Ele vai vender água proteica por R$ 13 a quem aplica a canetinha emagrecedora

Por Guilherme Gonçalves 29 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ele vai vender água proteica por R$ 13 a quem aplica a canetinha emagrecedora

O mercado de bebidas funcionais virou uma verdadeira disputa por atenção. Menos açúcar, mais proteína, menos álcool, mais promessa de desempenho. Com a ambição de abocanhar uma fatia desse nicho, a gaúcha Organique, fundada em Porto Alegre, vai estrear um produto ainda pouco óbvio: uma água proteica.

A empresa, que começou com energéticos orgânicos à base de erva-mate, agora lança a marca Aura para entrar na onda das bebidas com proteína. O movimento vem em um momento em que a companhia busca atingir novos mercados. Em 2025, faturou R$ 2,5 milhões e projeta crescer 50% neste ano.

Hoje, está em cerca de 6 mil pontos de venda no Brasil e atende mais de 500 clientes - e há negociações para dobrar esse volume nos próximos meses. O novo produto chega ao mercado por cerca de R$ 13, com 20 gramas de proteína e 80 calorias por lata de 350 ml.

“O consumidor está buscando cada vez mais funcionalidade e conveniência. Com o aumento do uso de canetas emagrecedoras, a demanda por proteína cresceu bastante, e a forma de consumir está mudando”, afirma o CEO João Paulo Sattamini.

A leitura é direta: menos apetite e mais necessidade de suplementação abre espaço para produtos que prometem resolver isso no caminho entre uma reunião e outra. Sendo assim, a ambição da Organique é transformar sua água proteica em um item do dia a dia, não apenas do pós-treino.

“Tem muita gente usando caneta de emagrecimento. Eles precisam ingerir mais proteína. A gente entra exatamente aí, com uma solução mais fácil de consumir”, afirma Sattamini.

Qual é a origem da Organique

A Organique nasceu em 2012 com um energético orgânico feito a partir de erva-mate — uma tentativa de oferecer uma alternativa aos líderes do setor, baseados em cafeína sintética. A empresa tem sede em Porto Alegre, mas terceriza sua produção em uma indústria na cidade de Guaporé, a 200 quilômetros da capital gaúcha.

Formado em economia e direito, Sattamini criou a empresa após uma temporada fora do país, onde teve contato com redes de produtos naturais. Somado a isso, veio o próprio hábito pessoal do empresário de consumir alimentos saudáveis. Quando criou a empresa, a ideia inicial de era exportar — e funcionou. Antes da pandemia, cerca de 80% do negócio vinha de mercados externos, com presença em países como Japão, Estados Unidos e Reino Unido.

A mudança veio na pandemia, quando o custo do frete internacional subiu até 10 vezes. A saída foi olhar para dentro. A empresa ampliou distribuição no Brasil e entrou em grandes redes de farmácias e supermercados. Hoje, o portfólio inclui energéticos, chás e agora a linha de água proteica — somando um total de nove SKUs (unidades de produto).

A nova bebida da Organique tenta dar ao consumidor uma forma diferente de consumir proteína, que ainda é associada a shakes densos e calóricos. A proposta deles é outra: textura de água, poucos ingredientes e consumo mais casual. A fórmula leva colágeno, vitamina C, aroma natural e sucralose. São três sabores: laranja, limão e morango, mas está nos planos criar uma linha de sabor neutro.

“Foram oito meses de desenvolvimento para chegar em uma água proteica com formulação limpa, fácil de beber, com 20g de proteína e textura de água”, afirma Sattamini.

A empresa mira um público que vai além do fitness tradicional. A estratégia inclui consumidores que buscam conveniência — e, mais recentemente, usuários de medicamentos para perda de peso.

Como a Organique quer crescer

O lançamento da água proteica da Organique começa pelo Rio Grande do Sul, com expansão prevista para São Paulo no segundo semestre. A empresa negocia entrada em novas redes e quer dobrar a base atual de distribuição.

Ao mesmo tempo, a empresa testa canais menos tradicionais. A Aura teve pré-lançamento no TikTok e será vendida no TikTok Shop, plataforma de e-commerce integrada à rede social. A aposta é combinar produto e conteúdo — uma tentativa de capturar o consumidor onde ele já passa tempo, não necessariamente onde costuma fazer compras.

Criar uma nova categoria costuma soar melhor no papel do que na prática. Água com proteína ainda não é um conceito óbvio e pode gerar estranhamento. Além disso, o mercado já tem concorrentes fortes em bebidas proteicas, especialmente à base de leite, mas também com água enlatadas, como as da Better Drinks e da Moving. A diferenciação da Organique, segundo o CEO da empresa, está na leveza e na proposta de consumo mais frequente, porém ele reconhece que isso exige mudança de hábito.

Outro ponto é o preço. Na faixa de R$ 13, o produto disputa espaço com energéticos tradicionais e bebidas premium.

Os próximos passos da Organique

A água proteica é apenas o começo de um plano que visa atingir novos públicos. A empresa planeja lançar mais seis novos produtos voltados a atletas, incluindo bebidas de recuperação muscular — uma espécie de “Gatorade natural”, nas palavras do CEO.

Também há planos de levar a nova linha para mercados internacionais, onde a empresa já operou antes da pandemia. A estratégia é crescer dentro do segmento de wellness, termo em inglês para bem-estar, que já movimenta cerca de 100 bilhões de dólares no Brasil e 7 trilhões globalmente.

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