Entre euforia e risco, Nvidia apresenta números do 4º tri: o que esperar

Por Tamires Vitorio 25 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Entre euforia e risco, Nvidia apresenta números do 4º tri: o que esperar

A Nvidia (NVDA) divulga os resultados do quarto trimestre fiscal de 2026 nesta quarta-feira, 25, em meio ao que muitos alarmistas em Wall Street têm chamado de "apocalipse da inteligência artificial (IA)".

A empresa mais valiosa do mundo publica seu balanço após o fechamento do mercado dos Estados Unidos. Analistas projetam receita de aproximadamente US$ 65,7 bilhões, alta de 67% na comparação anual, e lucro de US$ 1,52 por ação.

O ambiente macroeconômico permanece favorável. Microsoft (MSFT), Amazon (AMZN), Alphabet — controladora do Google (GOOG; GOOGL) —, Meta (META) e Oracle (ORCL) devem investir conjuntamente mais de US$ 600 bilhões em despesas de capital em 2026, grande parte destinada à infraestrutura de IA.

Para o mercado, esse volume sustenta a tese de crescimento da Nvidia. Caso a administração confirme que a demanda continua superior à oferta, reforça a leitura de que a expansão da infraestrutura de IA segue ativa, sem sinais de desaceleração.

O foco do mercado recai sobre o guidance do primeiro trimestre fiscal de 2027, estimado entre US$ 71 bilhões e US$ 72 bilhões. A margem bruta deve permanecer entre 73% e 75%.

Se a companhia elevar projeções e reiterar restrições de oferta, a consolidação das ações tende a romper para cima. Se o guidance apenas confirmar expectativas ou sinalizar normalização da demanda ou maior pressão de chips customizados, o mercado pode reagir com realização de lucros.

Pressão no setor de tecnologia

O início de 2026 tem sido negativo para investidores em tecnologia. Sete das oito empresas de tecnologia avaliadas acima de US$ 1 trilhão acumulam perdas no ano.

A Nvidia, até agora, é a exceção. As ações subiram 2,7% no ano até o fechamento de segunda-feira, 23, enquanto o Nasdaq, pesado em tecnologia, recuou mais de 2,5%. Microsoft, Amazon e Tesla registram quedas de dois dígitos.

As principais clientes da Nvidia já divulgaram resultados e reforçaram planos de ampliar investimentos em IA. Segundo a Wedbush, as projeções de capex para 2026 superaram expectativas anteriores, com servidores e infraestrutura de IA concentrando a maior parte dos aportes.

Mais de 90% das casas acompanhadas pela FactSet recomendam compra das ações da Nvidia. A Wedbush atribui preço-alvo de US$ 230, cerca de 20% acima do último fechamento.

Atualmente, cerca de 90% da receita da companhia vem do segmento de data center, que abriga GPUs e sistemas de IA usados para treinar e operar modelos de linguagem de grande escala.

Alphabet, Microsoft, Meta e Amazon devem investir quase US$ 700 bilhões combinados neste ano, segundo estimativas. O crescimento projetado das despesas de capital supera 60% em relação a 2025.

Riscos e novos produtos

Apesar do cenário positivo, parte do mercado questiona se há excesso de construção de capacidade. Uma desaceleração poderia afetar de forma desproporcional a fabricante de chips.

Analistas projetam crescimento de 68% na receita do quarto trimestre fiscal, para cerca de US$ 66 bilhões, segundo a LSEG. Para o trimestre encerrado em abril, a estimativa é de avanço anual de 63%, para US$ 72 bilhões.

Há expectativa em torno do lançamento dos sistemas de próxima geração Vera Rubin ainda neste ano. Em outubro, o CEO Jensen Huang afirmou que 6 milhões de GPUs Blackwell foram enviadas nos últimos quatro trimestres e que a empresa projeta US$ 500 bilhões em vendas de GPUs considerando as gerações Blackwell e Rubin.

Investidores buscam sinais sobre a adoção dos sistemas Vera Rubin e o ritmo de demanda para o restante de 2026.

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