Ele trocou a IBM por uma escola de rock e vai faturar R$ 120 milhões
Em um mundo cada vez mais digital, negócios baseados em experiências físicas ganham força — especialmente entre crianças e adolescentes.
A School of Rock, rede de educação musical criada nos Estados Unidos, vem ganhando espaço no Brasil com uma metodologia que favorece a experiência.
A operação é liderada pelo empresário Paulo Portela, que trouxe a marca ao país em 2013. Hoje, a rede soma 84 escolas em 42 cidades, além de unidades em Portugal e Espanha.
Para 2026, a rede projeta um faturamento de R$ 120 milhões, impulsionada por uma alta de 60% na receita no primeiro trimestre.
Como a School of Rock começou no Brasil
A história começa em 2010, quando Portela e a esposa decidiram sair do mundo corporativo. Ambos eram executivos da IBM e passaram a investir em negócios próprios, principalmente franquias de alimentação e uma incorporadora.
A virada veio em uma viagem a Nova York.
Em um bar próximo à Times Square, o casal assistiu a uma apresentação de alunos da School of Rock — jovens entre 14 e 16 anos tocando ao vivo.
Foram atrás dos executivos da empresa e no dia viram um grupo de crianças de 8 anos se apresentando durante uma visita a uma unidade da rede. “Aquilo foi uma coisa que me marcou”, diz.
A identificação também era pessoal.
Portela relata ter sido uma criança tímida, com dificuldade para falar em público — algo que impactou sua trajetória até a vida executiva. A proposta da escola, com estímulo à performance e comunicação, parecia ser um bom exemplo para dar às crianças no Brasil.
O contrato foi fechado em 2013, com a primeira unidade inaugurada na cidade de São Paulo.
Como é a estratégia de expansão pelo modelo de franquias
Nos primeiros anos, a operação seguiu com unidades próprias antes de franquear. A expansão com franqueados começou em 2017. No ano seguinte, a rede já estava com 30 novas unidades – que se concentravam em especial na capital e interior de São Paulo.
Hoje, o investimento para abrir uma unidade começa em R$ 600 mil.
Com o tempo, a School of Rock se expandiu por outros estados do Brasil – e o empresário recebeu o convite da rede para fazer a expansão para Portugal e Espanha, o que começou em 2019.
“Nós somos brasileiros, então conhecemos o comportamento do consumidor brasileiro, mas tinha muito medo de como seria a aceitação lá fora”, afirma.
Apesar do medo, chegaram no mercado europeu sem muitas adaptações – com mudanças de idioma e de comunicação – mas com a mesma metodologia.
“A primeira escola que abrimos foi na Espanha e foi a unidade que chegou mais rápido à marca de 200 alunos”, diz.
A gestão das franquias do Brasil, Portugal e Espanha é integrada e ganha uma nova estratégia neste ano.
A rede passou a centralizar no Brasil áreas como planejamento financeiro, marketing e parte do processo de venda de franquias, enquanto os times locais ficaram focados no suporte aos franqueados e no desenvolvimento do mercado.
O objetivo é ganhar eficiência e padronizar a operação, além de acelerar a troca de práticas entre os países.
Como é o modelo de negócio
A School of Rock não se posiciona apenas como escola de música. O modelo é baseado em performance e experiências ao vivo — o chamado modelo experiencial.
Os alunos participam de shows, turnês e gravações em estúdios. Um dos principais ativos é a presença em eventos de música. Neste ano, por exemplo, a rede pretende levar mais de 500 alunos para o Rock in Rio Lisboa.
“A educação musical é o veículo, mas a jornada é cheia de experiências de vida”, afirma Portela.
Para ele, é essa proposta que vem impactando no crescimento do negócio.
Na prática, a empresa captura uma mudança clara no comportamento das famílias: a busca por atividades que tirem crianças e adolescentes das telas, ampliem a socialização e contribuam para saúde mental.
Soma-se a isso o fortalecimento da marca, que reduz a resistência na hora da matrícula, e o efeito das próprias experiências, que aumentam o engajamento e a retenção dos alunos.
“Saúde mental é um tema que eu acompanho de perto. A gente vive hoje um aumento da ansiedade e uma busca muito forte por pertencimento, muito influenciada pelas redes sociais. Nesse contexto, o nosso modelo acaba se encaixando bem”, diz.
“No caso dos alunos adultos, a lógica é parecida: 90% são executivos e empresários que usam a música como forma de aliviar o estresse”, afirma.
Novo projeto mira inclusão
A School of Rock iniciou um novo projeto no Brasil ao integrar o Alma de Batera, iniciativa voltada ao ensino de bateria para pessoas com deficiência, à sua operação.
O piloto começou na unidade do Brooklin, em São Paulo, onde os alunos do projeto passaram a frequentar a estrutura da escola e compartilhar atividades com outros estudantes.
Criado há mais de 18 anos, o Alma de Batera já atendeu cerca de 400 alunos e se tornou referência no ensino adaptado de música, com foco em autonomia e expressão. Com a parceria, a metodologia do projeto também começa a ser transferida para a rede da School of Rock, com treinamento de professores e adaptação das aulas.
Quais são as estratégias para crescer
Para crescer, a rede aposta em facilitar a entrada de novos franqueados por meio de financiamentos. Ao mesmo tempo, busca aumentar a participação de multifranqueados: hoje, 37 das 84 escolas já pertencem a operadores com mais de uma unidade, com casos de grupos que chegam a 10 escolas.
“A receita no primeiro trimestre cresceu 60%, bem acima do que a gente esperava. Isso veio acompanhado de quase 4 mil matrículas em quatro meses, muito puxado pelas experiências que a gente concentrou nesse período”, diz Portela.
Só nos primeiros meses do ano, a rede registrou um aumento de 20% nas matrículas em comparação com o mesmo período de 2025 A longo prazo, o objetivo é chegar a 150 escolas até 2030.
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