E se as ações fossem jogadores da Copa? Itaúsa, Axia e Gerdau seriam titulares
Enquanto os holofotes do futebol mundial se voltam para a Copa do Mundo, o mercado financeiro resolveu entrar no clima da convocação. O head de renda variável da Levante Investimentos, Flávio Conde, escalou uma seleção brasileira de ações na B3, baseado em análise fundamentalista.
A corretora dividiu os ativos entre o time titular, formado por empresas com alta convicção, robustez financeira e forte capacidade de distribuição de dividendos; e o time reserva, composto por companhias que reúnem gatilhos de valorização, recuperação operacional ou oportunidades setoriais.
Itaúsa no gol: segurança e dividendos
No gol, aparece a Itaúsa (ITSA4). Para Conde, a holding funciona como um ativo defensivo dentro da carteira, oferecendo exposição ao Itaú Unibanco com desconto em relação ao valor de seus ativos e uma remuneração recorrente aos acionistas.
"A Itaúsa é o goleiro da seleção porque é uma ação segura, não falha e ainda, quando você precisa dela, ela está lá. Quando tem disputa de pênaltis, que é disputa de dividendos, bonificação e remuneração para o acionista, ela está lá firme", afirmou.
A dupla de zaga dos bancões
A defesa é formada por Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC3). Os dois bancos foram escolhidos por representarem segurança e resiliência em momentos de volatilidade do mercado.
"São dois bancos seguros, firmes, estão sempre defendendo bem. Na hora do ataque de vendedores e especuladores, eles estão lá e não deixam passar nenhuma bola", disse Conde.
BTG e Axia: laterais que apoiam o ataque
Nas laterais entram BTG Pactual (BPAC11), do mesmo grupo controlador da EXAME, e Axia Energia (AXIA3). O BTG foi escalado por sua capacidade de atuar em diferentes frentes do mercado financeiro, combinando crescimento de resultados com rentabilidade acima da média do setor bancário.
"Lateral é aquele jogador que não só defende, mas ajuda no meio-campo e também vai até o ataque e passa a bola para alguém marcar o gol. Esse é o BTG Pactual, um banco de lucros crescentes e maior retorno entre os grandes bancos", afirmou. "Ajuda todo mundo."
Já a Axia representa a novidade da seleção. A companhia não fazia parte da carteira montada para a Copa de 2022 porque ainda era estatal e passava pelo processo de privatização.
"A Axia é um jogador novo na seleção. (...) Foi privatizada, melhorou muito no pós-privatização, diminuiu o número de funcionários, cortou custos, renegociou contratos e reduziu despesas operacionais. O lucro líquido mais que dobrou e os dividendos triplicaram", destacou.
A empresa ainda possui um importante gatilho para os próximos anos, na sua visão. "Ela tem energia descontratada e vai poder vender essa energia no mercado livre", onde os preços estão muito acima do mercado regulado. Isso pode gerar uma receita maior, um lucro maior e, portanto, um dividendo maior.
Vale e Sabesp dão equilíbrio ao meio-campo
No meio-campo, aparecem Vale (VALE3) e Sabesp (SBSP3). Para Conde, ambas cumprem o papel de dar estabilidade à carteira graças à combinação de baixo endividamento, forte geração de caixa e boa governança corporativa.
"Elas dão segurança para a carteira porque, em mercado de alta ou de baixa, estão bem posicionadas", destacou.
"A Vale leva a bola para o ataque com os investimentos em minerais críticos para a transição energética. (...) Já a Sabesp está investindo muito na melhoria da rede de água e esgoto e também na universalização dos serviços, aumentando sua base de clientes", acrescentou.
O quarteto de ataque da carteira
O ataque reúne Copasa (CSMG3), Copel (CPLE3), Direcional (DIRR3) e Gerdau (GGBR4), empresas que, segundo o especialista da Levante, concentram os maiores gatilhos de valorização da carteira.
A Copasa é vista como uma das principais apostas por causa do processo de privatização em andamento. "Tem muito para crescer em resultados. O novo sócio de referência é a Equatorial, que vem fazendo um ótimo trabalho na Sabesp", disse Conde.
Já a Copel entra em campo apoiada nos ganhos obtidos após a privatização e na melhora dos indicadores operacionais. "É um belo atacante para o time porque já vem marcando gols."
A Direcional está no setor ofensivo com um modelo de negócios focado no programa Minha Casa, Minha Vida, no qual a demanda é constante. "Toda hora que a Direcional pega na bola, tanto o investidor quanto o comprador aplaudem", detalhou.
A Gerdau entra para fechar o ataque, beneficiada pelas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos e pelo fortalecimento das operações na América do Norte, mas com alerta à concorrência do aço chinês no Brasil.
Os escolhidos para o banco de reservas
A Levante também montou um banco de reservas com empresas que carregam gatilhos específicos de valorização, teses de recuperação ou oportunidades ligadas a movimentos setoriais, com ações que podem ganhar espaço na carteira à medida que seus respectivos catalisadores se concretizem.
A equipe é formada por Allos (ALOS3), BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3), Kepler Weber (KEPL3), 3Tentos (TTEN3), Banco do Brasil (BBAS3), Sanepar (SAPR4), Marcopolo (POMO4), Metalúrgica Gerdau (GOAU4), Cyrela (CYRE3) e Vulcabras (VULC3).
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