Ele saiu de Goiás e criou uma empresa para evitar tragédias que fatura R$ 15 milhões
A Alta Geotecnia desenvolve projetos, consultorias e soluções para garantir a segurança de estruturas como barragens, rodovias, ferrovias e aterros, atuando na prevenção de riscos geotécnicos e ambientais.
"A geotecnia lida com a mecânica dos solos e das rochas. Deslizamentos de terra e rompimento de barragens, por exemplo, geram perdas de vidas humanas e problemas ambientais. O conhecimento geotécnico aplicado evita que essas questões aconteçam", explica o CEO Álvaro Viana.
A empresa foi fundada em 2010 por Álvaro, engenheiro civil formado pela PUC-Rio, e pelo professor emérito da mesma instituição, Tácio de Campos.
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Com espírito livre, como o próprio Álvaro diz, saiu de Goiás para estudar na capital fluminense, onde a universidade teve papel central não só na sua formação acadêmica, mas também na construção da sua carreira.
O nome Alta, inclusive, surgiu da junção dos nomes Álvaro e Tácio. À frente da gestão e do planejamento estratégico da companhia, Álvaro é aquele profissional que toma as decisões, e Tácio é o "pesquisador clássico": "Um cara com relacionamento acadêmico maravilhoso", diz.
O executivo revela que o início da operação foi difícil, pois não tinha experiência prévia de como desenvolver uma empresa do zero, além de estar em um ambiente que exigia habilidades como criatividade e comunicação.
"A vontade de fazer acontecer existia, mas o conhecimento sobre gestão ainda precisava ser construído."
A empresa, que nasceu como um spin-off do Núcleo de Geotecnia Ambiental do Departamento de Engenharia Civil da PUC-Rio, foi incubada por três anos no Instituto Gênesis da faculdade, onde recebeu apoio e mentorias em áreas como negócios, empreendedorismo, comercial e marketing.
Ao longo dos anos, a Alta evoluiu, recebeu dois sócios investidores e se tornou uma S/A fechada, com uma governança corporativa robusta. Além dos fundadores, integram o quadro societário Manuella Galindo, Jéssica Castello, Alexandre Conti, Sérgio Yates, Luiz Antinutti, Lucas Mendes e Caio Amendola.
A Alta projeta e acompanha estruturas geotécnicas ao longo de todo o ciclo de vida dos empreendimentos, desde estudos de viabilidade e projetos de implantação até operação, monitoramento, manutenção e descomissionamento.
A atuação está organizada em quatro frentes: mineração, infraestrutura, energia e indústria de resíduos, atendendo exclusivamente clientes privados.
Entre os projetos recentes estão o desenvolvimento do projeto de três barragens de rejeito no estado do Pará; a atuação em projetos de contenção e estabilização de encostas para grandes concessionárias rodoviárias; e a manutenção de 35 a 40 aterros sanitários sob sua gestão técnica.
Atualmente, a empresa conta com cerca de 20 clientes ativos e já realizou trabalhos internacionais na Bolívia e no Panamá, em contratos pontuais.
Em que a empresa se destaca?
Entre os principais diferenciais da Alta, Álvaro menciona a governança corporativa, o que é valorizado também pelos clientes.
Há ainda o forte investimento em inovação, com desenvolvimento de soluções próprias a partir da observação de problemas em campo, e na boa relação com universidades e institutos de ciência e tecnologia.
E por fim, a qualidade do time, composto por profissionais de diferentes formações e níveis de experiência, incluindo doutores e mestres em geotecnia, recursos hídricos, geologia, meio biótico e gestão.
Durante a pandemia, em março de 2020, a empresa fechou o escritório e migrou integralmente para o trabalho remoto. Álvaro lembra que a projeção inicial de caixa sustentaria a operação até julho daquele ano.
A gestão optou por transparência com os profissionais, preparando a equipe para possíveis dificuldades, mas o período acabou não sendo como ele previa.
A entrada mais forte no setor de mineração, o crescimento de um dos principais clientes da área de resíduos após abertura de capital na bolsa e o início do desenvolvimento do projeto de biotecnologia fizeram com que a empresa crescesse.
O bom desempenho fez com que a Alta entrasse no ranking EXAME Negócios em Expansão 2025. Somente em 2024, a empresa teve uma receita operacional líquida de R$ 14,3 milhões, 36% a mais que nos 12 meses anteriores.
Álvaro conta que, entre 2020 e 2025, o quadro de funcionários aumentou de 20 para 60. Além disso, no ano passado, a empresa registrou faturamento de R$ 15 milhões e expandiu o time para 80 pessoas.
O foco agora é aumentar a receita entre três e quatro vezes até 2030 e, até o fim deste ano, ampliar a equipe de especialistas em até 40%.
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
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Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.
São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
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