Ela criou um bloco para gaúchas no Rio e hoje fatura R$ 36 milhões no Carnaval

Por Bianca Camatta 14 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ela criou um bloco para gaúchas no Rio e hoje fatura R$ 36 milhões no Carnaval

Além da folia, o Carnaval pode ser um ambiente ideal para fomentar novas ideias de negócio. Como é o caso da gaúcha Amanda Vargas, 33 anos, que faturou R$ 36 milhões com operações de blocos, eventos e restaurantes durante o feriado.

A história começou de forma improvisada em 2014. Amanda criou um grupo no Facebook para reunir gaúchas que viajavam ao Rio para o Carnaval e trocavam dicas de blocos, festas e hospedagem. “Eu percebi que as meninas estavam perdidas, sem saber onde ir ou o que fazer no Carnaval. A comunidade começou a crescer e, de repente, aquilo virou um movimento”, diz.

Hoje, ela é fundadora das empresas Folk e BG Entretenimento, que nasceram a partir do Bloco das Gaúchas, e ainda é sócia de outros negócios nas áreas de eventos, entretenimento e gastronomia. Somando todas as empresas e sociedades administradas pela gaúcha, o faturamento chega a R$ 60 milhões.

Na mira para crescer, Amanda quer explorar mais as experiências oferecidas a turistas e se dedicar aos eventos destinados ao público jovem.

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O Bloco das Gaúchas

Amanda nasceu em Vacaria, cidade de cerca de 65 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul. Aos 15, mudou-se para Porto Alegre para estudar. Seguiu o caminho da família e cursou direito.

Em um dos feriados de Carnaval, na época em que era universitária, decidiu viajar para o Rio de Janeiro. O problema era simples: ninguém sabia exatamente onde curtir a folia.

Para resolver a falta de informação, Amanda criou um grupo no Facebook reunindo gaúchas que estavam indo para o Rio. Ali começaram a trocar dicas de festas, blocos e programação, além de se encontrar em alguns desses eventos.

“A comunidade cresceu rapidamente. No primeiro ano, 35 mulheres se encontraram na rua usando camisetas iguais. No segundo, o grupo dobrou. Depois vieram 135 participantes, 240 e foi crescendo mais”, diz Amanda.

O ponto de virada aconteceu em 2017, quando percebeu que a comunidade poderia virar um negócio próprio. Ela largou o direito e passou a se dedicar ao empreendedorismo.

“A gente entendeu que dava para ganhar comissão de hotel, de ingressos de outras festas e até montar um time de DJs. Fomos mapeando todos os lugares possíveis de receita dentro do ecossistema do Carnaval”, diz.

Com essa mudança, os encontros em blocos de Carnaval passaram a ser um evento formal — com o registro da marca Bloco das Gaúchas. Hoje, o evento principal acontece no sábado de Carnaval no Rio de Janeiro.

Em 2026, reuniu cerca de 4,5 mil pessoas em uma festa premium open bar que durou da tarde até a madrugada. Sozinho, o Bloco das Gaúchas faturou R$ 4 milhões neste ano. “Tem gente que fala para colocar 8 mil pessoas, mas nunca foi essa a ideia. Queremos crescer com cuidado para manter a qualidade do público e da experiência”, afirma.

Com o crescimento da comunidade, o evento também passou a atrair público de outros estados. “Hoje esse é o segundo ano em que a maior parte do público não é mais gaúcha, é paulista. Depois vêm Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro empatados, e Minas Gerais também muito forte. Uma coisa que era só nossa no passado acabou se modificando”, diz.

A festa também chegou a mais duas cidades: São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS). “Para evento, eu considero muito importante a escassez e ser um momento especial. Se acontece em muitas cidades e muitas vezes ao longo do ano, deixa de ser algo único”, afirma.

O movimento no Carnaval

Com o crescimento da comunidade, Amanda passou a ser convidada para participar de outros eventos — muitas vezes como sócia responsável pela estratégia comercial e pela mobilização de público.

No total, ela participa da organização de seis festas premium durante o Carnaval no Rio, incluindo eventos com até 6,5 mil pessoas. Ainda está por trás da estratégia de marketing de casas noturnas e restaurantes do Rio de Janeiro, que ganham um público maior durante o feriado.

Considerando um período de cerca de duas semanas — incluindo eventos pré e pós-carnaval —, a empreendedora faturou R$ 36 milhões.

No último ano, o faturamento no mesmo período foi de R$ 25 milhões. “Eu mesma fiquei surpresa quando somei os números. Não imaginava o tamanho da operação”, diz.

As empresas próprias

Da experiência com o bloco e a organização de festas nasceram duas empresas próprias: a BG Entretenimento, que concentra sociedades e ativações construídas a partir de um mailing feminino, e a Folk, que promove novos eventos premium e experiências de alto tíquete.

Foi por meio das empresas que Amanda criou eventos e projetos que acontecem fora do Carnaval. Entre eles estão os eventos realizados na casa de festas Aldeia, no bairro da Lagoa, no Rio de Janeiro, e projetos em outros estados, como o Réveillon dos Milagres, em Alagoas, além de festas que passam por mais de 10 cidades ao longo do ano.

“O Rio virou uma oficina de novas festas. Muitas nascem aqui e depois circulam pelo Brasil, algumas em mais de 10 cidades. Existe essa curiosidade em outros estados pela festa carioca, vista como mais livre e descontraída, e isso acaba funcionando como uma prévia do Carnaval”, diz.

Apesar do crescimento, Amanda diz que o caminho teve obstáculos — especialmente por atuar em um setor historicamente dominado por homens. “São ambientes muito masculinos. Às vezes você precisa pensar até na forma de abordar um assunto para que o outro entenda seu ponto sem resistência”, diz.

Outro desafio, segundo ela, é equilibrar a vida pessoal com uma rotina de eventos, viagens e noites de trabalho. Ainda assim, Amanda quer usar a própria trajetória para inspirar outras mulheres — especialmente aquelas que vivem em cidades menores e acreditam que grandes oportunidades estão fora de alcance.

“Eu quero que mais meninas sintam que podem viver em movimento, viajar, empreender e construir coisas grandes”, afirma.

Do wellness ao turismo premium

Nos próximos anos, Amanda pretende focar em dois movimentos, que ainda em 2026, devem resultar em um crescimento de 50% do faturamento.

O primeiro é consolidar os eventos que já fazem parte do calendário da empresa, especialmente no Carnaval e no Réveillon. O objetivo é fortalecer as marcas já criadas e ampliar o alcance de festas que hoje atraem milhares de pessoas.

Ao mesmo tempo, a empresária quer desenvolver novas experiências para um público mais jovem, que vem mudando a forma de consumir entretenimento. A ideia é combinar festas com atividades ligadas a bem-estar, como corridas e sessões de yoga antes dos eventos. “Essa nova geração quer viver o dia inteiro. Às vezes o pré-evento é uma corrida ou uma prática de yoga”, diz.

Outra frente estratégica está no turismo internacional. Nos últimos anos, Amanda diz ter percebido um aumento forte no número de estrangeiros no Brasil.

A aposta agora é estruturar melhor a experiência para esse público, criando plataformas que integrem hospedagem, eventos e serviços em um único lugar. A ideia é simplificar a jornada de quem chega ao país em busca de experiências premium — o que já deve acontecer no próximo Réveillon de Milagres.

“O cliente premium não quer ter trabalho. Ele quer resolver tudo com poucos cliques”, afirma.

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