Ela não sabia fazer bolo, começou em casa e hoje fatura R$ 2 milhões no litoral de SP

Por Estímulo 20 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ela não sabia fazer bolo, começou em casa e hoje fatura R$ 2 milhões no litoral de SP

Por muitos anos, a rotina de Jéssica Cristina Soares Fernandes parecia seguir um caminho comum. Moradora do Guarujá, no litoral de São Paulo, ela trabalhava como funcionária em um atacado e passava os dias observando o fluxo constante de clientes, produtos e carrinhos de compras. Foi nesse ambiente que começou a desenvolver algo que mais tarde seria essencial para sua trajetória: a capacidade de observar padrões de consumo e enxergar oportunidades onde poucos prestam atenção.

Naquela época, porém, empreender ainda não era um plano claro. A aproximação com o universo da confeitaria aconteceu de forma quase acidental. Jéssica passou a ter contato com pessoas que produziam e vendiam doces de maneira informal e ficou curiosa com aquele tipo de atividade. Mesmo sem qualquer experiência na cozinha, e sem sequer saber preparar um bolo simples, decidiu tentar.

O aprendizado começou de forma totalmente autodidata. Sem dinheiro para cursos ou formação especializada, ela passou a recorrer à internet, assistindo vídeos, participando de grupos em redes sociais e testando receitas dentro da própria cozinha de casa. No início, produzia bombons e pequenos doces, vendidos de forma simples e informal, reinvestindo cada pequeno resultado para continuar.

A maternidade também acabou desempenhando um papel importante nessa história. Ao organizar o primeiro aniversário da filha, a empreendedora se envolveu ainda mais com a confeitaria, experimentando novas receitas e aprofundando técnicas. Aos poucos, o que começou como uma tentativa curiosa de produzir doces passou a ganhar contornos mais concretos de negócio.

A decisão de levar o projeto mais a sério veio em um momento de incerteza. O marido, Edson, enfrentou um período de instabilidade no trabalho, e o casal percebeu que precisaria tomar uma decisão rápida. Em vez de esperar o dinheiro acabar, optaram por investir os recursos que tinham no pequeno negócio que surgia dentro de casa. Nascia ali a base da Cacau Love, que após alguns anos, tornou-se uma empresa consolidada com faturamento de quase R$2 milhões em 2025.

Mas, nem sempre foi assim. Os primeiros anos foram marcados por dificuldades. Houve mudanças de ponto comercial, tentativas que não deram certo e momentos em que a operação precisou voltar a funcionar dentro de casa. Em alguns dias, o faturamento mal passava de R$100. Além dos desafios financeiros, vieram também as críticas e dúvidas de pessoas próximas, que questionavam se aquele projeto realmente poderia dar certo.

Jéssica e Edson decidiram seguir um caminho de aprendizado contínuo. Quando algo não funcionava, reorganizavam a estratégia e tentavam novamente. Essa lógica de testar, ajustar e insistir acabou se tornando uma das bases da empresa.

Com o passar do tempo, o negócio começou a ganhar tração. O que havia começado como uma produção artesanal evoluiu para uma operação mais estruturada. A Cacau Love passou a contar com fábrica própria, pontos de venda e presença ativa no delivery. Em determinados momentos da trajetória, a empresa chegou a operar com três unidades simultaneamente (duas lojas e uma fábrica), além de uma equipe de até 14 funcionários registrados.

A pandemia de covid-19, que trouxe dificuldades para muitos setores, acabou funcionando como um período de consolidação para a confeitaria. O consumo doméstico de alimentos considerados “de conforto”, como bolos e doces, aumentou, e a Cacau Love conseguiu ampliar sua presença no delivery e fortalecer a marca na cidade.

Hoje, a empresa vive um novo momento estratégico de reorganização. Após testar diferentes formatos ao longo da última década, Jéssica decidiu concentrar a operação em duas unidades principais: a matriz e fábrica, onde funciona a cozinha industrial da empresa, e a Loja 1, recentemente reformada e hoje considerada o principal ponto de venda da marca.

A estratégia busca equilibrar eficiência operacional e proximidade com o cliente. A loja reformada deve receber uma mini cozinha interna para agilizar parte da produção e melhorar o atendimento direto ao consumidor, enquanto a fábrica permanece como base produtiva para garantir escala. Um fator que traz segurança adicional ao negócio é o fato de o terreno da fábrica ser próprio, o que oferece estabilidade patrimonial e maior previsibilidade para o futuro da empresa.

Atualmente, a Cacau Love opera com cerca de sete colaboradores, sendo a maioria mulheres e mães. Jéssica tem buscado estruturar um ambiente de trabalho que considere a realidade desses profissionais, adotando jornadas reduzidas de seis horas, além de oferecer benefícios como auxílio-alimentação por meio do iFood Benefícios e metas internas de desempenho.

O principal produto da marca são os bolos caseiros, pensados como um item de consumo cotidiano. A visão de Jéssica é transformar o bolo em uma alternativa diária ao pão francês no café da manhã brasileiro, um hábito que ela acredita ser possível mudar com qualidade, variedade e conveniência, especialmente com o apoio do delivery e da proximidade com o consumidor.

Mais do que uma confeitaria, a trajetória da empreendedora reflete um fenômeno cada vez mais comum no país: negócios que nascem de forma improvisada dentro de casa e, com persistência e adaptação, se transformam em empresas estruturadas. No caso de Jéssica, tudo começou com uma decisão simples. Tentar fazer um doce que ela ainda nem sabia preparar. Hoje, a aposta virou um negócio milionário no litoral paulista.

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