Ela fazia marmitas na cozinha de casa. Hoje, lidera negócio de R$ 1,2 milhão nos Estados Unidos

Por Bianca Camatta 20 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ela fazia marmitas na cozinha de casa. Hoje, lidera negócio de R$ 1,2 milhão nos Estados Unidos

Foi em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, que Camila Cavazana aprendeu a cozinhar com a sua avó. Na época do vestibular, prestou para Nutrição – o que a levou a trabalhar em um restaurante e depois criar o próprio negócio de marmita saudável.

Neste ano, a ideia é escalar o faturamento em cerca de 30%. Na mira, está a criação de uma plataforma digital e o lançamento do modelo de marmitas em máquinas de venda automática.

Como começou o negócio com marmitas

Em 2015, logo após se formar em nutrição no interior paulista, Camila, com 21 anos, conseguiu um emprego em um restaurante, onde coordenava a higiene e organização da cozinha. O salário, no entanto, era baixo: R$ 800.

“Um dia, uma amiga, também insatisfeita com a própria rotina, me sugeriu começar a fazer comida em casa”, diz Camila.

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No primeiro dia de atendimento, já receberam ligações e um dos clientes fechou um pacote de marmitas para o mês.

Com alguns meses, conseguiram juntar dinheiro para montar uma cozinha fora de casa: alugaram um espaço e compraram fogão industrial e utensílios em promoção. Com a mudança de endereço, contrataram também um motoqueiro.

Seguiram dois anos com o negócio até que a sociedade acabou. Ela começou novamente o negócio de marmitas com outra amiga, porém as vendas nem todo mês eram o suficiente.

“Eu comecei a trabalhar também como supervisora de cozinha em um cinema. Fiquei quase 10 meses nessa rotina dupla, tentando dar conta dos dois lados ao mesmo tempo”, lembra.

Da cozinha de casa ao mercado americano

Em uma viagem com a família para a Disney, Camila se apaixonou por Orlando. Um furacão impediu a data de voo programada ao Brasil e, nesse meio tempo, ela decidiu que permaneceria na cidade.

“Sempre que eu via um brasileiro durante a viagem, eu perguntava como era para conseguir trabalho ali, se precisava de documentos e como funcionava”, diz.

No meio tempo entre o cancelamento da passagem e a nova data, ela conseguiu um emprego em um shopping e ficou na cidade – mas a sua vontade era voltar a empreender.

Depois de um tempo, conseguiu um trabalho como auxiliar de um restaurante, já na área que tinha mais afinidade.

Ao mesmo tempo, procurou uma forma de começar a empreender. A legislação do país não permitia que ela cozinhasse em casa e vendesse, como fazia no Brasil. Mas a produção e venda de especificamente de saladas feitas em casa era permitida.

Começou a vender saladas em pote em 2017. Mas uma nova demanda surgiu por meio de uma amiga. “Ela queria emagrecer e pediu que eu fosse na casa dela cozinhar marmitas para a semana. O que eu ganhava com ela era três vezes mais que o meu salário no restaurante.”

Começou a vender o serviço para conhecidos e depois para clientes de uma clínica de emagrecimento, onde chegou a trabalhar.

Apenas em 2020 conseguiu se dedicar integralmente ao negócio. “Uma cliente me indicou uma pessoa famosa, a Adriana Sant‘Anna, influenciadora que já acompanhava. Ela acabou me postando e isso gerou um boom na minha carreira”, diz.

“A partir dali, entendi que precisaria montar uma equipe. Nós criamos uma conexão e ela acabou sendo uma espécie de mentora, me ajudando a sair da ideia de fazer tudo sozinha e pensar como empreendedora”, afirma Camila.

Criou um método de atendimento e começou a treinar pessoas para compor a sua equipe. O método foca na organização e praticidade dentro da casa da pessoa.

“Minha metodologia adapta a lógica da cozinha de restaurante para o atendimento em casa, com setores definidos e um fluxo de produção que otimiza o tempo e permite atender mais clientes por dia.”

Com equipe treinada, o negócio pode dar conta de mais clientes. Hoje, elas e mais duas colaboradoras atendem nos EUA – cada uma uma média de dois clientes por dia – já que cada atendimento leva cerca de quatro horas. Uma colaboradora também atende clientes no Brasil, em especial, Rio de Janeiro e São Paulo.

Com a grande população de brasileiros em Orlando, boa parte dos clientes são brasileiros, mas ela também atende estadunidenses, venezuelanos e colombianos. Sempre com um toque de brasilidade adaptado à cultura do cliente.

"Eu envio um menu sugestão, estruturado como um cardápio de restaurante, com diversas opções para que o cliente escolha as combinações de sua preferência”, diz.

Como ela superou uma crise

Camila relatou que viveu um dos períodos mais difíceis da carreira em 2025, quando uma colaboradora que trabalhava com ela decidiu sair da equipe após a recusa em assinar um contrato de prestação de serviços. Segundo a empreendedora, a profissional não aceitou as novas cláusulas e, ao deixar a operação, levou cerca de 50% da cartela de clientes.

Método e menu também foram reproduzidos pela antiga colaboradora. Com metade dos clientes perdidos, a personal chef teve que apostar em uma forma de divulgação para impulsionar as vendas nos meses seguintes.

Adriana Sant‘Anna, cliente atendida até hoje pela profissional, gravou um vídeo contando a história e divulgando o trabalho da personal chef.

Camila também investiu em tráfego pago e passou a formalizar melhor sua operação, com contratos assinados por toda a equipe.Conseguindo recuperar a equipe e fechar o ano com um faturamento de US$ 250 mil.

Atendimento sob discrição

Na última semana, Camila compartilhou o atendimento feito pela influenciadora Virginia Fonseca, nas redes sociais. O vídeo chegou a alcançar 2,5 milhões de visualizações pelo Instagram.

No vídeo, é possível ver uma mesa de café da manhã e almoço recheadas de opções. O conteúdo mostra os bastidores de seu trabalho como uma maneira de atrair novos clientes.

Um post compartilhado por Camila Cavazana | Personal Chef (@chefcami_)

Mas o atendimento de personalidades e empresários não é novidade para Camila. “Esses nomes chegam sempre por indicação, porque é preciso confiança. Não sou invasiva, mantenho a discrição e sei exatamente o meu lugar. A postura precisa ser sempre de respeito e profissionalismo”, diz.

Apesar do profissionalismo, o nervosismo ainda faz parte ao atender personalidades. “O primeiro contato sempre dá um frio na barriga, porque comida é algo muito pessoal. Sempre existe a possibilidade de o cliente não gostar”, diz. “Mas ela gostou e até perguntou sobre a minha disponibilidade para o período da Copa do Mundo.”

Novos formatos de crescimento

Para 2026, a expectativa é crescer ao menos 30% o faturamento. Para isso, o foco está na frente de educação e em máquinas de venda automática.

Em 2025, a empreendedora lançou uma plataforma, em inglês e português, para ampliar o alcance do método que desenvolveu e também abrir oportunidades para que outras pessoas atuem na área. Segundo Camila, os alunos do curso poderão se cadastrar no site e, a partir disso, sua equipe ficará responsável pelo suporte em marketing e pela captação de clientes.

Ainda este ano, antes da Copa do Mundo, ela pretende lançar uma máquina de vendas automática de marmitas, com opções combinadas, de acompanhamentos ou proteínas.

Segundo Camila, o projeto já estava no papel há anos, mas só agora começou a sair do planejamento por causa do custo e da complexidade de desenvolvimento. Para a produção dos alimentos, ela aluga uma cozinha própria.

Ela acredita que a máquina responde ao perfil do consumidor americano, que valoriza conveniência, e que a proposta é entrar primeiro com unidades próprias para no próximo ano avançar para um modelo de franquia.

O primeiro modelo deve ser inaugurado em uma academia e, depois, expandido para universidades, postos e até hospitais.

“Quero ajudar a mudar um pouco o quadro da saúde da população estadunidense, porque aqui a cultura do fast food tem um impacto muito grande na obesidade e em doenças crônicas”, diz.

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