Efeito Squadra: Hapvida adotará voto múltiplo em eleição do conselho — ação sobe
As ações da Hapvida (HAPV3) operam entre as maiores altas do Ibovespa nos negócios desta quinta-feira, 2. O desempenho do papel coincide com a publicação de uma carta da Squadra, acionista da empresa, exigindo mudanças no conselho de administração da operadora de hospitais e planos de saúde. A gestora faz duras críticas à gestão da companhia e se refere à Hapvida como maior caso de destruição de valor de uma empresa listada no Ibovespa.
Por volta das 16h (horário de Brasília), os papéis HAPV3 operavam em alta de 4,7%, a R$ 10,97. No mesmo horário, o Ibovespa operava em ligeira queda, de 0,15%.
Na carta redigida para a Hapvida, a Squadra destacou que, desde o IPO, em 2018, a ação da companhia acumula queda de 85%. Nesse mesmo período, o Ibovespa subiu 120%. Desde a fusão com a Notre Dame Intermedica, em 2022, o valor de mercado encolheu R$ 80 bilhões, de R$ 85 bilhões para cerca de R$ 5 bilhões, alega a Squadra. "As sinergias prometidas à época da transação nunca apareceram."
A proposta da administração para 2026 prevê o pagamento de R$ 57 milhões aos conselheiros. Proporcionalmente, argumenta a Squadra, é a remuneração mais cara de todas as empresas do Ibovespa e consumiria um quinto do lucro estimado da companhia para 2026.
A proposta da administração para a assembleia prevê a reeleição integral dos mesmos nove membros, sem qualquer renovação, e ainda reduz o número de independentes no colegiado.
Como saída, a gestora propõe que o novo conselho avalie a venda dos ativos do Sudeste e Sul, regiões onde a Hapvida perdeu 238 mil beneficiários em 2025 num mercado que cresceu 792 mil. O argumento é que o desinvestimento reduziria a alavancagem, reequilibraria o balanço e permitiria à empresa focar onde historicamente tem competência.
Os três candidatos indicados pela Squadra — Tania Chocolat, ex-CPP Investments; Bruno Magalhães, ex-sócio da própria gestora; e Eduardo Parente, chairman da Equatorial — têm perfil técnico e experiência em reestruturação e governança, alega a acionista.
Com 6,98% do capital votante, a Squadra não tem votos suficientes para impor sua pauta sozinha — mas tem o suficiente para acionar o voto múltiplo e garantir ao menos uma cadeira no conselho, mesmo contra a vontade dos controladores. O mecanismo, previsto na Lei das S.A., permite que acionistas minoritários concentrem todos os seus votos em um único candidato ao conselho, aumentando as chances de eleger ao menos um representante mesmo contra a vontade do bloco de controle.
Em aviso aos acionistas, a Hapvida informou ter recebido o pedido da Squadra e que a eleição dos novos membros do conselho poderá ser realizada com a adoção do voto múltiplo.
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