'Jovem inteligente que ama seu país', diz Trump sobre encontro com Flávio Bolsonaro

Por Mateus Omena 2 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'Jovem inteligente que ama seu país', diz Trump sobre encontro com Flávio Bolsonaro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) após sua visita à Casa Branca na última semana. A declaração foi feita nas redes sociais nesta terça-feira, 2.

"Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil! Presidente DONALD J. TRUMP", declarou o republicano, em um post no Truth Social.

A visita do pré-candidato à presidência do Brasil ocorreu em 26 de maio. Ele posou para uma foto com Trump na Casa Branca, ao lado do presidente, no Salão Oval. Além disso, outra imagem mostrou os dois também com Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. As fotos foram divulgadas anteriormente pela campanha de Flávio.

A visita de Flávio ocorreu semanas depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com Trump, em 7 de maio. Na ocasião, os dois se reuniram por mais de três horas e almoçaram.

O senador enfrenta uma crise nas últimas semanas após as revelações de sua relação próxima com Daniel Vorcaro e dos R$ 61 milhões que o banqueiro destinou à produção do filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro.

Possibilidade de tarifa de 25% ao Brasil

O governo dos Estados Unidos anunciou, na noite de segunda-feira, 1º, que o Escritório do Representante Comercial (USTR) determinou que o Brasil agiu de forma não razoável no comércio bilateral, como parte da investigação aberta por meio da Seção 301.

Por conta disso, o USTR propôs que os EUA passem a cobrar do Brasil uma tarifa extra de 25%, com algumas exceções. A medida, no entanto, ainda não foi aplicada e haverá espaço para mais negociações, até 15 de julho.

"Hoje, o Representante Comercial dos Estados Unidos determinou, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis ​​e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio", disse o USTR, em comunicado.

No momento, ainda não foram anunciadas novas tarifas, mas a "proposição de ações corretivas para consulta pública, enquanto os Estados Unidos continuam a dialogar intensamente com o Brasil para buscar a resolução das preocupações americanas", disse o órgão.

Uma audiência sobre o tema foi proposta para o dia 6 de julho, que será aberta a depoimentos de interessados em se posicionar contra ou a favor do país.

Se os EUA mantiverem o entendimento de que o Brasil não adotou medidas corretivas, poderá implantar novas tarifas contra o país, além das que já estão em vigor.

"Iniciei esta investigação nos termos da Seção 301 a pedido do Presidente Trump para abordar preocupações antigas e generalizadas dos EUA com certas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o Presidente Trump e eu tivemos diversas reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas", disse o representante Jamieson Greer, chefe do USTR.

"Contudo, ainda temos divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Aguardo com expectativa a continuidade do diálogo com o Governo brasileiro antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas", afirmou.

Críticas do governo Lula

O governo do presidente Lula apresentou sua indignação com a decisão do Escritório do Representante Comercial (USTR) dos Estados Unidos. Para o Planalto, a medida foi tomada em razão do envolvimento do senador Flávio Bolsonaro, após sua visita a Washington.

Segundo o comunicado do governo dos EUA, o Brasil agiu de forma não razoável no comércio bilateral, como parte da investigação aberta por meio da Seção 301.

Em nota, o Planalto lamentou que a posição dos Estados Unidos após meses de negociações envolvendo Lula e Trump, e afirmou que os avanços diplomáticos foram prejudicados pelo senador Flavio Bolsonaro, também pré-candidato às eleições presidenciais, por interesses familiares e eleitorais.

"Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais", disse o governo.

E acrescentou: "É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares".

*Em atualização.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: