Ele colocou TVs dentro de carros — e agora quer faturar R$ 100 milhões
Telas multimídia para ouvir música, assistir vídeos e traçar rotas já são comuns nos carros brasileiros. Mas, em 2009, esse tipo de recurso ainda era raro.
Foi pensando em inovar que Antonio Azevedo fundou a LogiGo, em 2010, oferecendo exatamente esses tipos de soluções de multimídia automotiva para as concessionárias.
Hoje, a empresa atua em duas frentes: desenvolvimento de tecnologias automotivas diretamente para montadoras e, desde este ano, a LogiGo Fleet, dedicada ao monitoramento de frotas e rastreamento de ativos.
Em 2025, a LogiGo faturou R$ 39 milhões, e a expectativa é superar R$ 100 milhões até 2027. No radar, também está a expansão para os Estados Unidos.
Qual é a história da LogiGo
Antes da LogiGo, Azevedo já havia fundado uma escola de informática e uma loja de produtos de tecnologia, experiências que o prepararam para empreender em um mercado mais competitivo e com maior potencial de crescimento.
Inicialmente, a LogiGo atendia concessionárias que instalavam as telas multimídia para clientes interessados nas funcionalidades.
“Na época havia apenas a TV digital, mas depois surgiram as centrais multimídia, que permitem assistir ao YouTube, usar o Waze e muito mais diretamente na tela do carro”, lembra Azevedo.
Em 2014, a Toyota se tornou cliente da empresa, passando a receber o produto já na linha de montagem. Nos anos seguintes, outras montadoras, como Nissan, Ford e Mitsubishi, também adotaram as soluções da LogiGo.
Para isso, a LogiGo precisou se adaptar. “O número de engenheiros precisou crescer, enquanto a equipe comercial foi reduzida, já que agora atendíamos montadoras — poucas, mas com demanda maior — em vez de muitas concessionárias”, afirma.
Na visão do fundador, o crescimento da LogiGo se apoiou em três pilares: tecnologia avançada, entrega rápida e preços competitivos. A empresa desenvolve placas eletrônicas, peças plásticas e metálicas e softwares para veículos conectados, oferecendo recursos como conectividade, carregadores por indução e centrais multimídia.
“As montadoras escolhem quais recursos querem implementar em seus carros, considerando preço e estratégia. A partir disso, desenvolvemos todo o produto: placas eletrônicas, peças plásticas e metálicas, além do software”, diz.
Novos produtos e diversificação
Com a entrada das grandes montadoras, a LogiGo passou a atender menos clientes, mas com demandas mais complexas. Para ampliar sua atuação, Azevedo lançou neste ano a LogiGo Fleet.
É uma plataforma que faz acompanhamento em tempo real, análise de uso dos veículos, segurança de carga, otimização de rotas e recursos avançados de detecção de comportamentos de risco ao volante, como frenagens bruscas, condução agressiva e excesso de velocidade.
O objetivo é apoiar gestores de frota de carro ou caminhão na redução de custos operacionais, aumento da eficiência e tomada de decisão mais rápida e assertiva.
“A Fleet permite atender milhares de transportadoras de todos os portes. Oferecemos tecnologia que pode ser adaptada às necessidades de cada cliente, o que diversifica a fonte de receita e reduz a dependência de contratos com montadoras”, afirma Azevedo.
Em seu primeiro ano completo de operação, a meta é fechar contratos de 36 e 48 meses, com valor estimado de R$ 43,2 milhões, fortalecendo a geração de receita recorrente da empresa.
Expansão internacional
Na corrida pelo crescimento, a LogiGo aposta na expansão internacional. Em 2020, Azevedo chegou a abrir uma unidade nos Estados Unidos, mas precisou fechar as portas devido à pandemia da covid-19, que exigiu concentração na atuação nacional.
Seis anos depois, o plano de prospectar clientes americanos voltou a ser realidade. Para se consolidar no exterior, o negócio aposta na contratação de profissionais com conhecimento do mercado local.
Antes da chegada dos clientes, o desafio tem sido adaptar-se às legislações do país.
“Ainda estamos na fase de homologação do produto nos Estados Unidos, garantindo que ele atenda aos requisitos de telecomunicação”, conta. “Temos um time jurídico acompanhando todo o processo, porque, nos Estados Unidos, um problema pode gerar processos milionários, e não queremos correr esse risco”, acrescenta.
Com a nova solução e o crescimento internacional, a meta é atingir faturamento de R$ 100 milhões em 2027. "A evolução consistente do nosso faturamento e a ampliação dos contratos confirmam que estamos no caminho certo”, afirma.
Com o aumento da demanda, Azevedo prevê a mudança para uma fábrica maior. Atualmente, a unidade de São Bernardo do Campo tem 1.500 m², em endereço inaugurado em 2025.
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