Empresa de energético de SC desafia gigantes e investe R$ 300 milhões em nova fábrica
“O obstáculo é o caminho. Nada pode nos parar”, afirma Dayane Titon, CEO da Baly, empresa de energéticos que alavancou no Brasil nos últimos anos desafiando gigantes do setor, como Moster e Red Bull.
“Queremos crescer 50% neste ano. A cada dois anos, praticamente dobramos de tamanho”, afirma Dayane Titon, CEO da Baly, durante o podcast "De frente com CEO", da EXAME.
Entre 2022 e 2025, a empresa cresceu 42%, o dobro do mercado de energéticos no Brasil, que avançou 21% no mesmo período, segundo a NielsenIQ. Em 2025, a Baly liderou o mercado em volume de vendas em quatro meses: março, abril, julho e dezembro. Com isso, fechou o último ano com faturamento de R$ 1,8 bilhão.
“Prevemos crescer 40% em faturamento neste ano”, diz a CEO da Baly.
Para sustentar esse avanço, a fabricante catarinense de energéticos está investindo R$ 300 milhões em um novo parque fabril em Santa Catarina, em Araranguá. A estrutura deve ampliar a capacidade produtiva da companhia nos próximos anos e gerar 1.000 empregos na região.
“Esse parque fabril terá 500.000 metros quadrados, com 100.000 metros quadrados de área construída”, diz a CEO que afirma que o investimento tem como foco o crescimento dos próximos três anos.
Além de Araranguá, a Baly já tem três unidades fabris, duas em Tubarão e uma em Treze de Maio, todas em Santa Catarina.
Veja a entrevista completa de Dayane Titon, CEO da Baly, ao podcast "De frente com CEO", da EXAME:
A origem da Baly
Fundada em 1997 pela família Titon, a companhia começou produzindo cachaça e vinho no interior de Santa Catarina.
Dayane começou cedo dentro do negócio. Segundo ela, ainda adolescente já participava da rotina administrativa e industrial da companhia. A CEO relembra que a família fazia de tudo um pouco para manter a operação funcionando, desde carregar caminhões até encher garrafas manualmente.
“Enchia as garrafinhas de cachaça e vinho na mão mesmo, porque a gente não tinha recurso. Iniciar um negócio do zero não é fácil”, disse.
Ela também comentou que viveu uma rotina de muito esforço para estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Como morava em uma cidade pequena do interior catarinense, precisou buscar formação em municípios próximos e, muitas vezes, dependia de carona para conseguir frequentar as aulas.
Foi justamente essa vivência próxima da operação e das dificuldades da família que a ajudou a construir o DNA resiliente da empresa. O energético só surgiu anos depois, em 2009, quando a companhia decidiu apostar em um produto mais acessível em uma categoria ainda dominada por marcas premium.
A estratégia deu certo. O energético em embalagem PET e preço mais democrático rapidamente ganhou espaço no Sul do Brasil e abriu caminho para que a Baly se transformasse em uma das principais fabricantes nacionais do setor.
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Os novos produtos vêm aí
O avanço da Baly acontece em um mercado historicamente liderado por multinacionais como Red Bull e Monster Energy. Segundo Titon, a empresa catarinense já é responsável por 40% do crescimento da categoria de energéticos no Brasil.
Para competir, a companhia aposta em inovação constante, regionalização e velocidade. Um dos exemplos citados pela executiva foi o energético sabor melancia, criado após um insight obtido com um supermercadista sobre tendências internacionais.
“A Baly conseguiu lançar o produto em cerca de dois meses, antes de grandes concorrentes internacionais chegarem ao Brasil com o sabor”, afirma.
Um dos grandes cases de inovação foi o energético “Baly Tadala”, produto que viralizou nas redes sociais e, segundo Titon, faturou R$ 50 milhões em apenas 50 dias.
“Se o Baly Tadala fosse uma marca independente, já seria a quarta marca mais vendida do Brasil”, afirmou a CEO.
A empresa também ampliou sua atuação para produtos ligados ao movimento wellness. Entre os lançamentos previstos estão bebidas sem açúcar, linhas com colágeno, produtos com menos cafeína e até versões sem taurina e sem cafeína voltadas para consumidores com restrições ou sensibilidade a estimulantes.
“Hoje o consumidor quer saudabilidade, mas sem abrir mão da experiência e do pertencimento à marca”, diz Titon.
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Expansão internacional
Além do crescimento no Brasil, a empresa acelera sua presença no exterior. A Baly já atua em países da América Latina, com destaque para o Paraguai, onde, segundo a CEO, a companhia se tornou líder de mercado após seis anos de operação.
Agora, a empresa mira mercados maiores, como Estados Unidos, México e Espanha. A aposta internacional faz parte da estratégia de transformar a marca em uma companhia global de bebidas funcionais.
“O mundo pede Baly pela nossa inovação”, afirma Titon. “Se o cliente precisa, a gente precisa entregar.”
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IA, TikTok e vendas digitais
A companhia também vem ampliando investimentos em inteligência artificial e canais digitais para acelerar vendas e análise de dados. Segundo Titon, a IA tem sido usada para leitura de comportamento do consumidor, apoio ao varejo e ganho de eficiência operacional.
Nas vendas, a empresa reforçou presença em plataformas como TikTok Shop, Shopee e Mercado Livre, além de estruturar um projeto próprio de e-commerce para ampliar o acesso a sabores exclusivos e produtos de edição limitada.
“A Baly cresce porque escuta o consumidor”, diz a CEO. “E o consumidor está em todo lugar, logo a marca também precisa estar. Afinal, empreender exige coragem e inovação diária”, diz.
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