Empresa de engenharia aposta em equipes globais contra falta de mão de obra
A escassez de mão de obra qualificada no setor de infraestrutura tem levado a multinacional portuguesa Quadrante Group a buscar soluções além das fronteiras brasileiras.
A resposta da companhia passa por uma estratégia de internacionalização das equipes, tanto na formação quanto na alocação de profissionais.
“Nossos colaboradores se deslocam internacionalmente para trabalhar com outras equipes, em projetos que normalmente não estariam fazendo em seu escritório original”, afirmou Pedro Moniz, CEO do grupo, em entrevista ao EXAME Infra.
O Quadrante Group é uma empresa focada em engenharia consultiva e atua no Brasil há cerca de 15 anos. Segundo Moniz, o atual cenário de pico de investimentos em infraestrutura, com aumento do Capex, investimentos em bens de capital, impulsiona o intercâmbio entre os escritórios.
Esse movimento não ocorre em apenas uma direção. Além de trazer especialistas de outros países para o Brasil, o Quadrante Group também envia profissionais brasileiros para atuar no exterior. “Essas pessoas tornam-se profissionais que têm outro tipo de vivência, outro tipo de experiência, outra forma de execução.”
Essa combinação de perfis, segundo o executivo, gera ganhos diretos na qualidade dos projetos. Ao integrar equipes com diferentes formações e referências, a empresa consegue desenvolver soluções mais completas e adaptáveis. “Acaba trazendo um mix muito interessante para o projeto”, afirmou.
Ao mesmo tempo, a estratégia ajuda a mitigar um dos principais gargalos do setor. A falta de profissionais qualificados é apontada como um dos maiores desafios para atender ao volume de investimentos previsto para os próximos anos.
Segundo o CEO, a integração entre equipes de diferentes países também traz desafios. Diferenças culturais, regulatórias e até mesmo de concepção de projetos exigem um processo constante de adaptação.
Moniz citou como exemplo as divergências na área de engenharia predial. “A forma como fazemos projetos de eletricidade predial na Europa é totalmente diferente de como fazemos no Brasil”, afirmou.
“A percepção de espaço físico, de ergonomia, de interiores é completamente diferente entre culturas e países”, disse. Para o executivo, essas diferenças reforçam a importância de combinar conhecimentos locais e internacionais, especialmente em projetos mais complexos.
Além das questões culturais, há também diferenças do ponto de vista técnico e regulatório. Em alguns casos, as exigências normativas estão diretamente ligadas às características geográficas de cada país. “O Chile, por exemplo, tem uma atividade sísmica muito relevante. A norma sísmica no Chile é completamente diferente, sendo uma das mais exigentes do mundo.”
Para Moniz, esse aprendizado contínuo é parte essencial da estratégia da empresa. “Existem especialidades dentro da engenharia que são mais internacionais, mas existem outras que são mais específicas”, disse.
Segundo ele, a capacidade de transitar entre esses dois universos permite à companhia atuar em múltiplos mercados.
Protagonismo latino-americano
O movimento de internacionalização das equipes acompanha também a expansão geográfica das operações.
“A América Latina está se tornando um dos maiores polos de atividade para o grupo”, afirmou.
Ele cita projetos em países como Chile, Peru, México, Colômbia, Equador e Panamá.
“O Chile está vivendo um programa de construções rodoviárias relevante, com forte investimento em energia”, afirmou Moniz.
Já em outros mercados da região, como México e Peru, o executivo destacou o avanço de projetos de infraestrutura viária.
Data centers e nova fronteira de competitividade
Outro tema que ganha espaço no debate sobre infraestrutura no Brasil e na região é o avanço dos data centers, centros de processamento e armazenamento de dados. Para Moniz, o setor ainda está em desenvolvimento no país, mas apresenta potencial relevante de crescimento.
Segundo ele, o aumento da demanda por processamento de dados e serviços em nuvem exige respostas mais rápidas dos países que querem atrair investimentos nesse segmento.
No entanto, a competitividade nesse mercado não depende apenas da demanda. “O foco deve ser a regulação e trazer mais incentivos para não perdermos a onda da IA”, afirmou.
Países que conseguirem oferecer ambiente regulatório mais previsível tendem a sair na frente na disputa por novos projetos de data centers. “Os investidores externos precisam sentir o Brasil como um porto seguro”, disse Moniz.
EXAME Infra
O EXAME Infra é o podcast da EXAME em parceria com a empresa Suporte, especializada em soluções para obras e projetos de infraestrutura. O programa tem episódios quinzenais disponíveis no YouTube da EXAME.
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