Embraer fecha pedido histórico de cargueiros para os Emirados Árabes Unidos
A Embraer fechou o maior pedido internacional já feito por um único país para o cargueiro C‑390 Millennium, o maior avião desenvolvido pela companhia. O contrato foi firmado com os Emirados Árabes Unidos (EAU) e assinado com a Tawazun Council for Defence Enablement, órgão responsável por fomentar e regular a indústria de defesa e segurança do país. O acordo prevê a compra de dez aeronaves, com opção para a aquisição de outras dez.
O contrato também inclui o desenvolvimento de capacidades de manutenção, reparo e revisão, além de outros serviços de suporte pós-venda para a frota, em parceria com uma empresa dos Emirados Árabes Unidos.
Em nota divulgada nesta segunda-feira, 4, a Embraer afirmou que o C‑390 permitirá às Forças Armadas do país comprador realizar uma ampla gama de missões, como transporte de carga e tropas, operações de lançamento aéreo, assistência humanitária, evacuação aeromédica, operações em pistas não pavimentadas e interoperabilidade com forças nacionais, aliadas e parceiras.
No mesmo comunicado, o presidente da Embraer Defesa, Bosco da Costa Junior, declarou que a empresa está “extremamente orgulhosa” pela escolha do C‑390 Millennium pelos Emirados Árabes Unidos. Segundo ele, a aeronave, já comprovada em missões, oferecerá à Força Aérea e de Defesa Aérea versatilidade e desempenho para cumprir diferentes tipos de operações “a qualquer hora e em qualquer lugar”, nas próximas décadas.
Investimentos bilionários
Anunciado em 2009, o programa do C‑390 demandou investimentos de US$ 4,5 bilhões, cerca de R$ 22 bilhões, e foi desenvolvido em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB). Apesar do avanço técnico, o avião — denominado KC‑390 quando equipado com a capacidade de reabastecimento em voo — teve, inicialmente, desempenho abaixo do esperado em vendas, o que frustrou parte do mercado financeiro.
Os avanços comerciais passaram a se consolidar a partir de 2023. Até 2022, a Embraer havia fechado contratos do modelo apenas com Portugal, em 2019, Hungria, em 2020, e Holanda, em 2022. Em 2023, a empresa firmou novos acordos com Áustria, República Tcheca e Coreia do Sul. As negociações mais promissoras seguem com a Arábia Saudita e a Índia.
Na Índia, a Embraer disputa uma concorrência para a venda de 40 a 80 aeronaves. Como parte da estratégia para viabilizar o negócio, a empresa anunciou uma parceria local com o grupo Mahindra para fabricar o avião no país.
Segundo o Estadão, também há negociações com a Arábia Saudita, onde uma frota de 60 aeronaves precisará ser substituída, sendo 23 delas compatíveis com o perfil do C‑390. Para concretizar a venda, a Embraer poderá ser obrigada a estabelecer no país uma linha de montagem final ou a transferir atividades de manutenção, treinamento e fabricação de componentes, exigências comuns em contratos de equipamentos militares.
Uma das limitações do C‑390 está relacionada às restrições de mercado. Caso a Embraer busque vender o cargueiro a países como Israel, por exemplo, a aeronave não poderia conter peças produzidas em nações consideradas inimigas, de acordo com o jornal. Atualmente, o mercado da empresa brasileira é formado majoritariamente por países alinhados aos Estados Unidos.
Situação no Brasil
No Brasil, o programa também enfrentou obstáculos. Em 2021, a Aeronáutica decidiu reduzir unilateralmente sua encomenda de 28 para 15 cargueiros, alegando restrições orçamentárias. Após meses de negociações, o número foi ajustado para 19 unidades, apesar de o contrato permitir uma redução máxima de 25%, o que equivaleria à compra de 21 aeronaves.
Projeções da Embraer indicam que, nos próximos 20 anos, cerca de 490 cargueiros precisarão ser substituídos em todo o mundo, representando um mercado estimado em US$ 60 bilhões, aproximadamente R$ 300 bilhões, no qual o C‑390 possui potencial para se destacar.
Embraer entrega 44 aeronaves no 1º trimestre, alta anual de 47%
A Embraer abriu 2026 com o melhor primeiro trimestre em volume de entregas dos últimos anos, informou a companhia em aviso ao mercado. Foram 44 aeronaves distribuídas entre os três segmentos da companhia — comercial, executivo e defesa —, ante 30 no mesmo período de 2025. A fabricante atribui o crescimento de 47% ao avanço do seu programa interno de nivelamento de produção.
Na aviação comercial, saíram 10 jatos das linhas de montagem entre janeiro e março, incluindo 3 unidades do E195-E2, o maior modelo que a empresa fabrica atualmente nessa categoria. O número representa alta de 43% sobre o primeiro trimestre de 2025, quando o segmento havia entregue apenas sete aeronaves.
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