Escola Viva aposta em protagonismo do aluno para formar competências exigidas pelo mercado
A Escola Viva, instituição de ensino particular de São Paulo que completa 51 anos em 2026, tem apostado no protagonismo dos alunos como método para desenvolver competências que, segundo a escola, o mercado de trabalho exige e nem sempre encontra. A aposta tem nome: Simulação Viva (SIV).
Criada em 2012, a SIV reproduz a Assembleia das Nações Unidas, com comitês temáticos, Conselho de Segurança e cobertura jornalística feita em português e inglês. O evento é concebido, organizado e conduzido pelos estudantes, sem participação de uma entidade internacional, universidade ou consultoria.
Os alunos ocupam desde as cadeiras de delegados, que representam países nos debates, até as funções de um secretariado responsável por planejar e gerir o evento. A simulação começou pequena e hoje reúne mais de 300 participantes, incluindo delegações de outras escolas, como aconteceu no ano passado, quando um grupo de estudantes veio de Recife para participar.
Para Francisco Ferreira, coordenador dos programas de educação internacional da escola, o projeto se mantém há mais de uma década porque pertence aos alunos. "É um projeto que nasceu da base dos alunos", afirma. "Eles entendem isso como um projeto autoral, que é deles."
Na simulação da ONU, cada estudante atua como delegado e precisa defender a posição de um país, ainda que discorde dela. "É uma forma de o aluno se colocar no lugar do outro", diz. O exercício envolve argumentação, negociação e escuta, já que cada comitê deve terminar com uma proposta sobre o tema.
Desde o ano passado, a SIV tem um comitê conduzido inteiramente em inglês. Neste ano, dois alunos da escola participaram de uma simulação internacional da ONU, realizada em um espaço das Nações Unidas, e receberam o prêmio Diplomacy Award, concedido a participantes de desempenho destacado.
A escola afirma não evitar temas considerados sensíveis. Mantém um comitê de cultura inclusiva e um comitê de educação antirracista, ambos com a participação de famílias, professores, gestores e alunos. "A escola não se furta a discutir nenhuma temática, por mais incômoda que ela possa ser", diz.
(Francisco Ferreira, coordenador dos programas de educação internacional da escola)
Origem em um ateliê de arte
A SIV é apresentada pela escola como desdobramento de uma proposta adotada desde a fundação. A Escola Viva nasceu em 1974 como um ateliê de arte e expressão e se tornou escola regular dois anos depois. A marca de origem, segundo Ferreira, está na ideia de que o conhecimento pode ser acessado por diferentes linguagens. E isso envolve não apenas a linguagem verbal, mas também a visual, a corporal, a musical e a da tecnologia.
Segundo a escola, a proposta pedagógica se apoia em valores como diversidade, excelência, sustentabilidade, ousadia e experimentação. O objetivo é formar, segundo Ferreira, "um sujeito crítico, bem informado, capaz de trabalhar de forma colaborativa" e de seguir aprendendo ao longo da vida.
A sustentabilidade é citada por ele como uma das marcas mais fortes do projeto, inclusive com iniciativas que envolvem também a comunidade do entorno. "Temos responsabilidade com o coletivo e precisamos desenvolver nos alunos essa consciência e essa responsabilidade socioambiental", diz.
Conhecimento construído por investigação
O método de ensino, segundo Ferreira, parte da ideia de que o conhecimento é construído pela investigação, e não pela transmissão de conteúdo pronto.
"A gente trabalha muito com a ideia de que você constrói conhecimento investigando, levantando questões", diz.
Na prática, isso se traduz no trabalho com projetos, desenvolvidos em pequenos grupos com papéis definidos, a partir de problemas sem resposta única. A escola descreve a sala de aula como um espaço em que o aluno não apenas acessa o conhecimento, mas também o produz.
A instituição realiza ainda as chamadas saídas pedagógicas, ou estudos do meio, em que os alunos deixam o prédio para pesquisas de campo. Os estudantes do 4º ano, que estudam mobilidade urbana, vão ao Terminal de Pinheiros entrevistar passageiros sobre seus deslocamentos pela cidade.
O protagonismo dos alunos também aparece na organização interna da escola. Os estudantes elegem representantes de classe, encarregados de levar à instituição questões ligadas à vida escolar das turmas.
Relação com o mercado de trabalho
Ferreira afirma que as competências trabalhadas nessas iniciativas atendem a demandas do mundo corporativo. "Quando você pensa no mundo corporativo, há uma demanda grande por iniciativa, proatividade, resiliência, capacidade de trabalhar em equipe e uma visão abrangente das questões", diz.
Para ele, essas habilidades se desenvolvem mais no trabalho com projetos do que na transmissão de conteúdo em sala de aula. A escola mantém ainda uma parceria com a empresa Daqui pra Fora, de orientação para estudos no exterior, voltada a alunos a partir do 9º ano. A parceria inclui webinars sobre cursos fora do país e simulados gratuitos do SAT, exame usado em processos seletivos de universidades dos Estados Unidos e do Canadá.
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