Empresa de IA cresce 150% sem investidor e mira dobrar receita em 2026
Sem investidores, dívida ou rodada de venture capital, a AutoU encerrou 2025 com crescimento de 147% na receita, alcançando R$ 4,2 milhões e um valuation que a própria empresa estima entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões.
A companhia carioca se define como uma “arquitetura de IA para ambientes complexos” e diz operar hoje mais de 150 ferramentas digitais em 15 países, impactando 150 mil colaboradores em grupos como Stellantis, B3, Saint-Gobain, Nestlé e L’Oréal.
O negócio está posicionado entre consultorias tradicionais e softwares de prateleira: entra para entender processos, redesenhar fluxos e, a partir daí, construir aplicações próprias de IA — de motores de recomendação a chatbots corporativos.
Segundo a empresa, o faturamento vem crescendo, em média, 75% ao ano desde 2021. A meta para 2026 é dobrar novamente a receita, chegando a R$ 8 milhões.
Quem está por trás?
A história começou em 2020, em plena pandemia, quando Lucas Fernandes Lima e Eduardo Júnior Nery, então consultores de processos em grandes empresas, decidiram transformar a rotina de “planilhas e sistemas travados” em produto.
O primeiro grande teste veio com a L’Oréal, que contratou a dupla para automatizar a gestão de treinamentos. O resultado foi um aplicativo que montava, com algoritmo próprio, planos de desenvolvimento personalizados para mais de 2.000 colaboradores.
A partir daí, os fundadores deixaram os empregos em consultoria, formalizaram a empresa e seguiram focados em clientes de grande porte, com faturamento acima de R$ 500 milhões.
A tese é que empresas desse porte concentram processos mais fragmentados, maior potencial de ganho com automação — e têm tíquete para bancar projetos de R$ 200 mil a R$ 500 mil, algo pouco viável no médio mercado.
IA sob medida
Para a B3, a AutoU integrou algoritmos de IA aos sistemas da bolsa para analisar centenas de documentos e cadastros em tempo real, checar consistência de informações e apoiar analistas na aprovação ou reprovação de pedidos, além de conversar com clientes por meio de um assistente virtual.
Segundo a AutoU, isso permitiu automatizar a triagem de dezenas de milhares de e-mails e documentos e economizar milhares de horas de trabalho manual, com redução de cerca de 30% nos custos de infraestrutura do processo.
Na Stellantis, a AutoU levou a gamificação para o chão de fábrica. O 'Garagem Stellantis' ensina regras de conduta e segurança a mais de 30 mil funcionários operacionais em forma de jogo de celular: o colaborador monta sua própria garagem virtual com carros da montadora à medida que acerta perguntas e desafios.
A experiência começou no Brasil e foi expandida para mais de 15 países, incluindo Índia, Japão e Austrália. Segundo a empresa, o índice global de compliance da montadora em algumas categorias passou de cerca de 40% para mais de 80% nas unidades em que o game foi implementado.
O que vem por aí?
Para 2026, a AutoU pretende manter o crescimento orgânico, sem abrir mão do modelo bootstrapped, e começar a testar uma expansão internacional, primeiro via multinacionais que já atende em outros países e, depois, com entrada direta na América do Norte.
A disputa, porém, não é simples. A empresa atua em um cruzamento onde concorrem de consultorias tradicionais a equipes internas de TI — estruturas que, em muitos casos, já têm orçamento reservado ou relação de longa data com as companhias.
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