Embraer deve recuperar margens após 'tempestade perfeita', diz BTG

Por Ana Luiza Serrão 20 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Embraer deve recuperar margens após 'tempestade perfeita', diz BTG

Com queda de cerca de 25% nas ações desde a divulgação do resultado do primeiro trimestre, a Embraer pode ter enfrentado uma "tempestade perfeita", mas devemelhorar margens, na avaliação do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) .

O banco revisou as projeções para a fabricante de aeronaves, afirmando continuar vendo "as ações da EMBJ oferecendo uma boa relação risco-retorno aos preços atuais".

Agora, ele estima receita de US$ 8,7 bilhões em 2026 e de US$ 9,6 bilhões em 2027, acima das estimativas anteriores de US$ 8,3 bilhões e US$ 9,3 bilhões, respectivamente.

As previsões também ficaram acima da faixa de guidance da companhia para 2026, entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, enquanto a margem Ebit ajustada passou para 9,2% em 2026 e 9,4% em 2027, contra 9,1% e 9,3%.

O BTG ainda segue com a projeção de um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado de US$ 1 bilhão em 2026 e de US$ 1,1 bilhão em 2027.

As estimativas de lucro líquido, por outro lado, sofreram leve revisão para baixo. O banco passou a projetar lucro de US$ 473 milhões em 2026 e US$ 651 milhões em 2027, ante previsões de US$ 496 milhões e US$ 659 milhões.

Melhoria sequencial de margens é esperada na Embraer

À espera de "uma melhoria sequencial das margens em todos os resultados da Embraer", o relatório cita três fatores principais para essa expectativa, como um ambiente tarifário mais favorável, a melhora no mix de clientes nas próximas entregas e "tendências inflacionárias mais normalizadas nos custos de logística e insumos".

A sazonalidade ao longo do restante do ano também deve ajudar os resultados, com volumes maiores de entregas aumentando a diluição de custos e reforçando "a perspectiva de crescimento dos lucros no curto prazo."

"Continuamos esperando que os lucros permaneçam fortes no curto prazo, com a possibilidade de uma entrada de pedidos melhor do que o esperado impulsionando as ações", acrescentou.

Último trimestre veio fraco, mas expectativas eram altas

Em relatório, o BTG afirmou que o primeiro trimestre foi mais fraco, mas ponderou que as expectativas para a companhia estavam elevadas após "dois anos de resultados estelares".

Ele viu "um resultado forte para um trimestre que geralmente é o mais fraco do ano devido à sazonalidade", mas destacou que isso "não foi suficiente para atender às elevadas expectativas do mercado".

Diferentes fatores pressionaram a rentabilidade da companhia ao mesmo tempo.

Na divisão de aviação comercial, o BTG apontou uma composição de clientes mais fraca, além de impactos contínuos dos custos logísticos e créditos relacionados a fornecedores.

Já na aviação executiva, destacou "impactos inesperados e pontuais", incluindo uma proporção maior de entregas para clientes corporativos, despesas extraordinárias ligadas à linha Praetor e cerca de US$ 12 milhões em impactos tarifários.

Carteira de pedidos é um dos pilares da tese de investimentos

A carteira de pedidos continua sendo um dos principais pilares da tese de investimento. A Embraer encerrou o trimestre com backlog de US$ 32 bilhões.

Para o banco, isso representa "forte demanda, garantindo volumes de produção para, aproximadamente, os próximos quatro anos".

O relatório também destacou que novos pedidos feitos só devem ser entregues no final da década, o que cria "uma margem de segurança significativa em termos de prazos de entrega".

O BTG também afirmou continuar observando tendências sólidas de demanda em todos os segmentos da companhia, mesmo em meio ao cenário mais volátil provocado pela guerra no Irã.

O banco destacou ainda que as ações da Embraer seguem negociadas a cerca de dez vezes EV/Ebitda estimado para 2026, o que representa "um desconto de, aproximadamente, 44% em relação aos pares globais".

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