Ele catava latinhas e hoje lidera empresa de R$ 10 milhões
A terceirização de profissionais, muitas vezes vista com desconfiança dentro das empresas, pode ser uma ferramenta poderosa quando bem trabalhada. Ao contar com profissionais especializados por meio de parceiros, companhias ganham agilidade e conseguem acessar talentos prontos para atuar desde o primeiro dia.
Mais do que isso, quando há cultura e gestão por trás, o terceirizado deixa de ser visto como "tapa-buraco" e ocupa um lugar importante na operação. Foi a partir dessa leitura que Junior Lemaire, fundador do grupo OnEL, transformou a própria experiência em um negócio centrado em gente e desempenho.
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O empreendedor tem 38 anos e não concluiu a graduação, mas tem formação técnica em TI, MBA em marketing, vendas e geração de valor e especializações em coaching e inteligência emocional.
Nascido e criado em Arujá, no interior de São Paulo, cresceu em um ambiente de escassez. Ainda criança, viu o pai sair de casa e a mãe assumir sozinha a responsabilidade de sustentar os filhos. Sem ensino médio completo, ela fazia o que dava.
Junior começou a trabalhar bem cedo. Aos 11 anos, catava latinhas na rua. Foi até ajudante de mecânico e vendedor na feira. No meio disso tudo, passou a observar como os negócios funcionavam e um episódio específico ficou marcado até hoje.
Ao vender sucata, percebeu que havia uma cadeia por trás de toda operação. Tinha quem coletava, quem armazenava e quem operava em escala maior. Então, ele se perguntou: como subir de nível?
A mãe, determinada a mudar de vida, voltou a estudar, terminou o ensino médio e aprendeu espanhol para dar aulas para crianças. Comprou um dicionário usado e passou noites traduzindo palavra por palavra até conseguir ensinar. Funcionou.
Junior e a irmã foram colocados ainda novos para estudar espanhol. Depois, foi ele quem começou a dar aulas. "Foi meu primeiro trabalho que não envolvia esforço físico", conta.
O que faz a OnEL
A entrada no mercado formal foi difícil. Junior mesmo admite que não era um bom funcionário. Ele faltava, mentia, se atrasava e mudava de emprego com frequência. Às vezes, por diferenças pequenas de salário. "Era R$ 200 a mais", lembra.
Esse padrão se repetiu até uma demissão, aos 23 anos. Foi quando decidiu mudar e estabeleceu duas regras para si mesmo: parar de mentir e passar a fazer o melhor trabalho possível, independentemente da função. E, pela primeira vez, viu retorno direto do próprio esforço. "Fiquei viciado nisso", afirma.
Nesse período, ele teve o primeiro contato com a terceirização, trabalhando alocado dentro de uma multinacional, em Alphaville, onde vive hoje. Ao mesmo tempo, já tinha um CNPJ aberto, que ficou dois anos sem ter um único cliente.
As coisas mudaram quando a multinacional trocou o fornecedor de terceirização. Ele viu ali uma oportunidade, entrou em contato com um gerente no exterior e se apresentou como dono de uma empresa. Não deu certo.
Meses depois, porém, conseguiu o contrato. Era o primeiro e, com isso, o início da OnEL.
Atualmente, a OnEL se divide em duas frentes. A Onel Outsourcing concentra a maior parte da operação e fornece mão de obra especializada para grandes empresas, especialmente multinacionais. Vai de funções operacionais a posições mais técnicas e de gestão.
Já a OnEL Engenharia, criada em 2022 em sociedade com o engenheiro Caio Francisco, atua com automação. O foco está em empresas com muitas unidades físicas, como redes de varejo e supermercados. A ideia é centralizar o controle de sistemas como ar-condicionado, iluminação e refrigeração, permitindo gestão remota e ajustes automáticos.
O grupo tem cerca de 150 funcionários, variando conforme os projetos em andamento, e conta com 11 clientes ativos.
Como a empresa cresce
A OnEL cresceu rápido. Entre 2023 e 2024, avançou 269% e entrou pela primeira vez no ranking EXAME Negócios em Expansão, registrando uma receita operacional líquida de R$ 10 milhões.
Mas o crescimento não elimina um ruído antigo do mercado. A terceirização ainda enfrenta resistência, já que muita gente enxerga o profissional terceirizado como menos comprometido ou até mesmo menos preparado.
Junior, que conhece esse olhar porque já esteve desse lado, trabalha esse ponto diretamente. Ele construiu a cultura da OnEL em torno da ideia de que o profissional não trabalha para o cliente, mas para si. "Ele é o protagonista da própria carreira", reforça.
Para sustentar isso, criou o método Profissional de Elite, voltado para inteligência emocional e desenvolvimento comportamental. Todos os colaboradores passam por ele.
O objetivo é formar profissionais que assumam responsabilidade pelo que fazem, independentemente do ambiente. "Se o cliente reconhece, ótimo. Se não, alguém vai reconhecer", explica.
A cultura da empresa também gira em torno de alguns princípios, como dizer sempre a verdade, fazer mais do que o combinado e tentar melhorar a vida de quem passa pelo negócio, seja cliente, equipe ou parceiro.
Agora, a OnEL vive um novo momento. A empresa deixou de disputar contratos por preço e passou a focar em clientes que valorizam qualidade e reconhecem o time como um todo.
E o método Profissional de Elite, que antes ficava restrito à operação interna, começa a ganhar formato de produto. A empresa já testa o modelo com clientes e pretende ampliar essa área ao longo de 2026.
Por fim, em 2025, a OnEL cresceu 24% e, para este ano, a projeção é de 32%, puxada principalmente pela consolidação do braço educacional.
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
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Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.
São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2025.
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