Empresa de geradores movimenta R$ 217 milhões e mira dobrar de tamanho com demanda contra apagões
A corrida global por tecnologia está criando um novo gargalo para a infraestrutura brasileira: energia. Enquanto empresas disputam espaço para instalar data centers no país, a rede elétrica enfrenta pressão crescente de eventos climáticos e aumento do consumo.
Nesse cenário, a Energ Geradores encontrou um mercado em expansão. Fundada em 2003 no ABC Paulista, a empresa atua na área de segurança energética, fornecendo sistemas de backup para hospitais, operadoras de telecomunicações, indústrias e data centers.
A companhia decidiu acelerar os investimentos após registrar crescimento de 44% no último ciclo. O volume total de negócios chegou a R$ 217 milhões, sendo R$ 147 milhões em faturamento direto e outros R$ 70 milhões em equipamentos comercializados pela americana Generac, fabricante da qual a Energ é a maior distribuidora no Brasil.
O plano é alcançar R$ 350 milhões em faturamento até 2029, sem recorrer a aquisições. O crescimento virá por meio de investimentos próprios em estrutura, frota de locação e novas soluções de geração e armazenamento de energia.
Como a empresa começou
A Energ nasceu prestando serviços de manutenção de grupos geradores. Os primeiros clientes vieram da rede de contatos de Paulo Moreira, fundador da companhia e profissional que já acumulava décadas de experiência no setor. Redes como Pão de Açúcar e Telefônica, atual Vivo, estiveram entre os primeiros contratos.
Durante os 10 primeiros anos, a expansão ocorreu principalmente por indicação. “Nosso principal marketing sempre foi um cliente indicando outro cliente”, diz Bruno Moreira, CEO da Energ e filho de Paulo Moreira.
A empresa começou atendendo apenas sete geradores. Hoje monitora mais de 3.600 equipamentos em operação em todo o país e conta com 266 funcionários.
A partir de 2013, a companhia ampliou o escopo ao se tornar distribuidora da Generac. Depois vieram projetos de implantação, locação de equipamentos e sistemas completos de segurança energética.
O boom dos data centers mudou o mercado
O principal vetor de crescimento da Energ hoje é o mercado de data centers. A expansão da inteligência artificial exige estruturas cada vez maiores e mais intensivas em consumo de energia.
“O consumo de energia só aumenta. Você tem eletrificação, crescimento dos data centers e uma demanda cada vez maior por disponibilidade”, afirma Moreira.
Segundo o executivo, a potência instalada nos empreendimentos aumentou de forma acelerada nos últimos anos. Se antes os projetos operavam com poucos geradores, os novos complexos exigem dezenas ou até centenas de equipamentos de grande porte.
“No mercado de missão crítica, como data centers, hospitais e telecomunicações, a garantia de energia faz parte do próprio negócio do cliente. Eles não podem correr o risco de ficar sem energia”, diz.
“O Brasil tem disponibilidade de energia, conectividade e uma matriz energética diversificada. Mas ainda existem gargalos na rede de transmissão e distribuição”.
Crescer sem comprar concorrentes
Enquanto diversos setores de infraestrutura apostam em fusões e aquisições para ganhar escala, a Energ decidiu seguir outro caminho. A companhia descarta a compra de concorrentes e pretende acelerar a expansão por meio de investimentos próprios.
O desafio não está em conquistar novos clientes, mas em ampliar a capacidade operacional para atender uma demanda que cresce junto com o consumo de energia e a expansão dos data centers.
“Já temos mercado e carteira de clientes. O que precisamos é ampliar nossa estrutura para atender a demanda que está chegando”, afirma Moreira.
O plano envolve investimentos em equipes técnicas, ampliação da cobertura nacional e aumento da frota de locação de geradores. A locação é uma área estratégica porque permite atender clientes que precisam de energia temporária em obras, eventos, paradas programadas de manutenção ou situações emergenciais.
Segundo Moreira, assumir a propriedade dos ativos também aumenta o controle da operação. Em vez de depender de terceiros, a empresa busca manter sob sua gestão todas as etapas do serviço, desde o projeto e a instalação até a manutenção e a locação dos equipamentos.
Se hospitais, operadoras de telecomunicações e data centers já tratam a segurança energética como prioridade, o cenário é diferente entre pequenos negócios e consumidores residenciais.
Segundo Moreira, muitos clientes só procuram uma solução depois de enfrentar interrupções no fornecimento. “Não adianta esperar a chuva chegar para começar a se planejar. Quando a energia acaba, a demanda por geradores dispara e a instalação não acontece de um dia para o outro”, afirma.
Nesse cenário, a empresa espera crescer principalmente em residências de alto padrão, impulsionadas pela maior eletrificação das casas, sistemas de automação e trabalho remoto.
ESG entra na equação
A expansão dos data centers trouxe uma nova exigência para o setor de energia de contingência: reduzir emissões sem abrir mão da confiabilidade.
Tradicionalmente, os sistemas de backup utilizam geradores movidos a diesel, mas grandes empresas de tecnologia passaram a pressionar fornecedores por alternativas mais alinhadas às metas de descarbonização.
Para atender essa demanda, a Energ vem ampliando a oferta de geradores a gás natural, biometano e sistemas BESS, sigla em inglês para sistemas de armazenamento de energia por baterias.
“Muitos clientes já demandam soluções mais eficientes e com menor emissão. O desafio ainda é o investimento inicial mais elevado”, afirma Moreira.
No caso dos geradores a gás, a redução pode chegar a 80% das emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) e a 35% das emissões de carbono em comparação aos modelos movidos a diesel.
A aposta da companhia é que a combinação entre segurança energética e metas ambientais acelere a demanda por essas soluções nos próximos anos.
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