Enchente em Juiz de Fora deixa prejuízo de até R$ 600 mil e força reestruturação de fábrica de meias
Somente na segunda-feira, 23, a cidade de Juiz de Fora (MG) registrou 190 milímetros de chuva. Dois dias depois, uma nova chuva ultrapassou 80 milímetros em alguns pontos da cidade.
A empresa JBS Meias, no bairro Jardim Esperança, teve a fábrica alagada nos dois dias. O prejuízo ainda está sendo calculado, mas pode chegar a 600 mil reais.
“Minha irmã e meu pai ficaram na fábrica até por volta das 21h. Já chovia, mas parecia algo normal, aquelas poças no asfalto que sempre aparecem quando chove. Voltaram para casa. Mas, vendo a chuva persistir, perceberam pelas câmeras de segurança que a água já tinha alcançado o assento de uma poltrona na entrada da fábrica”, diz Nathalia Souza Carneiro, que toca a empresa ao lado dos pais e das irmãs.
Eles tentaram ir até o endereço para salvar computadores e celulares, mas as ruas até lá estavam inundadas e impediam a passagem.
Voltaram no dia seguinte, quando encontraram a fábrica com o nível de água reduzido em relação à noite anterior.
Pela mancha na parede, dava para ver que o nível da água tinha chegado a cerca de 1,70 metro. O primeiro pensamento ao ver o cenário, com estoques e máquinas revirados, foi o de que tudo tinha acabado.
No meio da lama, começaram a buscar os três celulares e os computadores da empresa. Levaram os equipamentos para uma assistência técnica, onde conseguiram recuperar todos os celulares e dois notebooks.
“Todas as conversas com os clientes e os pedidos estão nos celulares. Também conseguimos recuperar os arquivos e logos usados na produção das meias personalizadas.”
Os estoques foram separados entre as meias que ficaram secas e as que estavam úmidas ou molhadas. Foram pelo menos mil pares molhados — que, em parceria com uma lavanderia da cidade, serão lavados para serem doados às vítimas da chuva.
“Conseguimos separar e analisar as meias secas, encontrar o que era de cada cliente e enviar o que sobrou ou avisar um novo prazo. Estamos avisando individualmente sobre as quantidades disponíveis e, até agora, apenas quatro optaram pelo ressarcimento”, diz Carneiro.
A matéria-prima, cerca de 90% dos fios para a produção das meias, foi descartada, assim como os móveis de madeira.
A família mobilizou uma força-tarefa para retirar e limpar os maquinários antes que o barro secasse: um total de oito máquinas de produção, além de equipamentos auxiliares.
Mas Carneiro ainda aguarda a visita de técnicos para entender se as máquinas seguem funcionando. A empresa também tenta recuperar parte do dinheiro por meio do seguro das máquinas.
Ela estima que, em um cenário em que nenhuma das máquinas seja recuperada, o prejuízo chegue a cerca de R$ 600 mil.
Reestruturação
Além das meias personalizadas, a empresa conta com a frente de meias de pronta-entrega, que estavam estocadas em outro endereço da cidade, que não foi inundado.
Para garantir caixa no curto prazo, a empresa está vendendo esse produto. A estratégia emergencial rendeu cerca de R$ 2,7 mil em dois dias e tem ajudado a custear despesas imediatas, como técnicos e insumos básicos.
Ao mesmo tempo, os pedidos personalizados em andamento estão sendo reorganizados, com contato direto com os clientes para definir entregas parciais, novos prazos ou ressarcimentos.
Para os pedidos feitos antes da chuva e que demandam mais urgência, a empresa está usando três máquinas da empresa do tio de Carneiro, que também atua no setor têxtil.
Já os anúncios para novos clientes foram pausados até que a empresa se reorganize.
Negócio de família
A trajetória da JBS Meias vem de uma tradição familiar. “O meu avô, de 80 anos, trabalha até hoje e sempre teve uma fábrica de meias”, diz Carneiro.
Mas cada um dos filhos seguiu com um negócio próprio. O pai de Carneiro, João Batista de Souza, é o dono da JBS Meias e apostou em meias sociais para homens — mas o foco mudou ao longo dos anos.
“No início, tínhamos apenas uma máquina, que produzia meias de algodão mais tradicionais. Porém, entendemos que não dava para competir com o preço das meias importadas vendidas online. Há dois anos, decidimos apostar na personalização para agregar valor ao produto”, afirma.
Foi com essa mudança que a empresa começou a crescer. A fábrica atingida pela chuva é posterior a essa mudança. A empresa estava no local há menos de um ano e já contava com oito máquinas.
Em breve, o galpão não será mais a casa da JBS Meias. “A gente não vai ficar mais lá. O medo é reconstruir tudo e a enchente acontecer de novo, então decidimos procurar um lugar mais seguro para recomeçar”, diz Carneiro.
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