que sofrem com frequência do chamado "congelamento cerebral" apresentam maior probabilidade de ter enxaqueca e outros tipos de dor de cabeça.

A sensação, conhecida cientificamente como cefaleia por estímulo frio, é geralmente inofensiva. Além disso, pesquisas sugerem que ela pode ajudar cientistas a compreender melhor os mecanismos envolvidos nas crises de enxaqueca. Os estudos foram reunidos pela BBC.

O que causa a dor de cabeça do sorvete?

Esse resfriamento provoca uma contração repentina dos vasos sanguíneos da região, seguida por uma rápida dilatação para restabelecer o fluxo sanguíneo. O processo ativa fibras nervosas ligadas ao nervo trigêmeo, responsável por transmitir sensações de dor da face e da testa.

Por isso, o desconforto costuma ser sentido na testa ou no interior da cabeça, e não na boca. A boa notícia é que a sensação normalmente desaparece em poucos segundos ou minutos, sem deixar consequências.

Sensação pode ter componente hereditário

Uma revisão científica conduzida pela neurologista Irene Toldo, da Universidade de Pádua, na Itália, reuniu cerca de quatro décadas de pesquisas sobre a cefaleia por estímulo frio e encontrou evidências de que o fenômeno pode ter influência hereditária.

Estudos realizados com crianças e adolescentes em países como Taiwan, Alemanha e Canadá observaram que pessoas cujos pais apresentam esse tipo de dor têm maior probabilidade de desenvolver o mesmo sintoma.

Embora os cientistas ainda não tenham identificado genes específicos relacionados ao fenômeno, os resultados sugerem a existência de uma predisposição familiar.

Ligação com a enxaqueca chama atenção dos cientistas

A mesma revisão identificou uma associação consistente entre a cefaleia por estímulo frio e a enxaqueca. Pesquisas realizadas em países como Brasil, Turquia e Reino Unido mostraram que pessoas com histórico de enxaqueca tendem a relatar episódios mais frequentes e mais intensos de dor de cabeça provocada por alimentos gelados.

Um estudo publicado na década de 1970 encontrou dor de cabeça induzida pelo frio em 93% dos participantes com enxaqueca. Entre aqueles sem histórico da condição, a ocorrência foi de aproximadamente um terço.

Os pesquisadores acreditam que essa relação esteja ligada ao nervo trigêmeo, estrutura que participa tanto da dor provocada pelo frio quanto das crises de enxaqueca.

Como o congelamento cerebral ajuda a pesquisa médica

A relação entre os dois fenômenos levou pesquisadores a utilizar a cefaleia por estímulo frio como modelo experimental para estudar a enxaqueca.

Como o desconforto pode ser provocado rapidamente e de forma controlada, diversos estudos utilizaram gelo triturado, água gelada e alimentos frios para investigar como o cérebro responde à dor e como circuitos nervosos participam desses episódios.

Essas pesquisas ajudaram a esclarecer o papel do fluxo sanguíneo e de estruturas neurológicas envolvidas na percepção da dor. Embora atualmente existam métodos mais sofisticados para investigar a enxaqueca, a cefaleia por estímulo frio continua sendo considerada uma ferramenta útil para compreender os mecanismos da doença.

Quando vale a pena procurar um médico

Sentir dor de cabeça ao tomar sorvete não significa necessariamente que uma pessoa tenha enxaqueca. No entanto, vale buscar avaliação médica se houver:

A enxaqueca é uma condição comum e pode passar anos sem diagnóstico adequado, o que dificulta o acesso ao tratamento.

Como evitar a dor de cabeça do sorvete

A principal recomendação é consumir alimentos e bebidas geladas mais lentamente. Isso permite que o céu da boca se aqueça gradualmente e reduz o risco de desencadear o desconforto.

Algumas medidas podem ajudar:

Na maioria dos casos, o desconforto desaparece em poucos segundos ou minutos, sem deixar consequências.

Embora seja passageiro e geralmente inofensivo, o fenômeno pode fornecer pistas importantes sobre condições neurológicas comuns e outras doenças.

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