Emprego nos EUA, indústria no Brasil e guerra no Irã: o que move os mercados

Por Caroline Oliveira 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Emprego nos EUA, indústria no Brasil e guerra no Irã: o que move os mercados

O segundo pregão de abril nesta quinta-feira, 2, traz destaque para indicadores do mercado de trabalho nos Estados Unidos, dados de atividade no Brasil, sinais da economia da China e repercussões do pronunciamento do presidente Donald Trump sobre a guerra com o Irã.

Após a volatilidade recente nas commodities no início do mês, investidores voltam a monitorar indicadores que podem calibrar expectativas para juros, crescimento global e preços de energia.

Agenda no Brasil

No Brasil, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas divulga às 06h o IPC-Fipe de março. Na leitura anterior, o índice registrou alta de 0,25%, servindo como referência adicional para a dinâmica recente da inflação ao consumidor.

Ainda no cenário doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publica às 09h os dados de produção industrial de fevereiro.

Para esta leitura, a expectativa do mercado é de alta de 1,8% na comparação mensal e 0,2% no acumulado anual. Os números são relevantes para calibrar as projeções sobre o ritmo da atividade econômica no início do ano.

O que acompanhar no exterior

Na Zona do Euro, será divulgado às 05h o relatório mensal do Banco Central Europeu (BCE).

O documento reúne dados estatísticos e análises sobre as condições econômicas atuais e as perspectivas para a região, sendo acompanhado de perto por investidores em busca de sinais sobre crescimento e trajetória da política monetária, especialmente após a recente recuperação das bolsas europeias nesta semana, que veio na sequência do pior desempenho mensal em seis anos.

Nos EUA, às 09h30, os pedidos iniciais de seguro-desemprego serão acompanhados de perto após a divulgação do relatório da Variação de Empregos Privados no dia anterior. A expectativa é de 210 mil solicitações, dado visto como uma das últimas referências antes do relatório oficial de emprego, previsto para esta sexta, 3.

Também às 09h30, investidores acompanham a balança comercial de fevereiro dos Estados Unidos, com expectativa de déficit de US$ 54,50 bilhões.

No mesmo horário, serão divulgados os dados de exportações, projetadas em US$ 302,10 bilhões, e importações, estimadas em US$ 356,60 bilhões. Na leitura anterior, foi registrado um déficit de US$ 80,80 bilhões. Os números ajudam a calibrar a leitura sobre o ritmo do comércio exterior norte-americano e seus efeitos sobre o crescimento e o dólar no curto prazo.

Ao meio-dia, investidores monitoram falas de Lorie Logan, presidente do Federal Reserve (Fed) de Dallas, em busca de sinais sobre a avaliação da autoridade monetária em relação ao balanço patrimonial e à liquidez do sistema financeiro.

Outro ponto de atenção é o pronunciamento de Trump sobre a guerra no Oriente Médio, que ocorreu na noite desta quarta-feira.

O presidente dos EUA disse que os ataques ao Irã estão perto de terminar, pois os americanos estariam prestes a alcançar seus objetivos, mas não citou um prazo para o fim do conflito. O republicano disse que haverá novos ataques nas próximas semanas, caso não haja acordo.

Já na Ásia, o foco recai sobre o PMI Caixin de serviços da China, cuja projeção é de 56,7. O indicador é acompanhado de perto por investidores em commodities e pode influenciar o desempenho de empresas exportadoras ligadas ao ciclo chinês, como a Vale. No Japão, o destaque também é para o PMI do setor de serviços, que deve atingir 53,8.

No exterior, a agenda corporativa desta quinta-feira inclui a divulgação de resultados de empresas como Acuity Brands (AYI), Lindsay (LNN) e Apogee (APOG). Investidores devem acompanhar principalmente sinalizações sobre demanda nos setores industrial e de construção, além de eventuais revisões de projeções para o restante do ano, em meio a um ambiente ainda marcado por incertezas no crescimento global.

Fim do conflito no Oriente Médio está no radar

Até antes do pronunciamento, Trump vinha indicando que as operações militares contra o Irã poderiam ser encerradas em duas a três semanas, em meio à pressão interna provocada pelos impactos econômicos do conflito, especialmente sobre os preços dos combustíveis.

Apesar disso, as hostilidades militares seguem no radar dos investidores. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que passará a atacar empresas americanas na região a partir desta quarta-feira, citando companhias como Google, Microsoft, Apple, Intel e Tesla, sinalizando que o risco geopolítico permanece elevado e continua sustentando a volatilidade nos mercados de energia.

Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista à Al Jazeera que houve troca de mensagens com os Estados Unidos, diretamente ou por meio de países da região, mas ressaltou que esses contatos não configuram negociações formais entre as partes.

Durante o pronunciamento na véspera, Trump voltou a ameaçar atacar as instalações de energia do Irã, caso o país não faça um acordo com os EUA. Em sua fala, o presidente buscou projetar uma imagem de vitória e celebrar conquistas militares dos americanos, embora o Irã continue com capacidade de fazer ataques.

"Nossos objetivos são muito simples e claros. Estamos sistematicamente desmantelando a capacidade do regime de ameaçar a América ou projetar poder fora de suas fronteiras", disse. "Estou satisfeito em dizer que estes objetivos estratégicos estão perto de serem completados", afirmou.

Enquanto isso, o tráfego pelo Estreito de Ormuz permanece severamente comprometido desde o início da guerra no fim de fevereiro, mantendo riscos relevantes para a oferta global de petróleo e sustentando a volatilidade nos mercados de energia.

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