Entidades apontam possível golpe eleitoral nos EUA que pode favorecer Trump; entenda

Por Da Redação 2 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Entidades apontam possível golpe eleitoral nos EUA que pode favorecer Trump; entenda

Entidades ligadas ao movimento negro e à defesa dos direitos civis nos Estados Unidos denunciam um ataque à democracia após a Suprema Corte, de maioria conservadora, invalidar o mapa eleitoral do Congresso no estado da Louisiana.

O presidente da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), Derrick Johnson, afirmou que a democracia norte-americana “clama por socorro”.

Segundo ele, a decisão representa “um golpe devastador” contra o que resta da Lei dos Direitos de Voto e abre espaço para que políticos manipulem o sistema ao silenciar comunidades inteiras. Johnson declarou ainda que a Suprema Corte traiu os eleitores negros, o país e a própria democracia.

Por seis votos a três, o tribunal entendeu que o desenho dos distritos eleitorais da Louisiana se baseou excessivamente em critérios raciais, modificando assim efeitos da Lei dos Direitos de Voto. Com isso, dois distritos de maioria negra deverão ser alterados, o que pode impactar a composição partidária do estado no Congresso.

Após a decisão, o governador da Louisiana, Jeff Landry, cancelou, na quinta-feira (30), as primárias partidárias previstas para 16 de maio, com o objetivo de revisar os mapas eleitorais antes da votação.

Analistas apontam que a mudança pode beneficiar os republicanos e o presidente Donald Trump, em um momento de queda de popularidade do governo devido às consequências políticas e econômicas da guerra contra o Irã. A decisão também pode incentivar outros estados a alterarem distritos de maioria negra e latina — que historicamente votam mais nos democratas — sob o argumento de que foram definidos com base em critérios raciais.

O reverendo Al Sharpton, presidente da National Action Network, afirmou que a decisão “desmantela” o legado de Martin Luther King, que lutou contra leis segregacionistas que restringiam o voto de negros nos EUA. Ele disse que a medida é “uma bala no coração do movimento pelos direitos de voto” e criticou o enfraquecimento contínuo da Lei dos Direitos de Voto pela Suprema Corte ao longo da última década.

O professor de história da Universidade de Brown, James N. Green, diz que a legislação modificada tem origem em 1965, durante o movimento pelos direitos civis. Segundo ele, a criação de distritos com maioria negra foi uma forma de enfrentar a marginalização histórica e garantir representação política no Congresso, superando um legado de segregação racial.

Trump celebra

O presidente Donald Trump comemorou publicamente a decisão, afirmando que esse é “o tipo de decisão” que aprecia. Em rede social, agradeceu ao governador Jeff Landry por levar o caso à Suprema Corte e por agir rapidamente para corrigir o que chamou de inconstitucionalidade dos mapas eleitorais da Louisiana.

No mesmo dia, Trump incentivou o governador do Tennessee a revisar os distritos eleitorais para favorecer os republicanos, afirmando que isso poderia garantir mais uma cadeira e ajudar a conter os democratas e suas políticas.

Democratas reagem

Lideranças democratas prometeram reagir para evitar perda de representação, em meio ao avanço do chamado gerrymandering — prática de redesenhar distritos eleitorais para favorecer partidos —, que pode impactar as eleições legislativas de meio de mandato previstas para novembro.

Esse tipo de alteração vem se intensificando desde que o Texas modificou seus distritos em favor dos republicanos. Estados como Califórnia e Missouri também adotaram mudanças, assim como a Flórida antes da decisão da Suprema Corte.

Após as alterações na Flórida, o New York Times destacou que, mesmo com a vice-presidente Kamala Harris tendo obtido 43% dos votos no estado há dois anos, os republicanos podem controlar 86% das cadeiras da Câmara.

A Flórida tornou-se o oitavo estado a revisar seus mapas eleitorais para as eleições parlamentares de 2026. Mudanças em Texas, Missouri, Carolina do Norte, Ohio e Flórida tendem a favorecer os republicanos, enquanto alterações na Califórnia, Utah e Virgínia devem beneficiar os democratas.

* Com informações da Agência Brasil

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