Eleições 2026: quem é Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência?
Governador do estado de Goiás e dono de um extenso currículo na política brasileira, Ronaldo Caiado é um dos pré-candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.
Nesta segunda-feira, 30, o chefe do executivo goiano foi confirmado como candidato do partido na disputa eleitoral.
A caminhada de Caiado até ser oficializado começou em 27 de janeiro, quando o político anunciou sua filiação ao Partido Social Democrático (PSD), ao lado dos também governadores e então pré-candidatos Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR).
Com a desistência de Ratinho Jr., favorito dentro do partido, Caiado ganhou força e o apoio do Conselho do PSD.
O goiano já havia se lançado na disputa pelo Palácio do Planalto ainda em abril de 2025, mas não encontrou apoio o suficiente no seu antigo partido, o União Brasil.
Caiado afirmou que ingressou no PSD, de Gilberto Kassab, em busca de espaço para “contribuir com a discussão nacional."
Após atuar como deputado federal, senador e governador, Caiado quer no PSD a chance de alcançar o mais alto cargo do Executivo brasileiro. "Disputarei a Presidência em 2026. E para ganhar", afirmou em 2025.
Política corre no sangue
Ronaldo Ramos Caiado nasceu em 25 de setembro de 1949 no município do Anápolis, em Goiás. Apesar de ser formado em medicina, a política era quase um destino certo. A família Caiado é uma das mais tradicionais da política e do agronegócio goiano.
Seu avô, Antônio Ramos Caiado, mais conhecido como Totó Caiado, foi deputado federal, senador e um dos mais influentes coronéis do estado. Totó também foi nomeado Interventor Federal de Goiás por Washington Luís, mas foi deposto durante Revolução de 1930, que estabeleceu a Era Vargas. Anos depois, outros parentes permaneceram nos governos estaduais e federais.
Ronaldo Caiado: Governador de Goiás ainda criança na década de 1950 (Wikimedia Commons)
A trajetória do atual governador começou na Escola de Medicina e Cirurgia (hoje parte da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), onde se formou em ortopedia. Na França, o médico se especializou em cirurgia da coluna. Após voltar ao Brasil, Caiado foi professor universitário.
Em 1985, em meio à tensões e conflitos de terra entre latifundiários e defensores da reforma agrária, Ronaldo Caiado foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR). Segundo o site oficial, a associação tem como objetivo "a preservação do direito de propriedade e a manutenção da ordem e respeito às leis do país."
A UDR hoje integra a Frente Parlamentar da Agropecuária, mais conhecida como Bancada Ruralista.
Carreira legislativa
Essa não é a primeira vez que Ronaldo Caiado tenta ser presidente do Brasil. Em 1989, com o fim da Ditadura Militar, o goiano deixou a liderança da UDR para se candidatar a Presidência da República, mas obteve apenas 0,68% dos votos. No segundo turno, o goiano apoiou o candidato vitorioso, Fernando Collor de Melo, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN).
No ano seguinte, foi eleito o deputado federal mais votado de Goiás pelo PSD.
Entre 1990 e 2014, Ronaldo Caiado teve cinco mandatos como deputado federal, sendo os quatro últimos consecutivos.
Ao longo de mais de 20 anos na Câmara dos Deputados, Caiado passou pelo PSD e pelos antigos Partido da Frente Liberal (PFL) e Partido Progressista Reformador (PPR), que se tornaram o Democratas (DEM). Em 2021, o Democratas se juntou ao Partido Social Liberal (PSL) para formar o União Brasil. Sua carreira como deputado foi marcada pela defesa de pautas ligadas ao agronegócio e à segurança pública.
Em 2014, o goiano foi eleito ao Senado Federal, onde foi líder do Democratas. Enquanto senador, Caiado foi um dos principais articuladores para o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016.
Senado Federal: Aécio Neves e Ronaldo Caiado em sessão sobre o impeachment de Dilma Rousseff (Ueslei Marcelino / Reuters)
Governo de Goiás
Ronaldo Caiado foi eleito governador do estado de Goiás em 2018 no primeiro turno e, quatro anos depois, alcançou a reeleição também no primeiro turno.
Suas gestões foram marcadas pela presença de familiares no governo. Segundo apuração do jornal O Globo, o goiano chegou a empregar pelo menos 12 parentes, incluindo o primo Adriano da Rocha Lima como secretário-geral de Governo.
Seu comando do estado também colocou o combate à violência no centro do debate. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP), foi registrada uma queda de 85% em latrocínios (roubos seguidos de mortes) e de 56% em homicídios dolosos no estado desde 2018. Por outro lado, 2.767 pessoas morreram por intervenção de agentes de segurança de 2019 a 2023, atrás apenas da Bahia, do Rio de Janeiro e do Pará.
O governador chegou a afirmar que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer utilizar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública para tirar poderes dos estados.
“O governo federal está tapeando a população e criando uma cortina de fumaça de um assunto que não é novidade para o povo brasileiro”, disse Caiado durante entrevista ao programa Macro em Pauta da EXAME em 2024.
Caiado é o governador com maior taxa de aprovação do país. Segundo dados da pesquisa Atlasintel de dezembro de 2025, o goiano lidera o ranking com 80% de aprovação.
Bolsonarismo, investigações e perdas
Mesmo com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro para sua reeleição em 2022, o médico teve uma relação conturbada com o bolsonarismo durante a pandemia de covid-19 ao defender medidas de lockdown. A situação piorou nas eleições municipais de 2024, quando Caiado e Bolsonaro apoiaram candidatos distintos para a prefeitura de Goiânia e o nome do governador saiu vitorioso.
Em dezembro de 2024, Ronaldo Caiado chegou a ser considerado inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás por usar a sede do governo, o Palácio das Esmeraldas, para promover eventos de campanha para seu candidato à prefeitura de Goiânia, Sandro Mabel, do União Brasil. Em abril de 2025, a decisão foi revogada.
Outra investigação também envolveu o nome do governador. Em 2021, o empresário Fábio Alves Escobar Cavalcante foi assassinado em Anápolis supostamente por ter denunciado desvios de dinheiro na campanha eleitoral de 2018 do ex-presidente do Democratas, Cacai Toledo. Toledo era também diretor administrativo da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego) na gestão de Caiado.
Em 2024, Jorge Caiado, primo do governador se tornou réu, acusado de ajudar no planejamento do crime.
O período também foi marcado por uma perda pessoal. Em julho de 2022, o governador perdeu o filho, Ronaldo Caiado Filho, aos 40 anos, em circunstâncias cujas causas não foram reveladas.
Em entrevista ao jornal O Globo, Caiado afirmou que a morte teve impacto direto sobre sua atuação pública e seus planos políticos, dizendo que o episódio o tornou “ainda mais obstinado em fazer a tarefa de casa do país" e para disputar a Presidência da República em 2026.
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