Ela começou com a mão na graxa. Agora, inaugura centro de formação de 2.000 m² e mira R$ 80 milhões
A Escola do Mecânico, rede de cursos profissionalizantes fundada por Sandra Nalli, inaugura um novo complexo educacional em Campinas (SP). O espaço reúne a tradicional Escola do Mecânico, a Escola do Funileiro e a Oficina Verde.
A expansão marca um novo momento da empresa. Depois de crescer via franquias e entrar no B2B, a rede agora aposta em verticais complementares e em um modelo que conecta formação e empregabilidade.
Apenas o novo complexo deve faturar R$ 3 milhões, o que vai contribuir com o faturamento da rede, chegando a R$ 80 milhões.
Por trás da Escola do Mecânico
Sandra começou a trabalhar aos 14 anos no setor de reparação automotiva. Ficou 20 anos na mesma empresa, onde passou por diversas funções — inclusive como mecânica, em um ambiente majoritariamente masculino.
“Já sofri alguns preconceitos, naquela época era muito diferente. Não existia mulher atuando com a mão na graxa”, afirma.
Depois da trajetória, decidiu iniciar um projeto social para capacitar jovens em situação de vulnerabilidade. O que começou em um espaço pequeno, com aulas para adolescentes e jovens em liberdade assistida, virou negócio – quando percebeu o interesse de pessoas em comprar o curso.
Inaugurou oficialmente a Escola do Mecânico em 2011, em Campinas (SP). Em 2016, a empresa testou a segunda unidade. Em 2019, abriu 12 escolas em um ano. Foi em 2022, que começou a prototipar uma nova frente, a Escola do Funileiro.
Hoje, a rede soma 47 unidades. Até abril o número deve chegar a 50. Cerca de 70% são franquias e 30% próprias.
Novo complexo, novas frentes
O novo complexo em Campinas, de 2.000 m², abriga a Escola do Funileiro, voltada à funilaria e pintura automotiva. A decisão veio após identificar um gargalo ainda maior que o da mecânica.
A vertical já tem unidades em Curitiba, São Paulo, Campinas e Barueri, com previsão de mais uma unidade ainda em março.
Segundo a fundadora, a carência chamou atenção da indústria. Fabricantes como Norton, do grupo francês Saint-Gobain, e Axalta, multinacional americana de tintas automotivas, passaram a apoiar a expansão com incentivo de marketing e uso de espaço nas unidades.
O terceiro pilar do complexo é a Oficina Verde. O projeto nasceu da percepção de um problema recorrente: a desconfiança do consumidor em relação às oficinas.
“Há relatos de consumidores que vendem peças que não eram necessárias. As pessoas me procuravam para falar que foram enganadas e isso mancha o setor”, diz Sandra.
A proposta é criar uma oficina-escola com práticas transparentes e foco em revisão precisa, sem venda de peças desnecessárias. A ideia é transformar a Oficina Verde em uma chancela para oficinas que queiram sinalizar compromisso com boas práticas.
Apenas no novo complexo, Sandra espera ganhar 500 matrículas na Escola do Funileiro, com um faturamento de R$ 3 milhões do complexo.
Frente digital
A empreendedora também tem apostado na frente digital. A rede formulou um aplicativo, que conecta alunos, ex-alunos e empresas do setor.
Hoje, o app reúne 25 mil vagas cadastradas e mais de 100 mil candidaturas. Por enquanto, o uso é gratuito para alunos e empregadores, mas a empresa estuda cobrar das empresas que anunciam a vaga no futuro.
Essa atuação ajuda a reforçar os valores da empresa. “A nossa intenção é empregar. Vender curso qualquer um vende. Se preocupar genuinamente com o sucesso do cliente é diferente”, afirma Sandra.
A expansão da Escola do Mecânico
Além da chegada de novas frentes, a empresa pretende expandir a Escola do Mecânico, com foco no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
“São regiões com carência de profissionais. A indústria investe mais no Sul e Sudeste, mas lá tem frota circulante expressiva e necessidade de empregabilidade”, diz.
A lógica da expansão passa por seleção rigorosa de franqueados, padronização de processos e monitoramento do indicador de satisfação do cliente. “O maior desafio da expansão é escolher parceiros alinhados ao propósito, que cuidem do aluno e tenham compromisso real com empregabilidade.”
O foco em ter empresas como clientes também entra nas estratégias de expansão. O modelo da Escola do Mecânico começou no B2C, com alunos pagando pela própria formação. A partir de 2024, o B2B começou a ganhar espaço, com capacitações e treinamentos personalizados para as empresas.
Entre os clientes estão nomes como Scania, Ford e Continental. No último ano, o B2B representou 10% do faturamento. Ainda em 2026, a meta é chegar a 30%.
Com isso, o faturamento total da rede deve chegar a R$ 80 milhões em 2026. Para os próximos três anos, a expectativa é seguir com o crescimento, chegando a 100 escolas.
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