Empresa que já impactou 3 milhões de pessoas em eventos quer vencer agora 'fator Mounjaro'
O entretenimento ao vivo deixou de ser apenas uma agenda cultural para se consolidar como um dos motores da economia criativa no Brasil. Segundo dados de 2025 da PwC/Live Entertainment, o país é hoje o segundo maior mercado de shows ao vivo do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Já o setor de eventos como um todo movimentou R$ 813,5 bilhões no Brasil em 2024, o equivalente a 4,6% do PIB nacional,de acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) com o Sebrae.
O levantamento mostra o tamanho da engrenagem por trás de palcos, arenas, festivais e congressos. Em 2024, cerca de 300 mil empresas realizaram 10,1 milhões de eventos no país, reunindo 1,7 bilhão de pessoas e gerando aproximadamente 12,7 milhões de empregos. O impacto passa por setores como hospedagem, alimentação, transporte, tecnologia, segurança, comunicação e produção audiovisual.
É nesse mercado que o Grupo Onda construiu sua operação. Liderada pelos sócios Jaison Vieira, Diogo Duilio e Cristóvão Neto, a empresa atua em diferentes partes da cadeia do entretenimento e já impactou mais de 3 milhões de pessoas, realizou mais de 520 eventos, passou por mais de 20 estados e 130 cidades e comercializou mais de 1.300 shows.
Fusão na pandemia
A história do Grupo Onda começa em um momento improvável para o setor: a pandemia. Jaison Vieira, de Florianópolis, Diogo Duilio, do Rio de Janeiro, e Cristóvão Neto, da Bahia, já tinham empresas próprias e projetos em comum antes de decidir unir as operações.
“Se tiver que ser, é agora”, disse Vieira, ao lembrar a resposta que deu aos sócios quando a fusão entrou em pauta. O movimento foi na contramão do mercado. Enquanto empresas demitiam e eventos eram cancelados, os sócios passaram cinco meses planejando a nova companhia.
O Grupo Onda (nome escolhido já que os três fundadores viviam em cidades litorâneas) passou a operar oficialmente em 2022. Desde então, cresceu apoiada em uma lógica de parcerias e presença regional. Hoje, tem bases em Florianópolis, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.
Hoje, o grupo se apresenta como um ecossistema 360º. Na prática, isso significa atuar em cinco frentes: produção de eventos, realização de eventos, gestão de labels, gestão de carreira e representação artística. Na produção de eventos, a empresa é contratada para executar projetos de terceiros — de uma marca, uma companhia ou um artista — sem necessariamente assumir o risco comercial da operação. Na realização de eventos, o Grupo Onda se torna sócio do projeto.
A terceira frente é a gestão de labels, uma das áreas mais visíveis da empresa. O portfólio inclui projetos como Ensaios da Anitta, um dos principais eventos de Carnaval do país. Cada label (marca musical) tem um núcleo nacional responsável por planejar a expansão, adaptar o projeto às cidades e preservar a experiência do público.
A empresa também atua na gestão de carreira e representação artística de nomes como Dilsinho, Ferrugem, Matheus Fernandes, Kamisa 10 e Atitude 67. O grupo também assina ou colabora em projetos como Tardezinha, de Thiaguinho, Numanice, de Ludmilla, Luan City Festival, de Luan Santana, Sorriso Maroto As Antigas, do Sorriso Maroto, e Churrasquinho Menos é Mais, do grupo de pagode do mesmo nome.
Mesmo show, vários Brasis
Para Jaison Vieira, produzir entretenimento no Brasil significa lidar com custos altos, diferenças regionais e um território continental. Ele afirma que o primeiro desafio é entender que uma label não pode ser simplesmente copiada de uma cidade para outra. “O Brasil é um continente. O que funciona no Sul não significa que vai funcionar no Norte ou no Nordeste ou no Sudeste.”
A fim de manter a consistência das experiências, o Grupo Onda combina equipes locais com times nacionais. No caso do Churrasquinho Menos é Mais, por exemplo, a operação viaja com mais de 20 profissionais para cada cidade. O objetivo é garantir que a jornada entregue ao público em São Paulo seja comparável à de Fortaleza ou Florianópolis, ainda que cada praça tenha fornecedores, hábitos de consumo e estruturas diferentes.
Vieira afirma o público passou a exigir cada vez mais entrega. “O público não quer mais apenas ver um show no palco. Ele quer viver uma jornada de experiência, quer experimentação, quer comunidade, quer pertencer, quer algo mais do que apenas ir lá, assistir, ouvir uma música, tomar uma cerveja e ir para casa”, diz.
Churrasquinho Menos é Mais em Fortaleza: turnê começou em Ribeirão Preto, em SP, e rodou o Brasil (Hype Films/Divulgação/Grupo Onda)
'Fator Mounjaro'
Além dos desafios tradicionais, Vieira chama atenção para uma mudança de comportamento que começa a bater no caixa dos eventos: o que ele chama de “fator Mounjaro”. O termo, usado em referência às canetas emagrecedoras, aparece como símbolo de uma transformação maior nos hábitos de consumo.
"Esse cuidado com a saúde vem fazendo com que as pessoas se alimentem menos, passem a comer mais saudável e não queiram mais beber tanto", explica. Para o setor, isso importa porque parte relevante da rentabilidade de eventos depende do consumo dentro dos eventos com bebidas e alimentos.
Vieira afirma que o grupo já sente esse impacto no faturamento em alguns momentos. Mas, para ele, o diferencial não é resistir à mudança, e sim entender o que o público passa a valorizar. “Nós precisamos entregar experiências que sejam compatíveis com o que o público está pagando, com o que faça ele sair de casa para poder curtir o nosso evento”, diz.
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