Elenco de 'A Casa do Dragão' detalha bastidores da 3ª temporada; leia a entrevista

Por Luiza Vilela 23 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Elenco de 'A Casa do Dragão' detalha bastidores da 3ª temporada; leia a entrevista

A terceira temporada de House of the Dragon (A Casa do Dragão) voltou à HBO no último domingo, 21. Quem vê o universo de Westeros diante da TV, com seus dragões realistas e cenas de batalha, até pode ter a impressão de que a maior parte da série é feita em pós-produção.

Bem, dragões de fato não existem, assim como parte dos castelos que aparecem ao fundo das cenas. Mas construir os novos episódios como eles são está longe de ser um trabalho restrito à equipe de efeitos visuais.

Por trás das câmeras, a realidade dos estúdios da Warner Bros. em Londres envolve uma mistura caótica de tecnologia de ponta, perrengues analógicos, improvisos de última hora e uma divertida disputa territorial entre franquias bilionárias. É o que contaram à Casual EXAME os atores Fabien Frankel (Criston Cole), Olivia Cooke (Alicent), Tom Glynn-Carney (Aegon II), Bethany Antonia (Baela), Harry Collett (Jaecerys) e Phoebe Campbell (Rhaena).

"Tem coisas que acontecem no set que as pessoas não fazem ideia. Não é fácil domar um dragão na série, e é tão difícil quanto atuar na máquina que usamos para montar neles", brinca Campbell sobre a cena que protagonizou na Batalha da Goela, parte final do primeiro episódio da nova temporada.

Dos veteranos aos jovens montadores de dragões, os atores abriram o jogo sobre como é dar vida à maior série de fantasia da atualidade. Confira:

Agora é guerra: os bastidores da Batalha da Goela

Atenção: o trecho abaixo contém spoilers do primeiro episódio da terceira temporada de A Casa do Dragão.

O primeiro episódio da terceira temporada abre com a famosa Batalha da Goela, que envolveu dias de gravação na água para garantir qualidade técnica, e contou com a presença de Phoebe Campbell (Rhaena Targaryen), Bethany Antonia (Baela Targaryen) e Harry Collett (Jaecerys Velaryon).

"Ir para a batalha foi incrível. Passamos 14 horas divididos entre o simulador de dragão e um tanque de água fria, muito fria mesmo", revelou Colett à Casual EXAME, em uma roda de conversa da qual o veículo foi o único integrante brasileiro. "Com os dragões é difícil, porque tudo é tela verde. O ventilador imenso que fica na frente te impede de ouvir o resto das coisas, então realmente acaba sendo algo imersivo. Eu improvisei o 'Dracarys'. Pensei: 'Não posso deixar este programa sem dizer isso de jeito nenhum'. E acabei dizendo duas vezes."

O destino trágico do personagem na batalha — marco canônico — foi encarado com maturidade. "Descobri o final lendo a sinopse do livro logo no início. Fiquei me perguntando como transformariam aquilo em roteiro. O episódio é insano, tive arrepios assistindo. É uma morte incrível, não posso reclamar."

Phoebe Campbell (Rhaena) e Bethany Antonia (Baela) também enfrentam o amadurecimento forçado de suas personagens diante do combate. "Nós encontramos Baela dividida entre a responsabilidade da liderança e sua própria moral. Ela é levada a uma versão de si mesma que não ama", reflete Bethany.

Phoebe, por sua vez, detalha o impacto psicológico da guerra sobre Rhaena após o confronto: "Ela chega ao fundo do poço. É o sentimento de completa desolação e despreparo. E um recado claro de que aquelas pessoas não conseguem controlar os animais como imaginam. Foi o que quisemos mostrar também."

Quanto às cenas práticas com dragões, os atores canetaram: a experiência é divertida. Mas não é assim tão simples: a tecnologia de ponta dos painéis de LED (o V Stage) frequentemente esbarra em soluções analógicas no dia a dia.

"Temos equipamentos absurdamente caros, mas, no final, tudo se resume a um homem segurando uma máquina de vento na sua cara", revela Bethany Antonia. Harry Collett concorda, e lembrou o caos das gravações aéreas. "O diretor precisava usar um megafone para berrar instruções no meio do set porque o barulho dos ventiladores era ensurdecedor. É muito difícil parecer descolado em cima de uma engrenagem mecânica azul, achando que está voando de verdade."

À margem da guerra: Alicent Hightower e Criston Cole

Em um dos diálogos mais marcantes da segunda temporada, Sor Criston Cole afirma que "todos nós nos tornamos feras no final". Alicent Hightower rebate: "apenas se abandonarmos nossos princípios".

Na terceira temporada, ao menos nos primeiros episódios, ambos os personagens vivem à margem da guerra. Alicent se vê envolvida em um ato de traição aos próprios filhos quando decide abrir as portas para Rhaenyra. As cenas são mais dramáticas com os filhos e a situação política pela qual os Verdes passam. Colen, no campo de batalha, está mais perto do que nunca do confronto. Ainda assim, a ansiedade que o cerca é um ato emocional por si só.

Em entrevista à Casual EXAME, Fabien Frankel (Criston Cole) e Olivia Cooke (Alicent) debateram a filosofia de seus personagens no terceiro ano. "Se os seres humanos abandonam seus princípios, nós vemos o que acontece. A sociedade está cheia de pessoas em posições de liderança agindo assim e se tornando feras", analisa o intérprete de Sor Criston Cole.

Olivia Cooke traçou um paralelo contemporâneo para explicar o isolamento da elite de Westeros. "É o mesmo que vemos no mundo real: não existem bilionários éticos. Eles acumulam tanto poder, riqueza e domínio que perdem completamente a bússola moral e a noção da realidade."

A desconexão cognitiva fica nítida na nova dinâmica entre Alicent e seu filho, o príncipe regente Aemond (Ewan Mitchell). A temporada choca ao apresentar um beijo de teor edipiano unilateral entre os dois, um reflexo do delírio de grandeza do jovem príncipe. "Os roteiristas já vinham provocando essa dinâmica. Quando aconteceu, foi completamente chocante para a Alicent. Vira o mundo dela de cabeça para baixo", revela Olivia. "Para mim, como atriz, contracenar com o Ewan, que interpreta meu filho há seis anos, e receber um beijo daqueles... é estranho para caramba. Esse trabalho é esquisito", brinca.

O impacto psicológico da Coroa também foi abordado por Tom Glynn-Carney, que dá vida ao rei Aegon II. "Dar o poder a esses personagens quando são jovens é como dar doces demais a uma criança: ela vai correr e fazer loucuras. O Aegon vive em uma câmara de eco, não tem referências de mundo e precisa tomar decisões que afetam todo um reino."

CORLYS - ARMOUR LOOK (Ollie Upton/HBO)

AQ vs. DQ: a reconstrução de um rei quebrado

Também distante do campo de batalha, Aegon II Targaryen, antes coroado como o rei de Porto Real agora está em fuga. Para Tom Glynn-Carney, o trunfo de atuação nesta temporada foi explorar o arco do personagem após o trágico evento que o deixou severamente mutilado no ano anterior. O elenco apelidou nos bastidores de "Antes de ser Queimado" (AQ) e "Depois de ser Queimado" (DQ).

"O 'Depois de ser Queimado' trouxe uma camada maravilhosa de desespero e raiva alimentada por vingança, especialmente por saber que o ataque veio de seu próprio irmão", explica o ator. A transformação física exigiu um trabalho intenso de maquiagem e próteses faciais, desenhadas em colaboração com o ator para contorcer suas expressões.

"As peças eram tão apertadas que me forçavam a mover a cabeça como um bloco único. Isso ajuda muito em cena, porque faz com que Aegon pareça fisicamente impotente e quebrado, embora ele tente adotar uma determinação ferrenha para negar a própria realidade."

Quando será o próximo episódio de A Casa do Dragão?

O segundo episódio da terceira temporada de A Casa do Dragão será lançado no próximo domingo, 28. Ao todo, serão oito episódios, e todos vão ao ar aos domingos, às 22h, na HBO e na HBO Max.

Onde assistir A Casa do Dragão?

Os capítulos da primeira e segunda temporadas estão disponíveis também na plataforma de streaming, assim como todos os episódios da série Game of Thrones. Os episódios da terceira temporada estreiam semanalmente aos domingos, às 22h (horário de Brasília), na HBO Max e nos canais da HBO na TV por assinatura.

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