Ele vai vender 20 milhões de pacotes de figurinhas e faturar R$ 140 milhões com a Copa

Por Daniel Giussani 1 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ele vai vender 20 milhões de pacotes de figurinhas e faturar R$ 140 milhões com a Copa

De quatro em quatro anos, o Brasil para — e parte desse parar acontece no caixa das bancas e livrarias.

Antes mesmo da bola rolar na Copa do Mundo, o consumidor entra em modo coleção: abre pacotinhos, troca repetidas e volta à loja para fechar a página da seleção favorita.

Em 2026, o ritual ganha escala. O álbum oficial da Panini chega com 980 cromos, 112 páginas e as 48 seleções classificadas — quase 300 figurinhas a mais do que a edição anterior. As figurinhas começam a ser vendidas nesta sexta-feira, 1.

A Livraria Leitura, maior rede do país com 133 lojas, entra nessa temporada como uma das principais revendedoras da Panini no Brasil. A rede mineira projeta vender cerca de 20 milhões de pacotes de figurinhas ao longo do ciclo da Copa. Com cada envelope sendo comercializado a 7 reais, a conta chega a aproximadamente 140 milhões de reais em receita — um volume que entra como linha à parte no calendário da empresa.

A janela é curta e tem prazo de validade. O álbum chega às bancas no dia 1º de maio, e a Copa será disputada entre 11 de junho e 19 de julho de 2026, no México, nos Estados Unidos e no Canadá. É nesse intervalo que a Leitura precisa converter fluxo em volume — e volume em receita extra num ano em que a expansão segue acelerada.

“É uma venda muito substancial. A Copa traz um crescimento à parte para a gente, acima de 10% no faturamento”, afirma Marcus Teles, CEO da Leitura.

Para 2026, a rede projeta abrir ao menos mais 10 unidades, reforçando a base de lojas que vai capturar a demanda do Mundial e a recorrência das trocas de figurinhas nos meses seguintes.

Como vai ser o impacto no faturamento

A lógica das figurinhas é conhecida no varejo: margem apertada, volume gigantesco. É o volume que transforma um produto de 7 reais em motor de receita.

Em um ano típico, a Leitura projeta crescer entre 8% e 9% nas lojas existentes. Com a Copa, o impulso passa de 10% — só com a venda de álbuns e pacotes. E isso acontece mesmo com uma margem menor do que a de livros ou papelaria.

“Figurinha tem uma margem mais apertada. Mas, para nós, faz parte do negócio principal”, diz Teles.

O segredo está na recorrência. Durante meses, o consumidor volta às lojas várias vezes, para comprar mais pacotes, trocar repetidas ou completar a coleção. É tráfego garantido, em uma operação que já trabalha com colecionáveis o ano inteiro, incluindo mangás, cards e outras linhas.

Quando a livraria vira ponto de encontro

Há um efeito menos óbvio na conta. Durante o Mundial, livrarias deixam de funcionar só como ponto de venda e passam a operar como espaço de encontro.

Clientes voltam com frequência, interagem, trocam figurinhas — e acabam levando outros produtos no caminho.

O comportamento se parece com o que a Leitura já observa em categorias como jogos de tabuleiro e mangás, produtos que criam comunidade e puxam consumo cruzado. No fim, a figurinha cumpre papel duplo: gera receita direta e arrasta vendas indiretas, em meses que historicamente são fortes para a categoria de papelaria e infantil.

Qual é a história da Leitura

A operação começou em 1967, quando os primos Emídio e Lúcio Teles abriram um sebo na Galeria Ouvidor, no centro de Belo Horizonte. O nome original era Lê, referência às iniciais dos fundadores. Nos anos 1980, Marcus Teles, irmão de Emídio, entrou na operação. Hoje, ele comanda a maior livraria do país.

O salto veio em 1998, com a primeira megastore no BH Shopping. Dois anos depois, a rede saiu de Minas e abriu loja em Brasília. Em 2025, a Leitura cresceu cerca de 15% e fechou o ano com 133 unidades.

Uma das apostas mais distintivas da rede é o modelo de sócio-gerente, parecido com o que Outback e Coco Bambu usam na restauração. Quem assume uma loja vira sócio da unidade e cuida da operação no dia a dia. Hoje, 70% das lojas funcionam nesse formato.

“Se o dono da loja está ali, ele percebe o que o público quer. Se for uma loja perto de faculdade, pode trazer mais livros didáticos. O resultado? As vendas sobem”, afirma Teles.

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