Empresa cria IA que ‘devolve’ até três dias por semana aos times de RH
A inteligência artificial começou a mudar, na prática, a rotina de recursos humanos — especialmente em empresas onde o setor ainda é consumido por tarefas operacionais e pouco integrado à estratégia do negócio. O avanço vai além da automação básica e começa a alcançar análises e recomendações baseadas em dados da própria empresa.
Diante deste cenário, a Sólides, empresa de tecnologia para recursos humanos, desenvolveu uma IA integrada à sua plataforma de gestão de pessoas. Diferentemente de ferramentas isoladas, a tecnologia opera conectada aos dados reais da empresa — de recrutamento, folha e ponto a desempenho, feedbacks e histórico dos colaboradores — para automatizar processos, gerar análises e sugerir ações ao longo da jornada do funcionário.
Segundo a empresa, a sua IA cobre mais de 70% dessa jornada e pode devolver ao RH o equivalente a até três dias de trabalho por semana, ao reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas.
Como funciona a IA na prática
O principal diferencial da solução, segundo o co-CEO e cofundador da Sólides, Ale Garcia, está na forma como a tecnologia foi integrada ao fluxo de trabalho do RH. Em vez de depender de comandos soltos ou ferramentas externas, a IA atua diretamente dentro do sistema de gestão de pessoas.
“Na prática, uma IA integrada é aquela que já opera dentro do sistema de gestão de pessoas, conectada aos dados, aos processos e ao contexto real da empresa”, afirma. “Isso significa que ela não atua de forma genérica ou isolada, mas com base em informações já estruturadas da jornada do colaborador.”
Na prática, isso permite que a tecnologia cruze diferentes camadas de informação — como desempenho, histórico de movimentações, dados de folha e comportamento — para apoiar decisões e automatizar atividades com mais contexto.
“O grande diferencial em relação a ferramentas abertas ou isoladas é justamente a capacidade de cruzar esses dados dentro de um ambiente seguro e contextualizado”, diz Garcia.
Por que o impacto varia entre empresas
O impacto mais imediato ainda aparece no nível operacional, especialmente em tarefas repetitivas que consomem grande parte do tempo do RH — sobretudo em pequenas e médias empresas, onde a área costuma acumular funções administrativas.
“Um exemplo é a validação e distribuição de holerites, uma rotina que pode levar, em média, duas horas para ser concluída manualmente e que passa a ser executada em cerca de dois minutos com IA.”
Mas a proposta da Sólides vai além da automação. No nível tático, a tecnologia já apoia o ranqueamento de currículos e a análise de aderência técnica e comportamental de candidatos. No estratégico, entra em análises mais avançadas, como predição de rotatividade, identificação de desengajamento e leitura de indicadores de desempenho e custos.
Apesar do avanço, a empresa reforça que a tecnologia não substitui decisões humanas, especialmente nas mais sensíveis, como contratação, promoção ou desligamento.
“A IA não substitui o julgamento humano. O papel dela é ampliar a capacidade de análise, trazer mais consistência e identificar padrões.”
Na prática, a ideia é reduzir a subjetividade e aumentar o uso de dados, sem retirar o papel do gestor ou do RH nas decisões finais.
Quais os próximos passos da Sólides
Segundo Garcia, o ganho com IA não depende necessariamente do tamanho da empresa, mas do nível de organização da gestão de pessoas. Empresas com processos mais estruturados e dados organizados tendem a capturar mais valor da tecnologia.
“Esse ganho costuma ser mais visível em empresas com maior maturidade na gestão de pessoas, independentemente do porte. Na prática, uma empresa com 50 colaboradores pode ter ganhos mais expressivos do que uma de 500, se já operar com processos integrados e tecnologia de gestão.”
Hoje, a IA da Sólides cobre mais de 70% da jornada do colaborador, com meta de chegar a 100% até 2026. O objetivo é ampliar a presença da tecnologia em etapas ainda menos digitalizadas e evoluir de automação para recomendações mais personalizadas.
“Nosso objetivo não é fazer da IA apenas uma ferramenta de automação, mas transformá-la em uma camada real de inteligência estratégica dentro da gestão de pessoas.”
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