Empresa americana estreia no Brasil com tecnologia que acelera em até 95% a resposta a desastres
Há exatos dois anos atrás, o Rio Grande do Sul vivia sua pior tragédia climática e a população sentia na pele os efeitos mais severos das mudanças do clima. As enchentes reforçaram a necessidade de adaptação das cidades brasileiras, frente aos eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos.
O que aconteceu no Sul não é caso isolado e assombra todas regiões: uma análise da Codex revelou que o número de desastres climáticos saltou de 1.635 entre 2015 e 2019 para cerca de 6.100 entre 2020 e 2024, um crescimento de 273% em menos de uma década.
E se o Brasil pudesse dar uma resposta até 95% mais rápida e eficiente diante das emergências? Essa é a aposta da empresa americana Juvare, que acaba de anunciar a primeira operação no país em parceria com a consultoria brasileira Codex.
A tecnologia baseada em IA é uma plataforma de gestão digital adotada nos 50 estados americanos e em mais de 25 países para coordenar respostas a desastres em tempo real.
Segundo a empresa, a solução responde em cerca de 30 segundos diante da crise que antes exigia mobilizar cerca de oito profissionais e horas de empenho. No condado de Harnett, na Carolina do Norte (EUA), a adoção reduziu em 85% o tempo de trabalho das equipes.
Como funciona a tecnologia
Na prática, a plataforma funciona como um centro de comando virtual. Durante uma crise, reúne em uma única tela dados sobre ocorrências em andamento, recursos disponíveis, equipes mobilizadas e áreas afetadas, com atualizações em tempo real enviadas diretamente por equipes em campo.
A plataforma integra mapas, rotas logísticas, inventários e registros operacionais, criando uma visão compartilhada entre Defesa Civil, forças de segurança, hospitais e autoridades locais.
Antes dos desastres, o sistema organiza planos de contingência e protocolos de resposta. Quando acontecem, facilita a documentação de danos e a geração de relatórios para solicitação de recursos.
Outro exemplo de uso vem do Canadá. Durante o Furacão Fiona em 2022, o Centro Provincial de Coordenação da costa leste chegou a receber mais de 1.000 comunicações por dia, vindas de mais de 100 pontos de contato diferentes.
Com a tecnologia, parte desse fluxo passou a ser automatizada, com parceiros atualizando informações diretamente na ferramenta e reduzindo o trabalho manual das equipes.
Modelo replicável ao contexto brasileiro
No Brasil, as empresas destacam que há um desafio extra de coordenação. Diferentemente dos Estados Unidos, onde a FEMA centraliza diretrizes em nível nacional, o modelo nacional distribui responsabilidades entre estados e municípios com capacidades técnicas e orçamentos muito distintos entre si.
"Em uma emergência, a informação precisa circular rapidamente entre diferentes órgãos, e muitas vezes isso ainda acontece de forma fragmentada", diz Venicios Santos, diretor de Negócios da Codex.
Para o executivo, ao organizar as informações e as deixar disponíveis em tempo real, gestores conseguem tomar decisões mais rápidas e coordenar melhor as equipes de resposta.
"Em situações de desastre, essa agilidade pode fazer diferença direta no atendimento às populações afetadas", acrescenta.
A implementação será conduzida pela Codex, responsável por adaptar a plataforma ao contexto institucional e jurídico brasileiro. Isso inclui tradução do sistema, ajustes nos termos de uso e adequação às estruturas administrativas do país.
Os usuários também terão acesso ao JAI (Juvare AI), assistente de inteligência artificial capaz de sintetizar informações operacionais, identificar padrões e gerar análises rápidas para apoio à decisão em cenários de crise.
A estratégia inicial da parceria mira governos estaduais, que exercem papel central na coordenação regional de respostas a emergências climáticas. A expectativa é que os primeiros projetos sirvam como modelos replicáveis para outras regiões do país nos próximos anos.
Segundo os especialistas, a tecnologia não substitui a adaptação climática, mas pode determinar a diferença entre uma resposta coordenada e o caos. Em um país que registra mais de 1.200 emergências por ano, essa diferença se mede em vidas.
1/17 Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS) (Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS))
2/17 Homens movem pacotes em um barco através de uma rua inundada no centro histórico de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em 14 de maio de 2024. Crédito: Anselmo Cunha / AFP) (Homens movem pacotes em um barco através de uma rua inundada no centro histórico de Porto Alegre)
3/17 Vista das áreas inundadas ao redor do estádio Arena do Grêmio em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 29 de maio de 2024. A água e a lama tornaram os estádios e sedes do Grêmio e Internacional inoperáveis. Sem locais para treinar ou jogar futebol, os clubes brasileiros tornaram-se equipes itinerantes para evitar as enchentes que devastaram o sul do Brasil. (Foto de SILVIO AVILA / AFP) (Vista das áreas inundadas ao redor do estádio Arena do Grêmio em Porto Alegre)
4/17 Vista aérea do centro de treinamento do Internacional ao lado do estádio Beira Rio em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 29 de maio de 2024. Foto de SILVIO AVILA / AFP (Vista aérea do centro de treinamento do Internacional ao lado do estádio Beira Rio em Porto Alegre)
5/17 Pessoas atravessam uma ponte flutuante para pedestres sobre o rio Forqueta, entre os municípios de Lajeado e Arroio do Meio, no Rio Grande do Sul, Brasil, em 21 de maio de 2024. O Rio Grande do Sul experimentou um desastre climático severo, destruindo pelo menos seis pontes e causando interrupções generalizadas no transporte. O exército respondeu construindo pontes flutuantes para pedestres, uma solução temporária e precária para permitir que a infantaria atravesse rios durante conflitos. (Foto de Nelson ALMEIDA / AFP) (Pessoas atravessam uma ponte flutuante para pedestres sobre o rio Forqueta)
6/17 Ana Emilia Faleiro usa um barco para transportar suprimentos em uma rua inundada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, em 26 de maio de 2024. O estado sulista do Rio Grande do Sul está se recuperando de semanas de inundações sem precedentes que deixaram mais de 160 pessoas mortas, cerca de 100 desaparecidas e 90% de suas cidades inundadas, incluindo a capital do estado, Porto Alegre. (Foto de Anselmo Cunha / AFP) (Ana Emilia Faleiro usa um barco para transportar suprimentos em uma rua inundada em Porto Alegre)
7/17 Um homem limpa sua casa atingida pela enchente no bairro Sarandi, um dos mais atingidos pelas fortes chuvas em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em 27 de maio de 2024. Cidades e áreas rurais no Rio Grande do Sul foram atingidas por semanas por um desastre climático sem precedentes de chuvas torrenciais e enchentes mortais. Mais de meio milhão de pessoas fugiram de suas casas, e as autoridades não conseguiram avaliar completamente a extensão dos danos. (Foto de Anselmo Cunha / AFP) (Um homem limpa sua casa atingida pela enchente no bairro Sarandi)
8/17 Alcino Marks limpa corrimãos sujos de lama após a enchente no bairro Sarandi, um dos mais atingidos pelas fortes chuvas em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em 27 de maio de 2024. Esta é a segunda enchente histórica que Marks enfrenta aos 94 anos de idade. A primeira foi em 1941, quando ele morava no centro de Porto Alegre. Cidades e áreas rurais no Rio Grande do Sul foram atingidas por semanas por um desastre climático sem precedentes de chuvas torrenciais e enchentes mortais. Mais de meio milhão de pessoas fugiram de suas casas, e as autoridades não conseguiram avaliar completamente a extensão dos danos. (Foto de Anselmo Cunha / AFP) (Alcino Marks limpa corrimãos sujos de lama após a enchente no bairro Sarandi)
9/17 (Um trabalhador usa uma mangueira de alta pressão para remover a lama acumulada pela enchente)
10/17 (Destruição no RS após chuvas e enchentes)
11/17 Vista da estátua de José e Anita Garibaldi na inundada Praça Garibaldi, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 14 de maio de 2024. Foto de Anselmo Cunha / AFP (Vista da estátua de José e Anita Garibaldi na inundada Praça Garibaldi)
12/17 Resgate de pessoas afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul, na Base Aérea de Santa Maria (RS). (Resgate de pessoas afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul, na Base Aérea de Santa Maria)
13/17 Eduardo Leite: “Faremos de tudo para garantir que a reconstrução preserve nossas vocações” (Eduardo Leite: “Faremos de tudo para garantir que a reconstrução preserve nossas vocações”)
14/17 Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS) (Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS))
15/17 (Imagem aérea da destruição no Rio Grande do Sul - Força Aérea Brasileira/Reprodução)
16/17 Setor elétrico: Aneel propõe medidas para melhorar resposta a desastres causados pelas mudanças climáticas para melhorar resposta a desastres causados pelas mudanças climáticas. (Vista aérea mostrando a estrada ERS-448 inundada em Canoas)
17/17 (Vista aérea mostrando a estrada ERS-448 inundada em Canoas, no estado do Rio Grande do Sul)
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