Ingresse compra plataforma para reduzir filas em shows e mira R$ 4,5 bi em vendas
A Ingresse, plataforma de venda de ingressos e tecnologia para eventos, comprou a Meep, empresa especializada em soluções cashless para festivais e shows. Na prática, a plataforma adquirida opera cartões em que o cliente abastece com dinheiro para consumir dentro de eventos. O valor da transação não foi divulgado.
Com a aquisição, a Ingresse incorpora uma operação que movimenta cerca de R$ 2 bilhões por ano em GMV (Gross Merchandise Value, ou valor bruto de mercadorias transacionadas) - métrica usada para medir o volume financeiro processado em suas plataformas. Diferentemente da receita, o indicador representa o valor total das transações realizadas por clientes e usuários.
A Meep atende mais de 4 mil clientes entre eventos, bares, restaurantes e pontos de venda. Segundo a Ingresse, a integração permitirá reduzir entre 30% e 50% o tempo médio de filas em grandes eventos por meio de funcionalidades como carregamento antecipado de saldo, integração de pagamentos e gestão operacional em tempo real.
A operação ocorre em um momento de expansão da empresa. A Ingresse afirma ter movimentado mais de R$ 2 bilhões em GMV em 2025 e projeta alcançar R$ 4,5 bilhões em 2026.
Além da venda de ingressos
Fundada em 2012, a Ingresse começou como uma plataforma de venda de ingressos, mas vem ampliando sua atuação para diferentes etapas da jornada do consumidor em eventos.
Nos últimos anos, a companhia realizou oito aquisições, incluindo Ticket Sports e Ingresso Nacional. A compra da Meep tem uma característica diferente: em vez de incorporar um concorrente direto, adiciona uma nova camada de serviços ao ecossistema da empresa.
A estratégia é ampliar a presença da companhia em toda a operação dos eventos, desde a comercialização dos ingressos até o consumo de alimentos, bebidas e produtos dentro dos espaços.
"A experiência do público não termina na compra do ingresso. Existe toda uma jornada dentro do evento que precisa ser eficiente para consumidores, produtores e operadores", afirma Gabriel Benarrós, CEO da Ingresse.
Hoje a empresa atua em mais de 17 países e opera alguns dos maiores festivais e eventos da América Latina.
Menos filas, mais consumo
Sistemas cashless substituem dinheiro e cartões físicos por carteiras digitais, pulseiras ou créditos pré-carregados, reduzindo o tempo de atendimento nos pontos de venda.
A expectativa da companhia é que a tecnologia da Meep permita aumentar a velocidade das operações e reduzir gargalos em eventos de grande porte.
Além da experiência do consumidor, a integração também amplia a capacidade de coleta e análise de dados sobre comportamento de compra, fluxo de pessoas e consumo dentro dos eventos.
Ecossistema de serviços
A aquisição da Meep acontece poucos dias após a Ingresse anunciar uma plataforma oficial de revenda de ingressos. A nova ferramenta permite que usuários revendam entradas dentro do próprio ambiente da empresa, com autenticação automática e transferência de titularidade.
Com isso, a companhia passa a atuar também no mercado secundário de ingressos, buscando reduzir fraudes e ampliar o controle sobre toda a jornada do consumidor.
Os dois movimentos fazem parte de uma estratégia maior de consolidação do ecossistema da empresa, que busca reunir venda de ingressos, controle de acesso, pagamentos, revenda oficial e gestão de dados em uma única infraestrutura tecnológica para produtores de eventos.
"Nossa visão é oferecer uma plataforma integrada capaz de atender todas as necessidades dos organizadores e melhorar a experiência do público do início ao fim da jornada", diz Benarrós.
Do Amazonas a Stanford: a trajetória por trás da Ingresse
Benarrós criou a Ingresse ainda na faculdade, enquanto cursava graduação em Stanford, nos Estados Unidos. A ideia nasceu como um projeto acadêmico que buscava resolver um problema que ele identificava no mercado brasileiro de entretenimento: a digitalização da venda de ingressos. O professor da disciplina acabou se tornando o primeiro investidor-anjo da companhia.
Originalmente de Manaus, Benarrós deixou o curso para voltar ao Brasil e empreender. Em São Paulo, transformou o projeto universitário em uma empresa que começou focada em ingressos e passou a ampliar sua atuação para diferentes etapas da experiência em eventos.
“A gente sempre fala aqui dentro que a Ingresse atua com tudo que envolve paixão e que ocorre ao vivo”, afirma o executivo.
Ao longo dos anos, a companhia passou a trabalhar com grandes produtores e eventos de música, esportes e entretenimento, incluindo festivais, clubes de futebol e provas esportivas.
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